“Pedras brancas, cruzes simples e um ramo de flores marcam as sepulturas de quem ainda não tem identidade, quase duas semanas após o sismo que já matou mais de 3.500 pessoas”
As sepulturas de La Esperanza
Quase duas semanas depois do duplo terremoto que atingiu a Venezuela a 24 de junho de 2026, o país continua a enterrar as suas vítimas. No cemitério municipal de La Esperanza, em Catia La Mar, estado de La Guaira, mais de 150 corpos que não puderam ser identificados foram sepultados numa área isolada do recinto.
Uma tragédia que continua a crescer
O sismo já provocou mais de 3.500 mortos confirmados, segundo o mais recente balanço oficial, com cerca de 16.740 feridos e mais de 17.000 pessoas desalojadas. O estado de La Guaira, na costa norte do país, junto a Caracas, foi a região mais devastada, com quase 200 edifícios completamente destruídos.
Enquanto as equipas internacionais de resgate começam a retirar-se, considerando reduzida a probabilidade de encontrar mais sobreviventes, a atenção desloca-se agora para a identificação e o enterro digno dos mortos.
Escavadoras abriram fileiras de covas individuais em terra seca, cada uma delimitada por pedras brancas, com uma cruz simples e um pequeno ramo de flores aos pés. Uma placa junto a cada campa regista a menção “identificação especial” e a data comum de falecimento: 24 de junho de 2026. Os locais foram numerados por parcela e por código, de forma a permitir que, no futuro, familiares possam localizar e reclamar os restos mortais.
Um morador da zona, Eli Zavala, que participou nos trabalhos, contou à agência AFP que as escavações começaram logo no dia seguinte ao sismo, “para que todas essas pessoas pudessem ter sepulturas dignas”. Antes de cada enterro, as autoridades fotografaram os corpos, na tentativa de preservar qualquer elemento que sirva, mais tarde, para uma identificação.
Um número de desaparecidos ainda incerto
Embora o governo venezuelano evite falar oficialmente em desaparecidos, organizações das Nações Unidas estimam que o número possa chegar a dezenas de milhares, com projeções que variam entre 10.000 e 50.000 pessoas ainda não contabilizadas. Esta discrepância reflete a dificuldade em cruzar dados entre hospitais, abrigos temporários e zonas de escombros ainda por remover.
Nota editorial:
Casos como este relembram a importância de protocolos rigorosos de identificação de vítimas em situações de catástrofe natural — um tema que interessa também a Cabo Verde, arquipélago vulcânico onde o Fogo continua entre os vulcões mais vigiados de África. A forma como a Venezuela está a gerir este processo, numerando e fotografando cada corpo antes do enterro, é um exemplo de resposta que pode servir de referência para o planeamento de emergência em qualquer país insular exposto a riscos sísmicos ou vulcânicos.
Depois do vídeo, fica claro que a dignidade no tratamento dos mortos continua a ser, mesmo em contextos de grande adversidade, uma prioridade para as autoridades e para a população local.
Recordamos que…
O duplo sismo de 24 de junho devastou sobretudo o estado de La Guaira, na Venezuela, deixando milhares de famílias ainda à procura dos seus entes queridos. O processo de sepultura das vítimas não identificadas segue protocolos internacionais para permitir futuras reclamações por parte dos familiares, num esforço humanitário acompanhado de perto neste dia 7 de julho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte e imagem: AFP



















