“Um estudo publicado na nova edição do Boletim de Saúde Pública mostra que mais de metade dos doentes internados com dengue no Hospital Universitário Agostinho Neto tinham até 14 anos. Outubro de 2024 concentrou o maior número de hospitalizações.”
Em 30 segundos
🦟 Foram analisados 476 internamentos por dengue no Hospital Universitário Agostinho Neto.
👧 56,5% dos doentes tinham entre 0 e 14 anos e a idade mediana foi de apenas 11 anos.
🏥 99,2% tiveram alta, mas foram registadas quatro mortes.
📍 78,4% dos internados residiam na Praia e outubro de 2024 foi o mês com mais hospitalizações.
Mais de metade tinha até 14 anos
A epidemia de dengue teve um impacto particularmente importante entre os mais novos que precisaram de internamento no principal hospital público de Cabo Verde.
Um estudo divulgado na 7.ª edição do Boletim de Saúde Pública analisou o perfil epidemiológico de 476 doentes hospitalizados com dengue no Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia, no período entre 2023 e 2025.
O dado que mais chama a atenção é a idade: 56,5% dos internados tinham entre zero e 14 anos. A idade mediana dos pacientes foi de apenas 11 anos.
A distribuição por sexo foi praticamente equilibrada: 50,2% dos internados eram do sexo masculino e 49,8% do feminino.
Outubro de 2024 concentrou mais internamentos
A maior concentração de hospitalizações ocorreu entre julho e outubro de 2024, sendo outubro o mês com o número mais elevado de internamentos.
Em novembro, o número caiu 69,9% em relação ao mês anterior.
Outro dado relevante é que, apesar de a análise abranger o período de 2023 a 2025, não foram registados internamentos por dengue no Hospital Universitário Agostinho Neto em 2025.
A distribuição geográfica mostra igualmente uma forte concentração na capital: 78,4% dos pacientes residiam no concelho da Praia, com Achadinha, Safende e Ponta d’Água entre as zonas mais representadas.
Febre em mais de oito em cada dez doentes
A febre foi o sintoma mais frequente, presente em 84,5% dos casos.
Seguiram-se náuseas e vómitos, registados em 50% dos pacientes, dores musculares e articulares em 36,1%, dor abdominal em 25% e hemorragia das mucosas em 21%.
O estudo identificou ainda outras condições clínicas em 24,2% dos internados, destacando-se a hipertensão arterial e a diabetes.
Quatro mortes entre os 476 internados
A evolução clínica foi favorável para a grande maioria dos pacientes. 99,2% tiveram alta após estabilização, enquanto foram registadas quatro mortes, correspondentes a uma letalidade hospitalar de 0,84%.
O tempo médio de internamento foi de 3,9 dias.
Os investigadores identificam um padrão de transmissão urbana e sazonal e apontam também limitações nos registos clínicos. Entre as necessidades assinaladas estão o reforço dos sistemas de informação hospitalar e da vigilância epidemiológica.
A publicação destes dados permite olhar para a epidemia para além do número global de casos e perceber melhor quem chegou a precisar de hospitalização, em que período e com que desfecho.
Caboverde24.info
Fonte: Instituto Nacional de Saúde Pública — 7.ª edição do Boletim de Saúde Pública























