“Maior prudência na avaliação do risco coincide com novas medidas públicas destinadas a facilitar o acesso à primeira casa.”
Em 30 segundos
- 🏦 Os bancos têm mostrado maior prudência na avaliação do risco dos particulares, segundo os inquéritos do Banco de Cabo Verde.
- 🏠 A procura de financiamento para aquisição de habitação já tinha registado uma redução.
- 🔑 Em sentido contrário, o Estado criou uma garantia destinada a facilitar o acesso dos jovens à primeira habitação.
- 💰 Para quem reúne os requisitos, o mecanismo pode ajudar a ultrapassar a barreira de dispor de todo o capital inicial normalmente necessário.
Um equilíbrio delicado no acesso à casa própria
Comprar casa em Cabo Verde poderá depender cada vez mais de um equilíbrio delicado: de um lado, bancos atentos ao risco e à capacidade financeira dos clientes; do outro, novas medidas públicas destinadas a facilitar o acesso à habitação.
Os inquéritos do Banco de Cabo Verde (BCV) têm mostrado sinais de maior prudência na concessão de crédito.
No final de 2025, as instituições bancárias reportaram critérios ligeiramente mais restritivos para particulares e empresas. A procura de crédito para aquisição de habitação também tinha diminuído.
Isso não significa, contudo, que os bancos tenham simplesmente fechado a porta ao financiamento.
O banco olha primeiro para a capacidade de pagar
Rendimento do agregado familiar, outros empréstimos, taxa de esforço, garantias e avaliação do imóvel continuam entre os elementos determinantes para uma decisão.
O BCV identificou o nível de incumprimento e a perceção sobre a qualidade creditícia dos consumidores entre os fatores que contribuíram para uma postura mais prudente relativamente aos particulares.
Para quem procura casa, portanto, encontrar o imóvel é apenas uma parte do problema. É necessário demonstrar capacidade para suportar uma dívida que poderá acompanhar a família durante muitos anos.
Uma nova ajuda para chegar à primeira casa
Ao mesmo tempo, Cabo Verde introduziu em 2026 um instrumento que poderá facilitar o acesso à primeira habitação.
Jovens entre 18 e 35 anos, com domicílio fiscal em Cabo Verde e que cumpram os restantes requisitos previstos, podem beneficiar de uma garantia pessoal do Estado na aquisição ou construção da primeira habitação própria e permanente.
O crédito abrangido não pode ultrapassar 10 milhões de escudos e a garantia pode chegar a 15% do valor do financiamento.
Na prática, o mecanismo procura ajudar sobretudo quem consegue suportar a prestação, mas encontra dificuldades para reunir o capital ou as garantias necessárias à entrada inicial.
A garantia pública, porém, não significa aprovação automática. A análise da capacidade financeira e a decisão de conceder o empréstimo continuam a pertencer ao banco.
O crédito é apenas metade da questão
Existe, assim, uma aparente contradição.
Enquanto os bancos procuram controlar melhor o risco, o Estado tenta reduzir algumas das barreiras que dificultam a entrada de jovens no mercado da habitação.
Mas conseguir financiamento não resolve necessariamente o problema.
Há uma segunda variável decisiva: o preço das casas em relação aos rendimentos das famílias.
Uma pessoa pode ter emprego, rendimento regular e até beneficiar de uma garantia pública e, ainda assim, não conseguir encontrar uma habitação cujo preço permita uma prestação sustentável.
É por isso que a grande questão poderá já não ser apenas “o banco empresta?”, mas também:
“quanto precisa ganhar uma família cabo-verdiana para conseguir comprar casa aos preços atuais?”
Essa é uma conta que merece ser feita.
Caboverde24.info
Fontes: Banco de Cabo Verde — Inquérito à Política de Crédito; Boletim Oficial de Cabo Verde — Portaria Conjunta n.º 13/2026 e Decreto-Lei n.º 6/2026; Direção-Geral do Tesouro.



















