“Um cidadão cabo-verdiano de 35 anos foi apanhado no Aeroporto de Lisboa enquanto aguardava a entrega da droga — em casa, a PJ encontrou 18 mil euros e máquinas de contar notas.”
Duas portuguesas voaram ao Brasil só para trazer droga
Quando o voo oriundo de Fortaleza, no Brasil, aterrou no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, no domingo 31 de maio, os inspetores da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária já estavam atentos. Entre os passageiros desembarcados estavam duas portuguesas, ambas com 34 anos, que saíram do avião com duas malas de mão e se dirigiram à zona de saída.
As diligências da PJ permitiram apurar que as duas mulheres faziam viagens ao Brasil com o único propósito de regressar a Lisboa com a droga escondida na bagagem de mão, ao serviço de uma organização criminosa dedicada ao tráfico de grandes quantidades de cocaína entre o Brasil e Portugal.
47 quilos com a marca “Lexus”
Antes que as duas mulheres conseguissem abandonar o aeroporto, foram detidas pela PJ, que confirmou de imediato que a bagagem escondia mais de 47 quilos de cocaína. A droga estava distribuída por vários pacotes embrulhados em plástico, com o logótipo da marca automóvel “Lexus” estampado.
Segundo a PJ, a cocaína tinha uma extrema pureza, o que permitiria aumentar substancialmente a quantidade a traficar na rua, sendo suficiente para compor pelo menos 476 mil doses individuais.
A PJ ainda não descobriu como as malas de mão passavam pelo raio-x do Aeroporto Internacional de Fortaleza Pinto Martins sem que a droga fosse detetada, suspeitando-se que a organização contasse com a cumplicidade de um funcionário do aeroporto brasileiro.
O cabo-verdiano que esperava a entrega
O cabo-verdiano que esperava a entrega
Além das duas “mulas”, a PJ deteve ainda um terceiro membro da rede criminosa. Cabo-verdiano, de 35 anos, o homem foi surpreendido no Aeroporto Humberto Delgado enquanto aguardava a chegada das duas mulheres para recolher e guardar a cocaína.
Na busca à sua residência, a PJ apreendeu 18 mil euros em numerário e máquinas de contar e acondicionar notas, o que indicia que o grupo lidava com elevadas quantias de dinheiro em numerário.
Os três aguardam decisão judicial
O cabo-verdiano, assim como as duas portuguesas detidas, passou a madrugada nos calabouços e foi levado a tribunal na segunda-feira, 1 de junho. Até ao momento não são conhecidas as medidas de coação aplicadas pelo juiz de instrução criminal. A investigação prossegue sob a direção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.
Uma rota que passa por Cabo Verde
Este caso não surge de forma isolada. Portugal e Cabo Verde estão identificados pelas autoridades internacionais como pontos-chave na rota da cocaína entre a América Latina e a Europa. A presença de um cidadão cabo-verdiano como elemento operacional de uma rede deste tipo — responsável pela receção e guarda da droga — é um sinal da infiltração destas organizações criminosas nas comunidades da diáspora.
Em dezembro de 2024, a Polícia Judiciária de Cabo Verde e a PJ portuguesa intercetaram, em cooperação internacional, uma embarcação com mais de 1,6 toneladas de cocaína nas águas do arquipélago, no âmbito da operação “Ventos Alísios”. As autoridades cabo-verdianas têm reiterado que o narcotráfico é a principal fonte dos crimes mais graves registados no país.
Recordamos que…
A operação “Premium Check-in” foi realizada pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária portuguesa no dia 31 de maio de 2026, resultando na detenção de três pessoas e na apreensão de 47 quilos de cocaína de extrema pureza proveniente do Brasil, suficiente para 476 mil doses individuais. Os arguidos foram presentes a tribunal neste dia 1 de junho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: Polícia Judiciária portuguesa







































