“Colin Foskett, hoje com 79 anos, recorda uma aventura de cerca de 20 mil milhas iniciada em 1975. Pelo caminho, o veleiro Auralyn II foi intercetado em Cabo Verde e homens armados subiram a bordo por causa de uma bandeira.”
Em 30 segundos
⛵ A BBC recuperou a história de uma longa aventura marítima iniciada no verão de 1975.
🇨🇻 Colin Foskett recorda que, durante a passagem por Cabo Verde, homens armados subiram ao veleiro e disseram à tripulação que estava a utilizar “a bandeira errada”.
🌎 O Auralyn II percorreu cerca de 20 mil milhas, passou pela América do Sul, Patagónia e Canal do Panamá.
🐋 A tripulação viveu ainda um encontro muito próximo com uma baleia antes de regressar ao Reino Unido em 1976.
Uma história de 1975 que voltou agora à atualidade
Uma aventura marítima iniciada há cerca de meio século voltou a ser notícia no Reino Unido — e Cabo Verde faz parte da história.
A BBC recuperou neste sábado, 19 de setembro, as memórias de Colin Foskett, hoje com 79 anos, que no verão de 1975 deixou Llanelli, no País de Gales, a bordo do veleiro Auralyn II.
Com ele seguiam a mulher, June Foskett, os amigos Maurice e Maralyn Bailey e Tony Martin.
O grupo iniciou uma viagem que acabaria por percorrer cerca de 20 mil milhas e atravessar algumas das regiões marítimas mais exigentes do mundo.
Mas um dos episódios que Foskett ainda recorda aconteceu em Cabo Verde.
Homens armados subiram ao veleiro
Segundo contou à BBC, a tripulação foi intercetada pelas autoridades durante a passagem pelo arquipélago.
Foskett recorda homens armados a subir ao Auralyn II e a informar os tripulantes de que havia um problema com a bandeira utilizada pela embarcação.
A mensagem de que se lembra, cinco décadas depois, era simples: aquela era “a bandeira errada”.
A BBC não especifica em que ilha ou porto de Cabo Verde aconteceu a abordagem, quanto tempo a embarcação ficou retida ou qual era exatamente o problema com a bandeira.
Foskett afirma apenas que o grupo foi detido pelas autoridades locais em três momentos diferentes da viagem: em Cabo Verde, em Montevideu, no Uruguai, e em Punta Arenas, no Chile.
Terry Smith (à esquerda) disse que cresceu ouvindo histórias de seu pai, Colin (à direita).
Cabo Verde vivia um ano histórico
Há um elemento que torna a passagem pelo arquipélago ainda mais curiosa.
O Auralyn II iniciou a sua viagem no verão de 1975, precisamente o ano em que Cabo Verde se tornou independente, a 5 de julho.
A reportagem não indica a data exata em que o veleiro chegou ao arquipélago e não apresenta elementos que permitam relacionar o incidente da bandeira com a independência ou com as mudanças institucionais então em curso.
Por isso, essa eventual ligação permanece apenas como uma hipótese que não pode ser confirmada a partir do relato disponível.
Uma viagem de 20 mil milhas
Depois da passagem por Cabo Verde, a aventura continuou.
O Auralyn II navegou pela América do Sul, chegou à Patagónia e passou por Ushuaia, no extremo sul do continente.
A embarcação atravessou depois o Canal do Panamá e regressou ao Reino Unido, entrando no Southampton International Boat Show em 1976.
Foskett calcula que a tripulação tenha percorrido aproximadamente 20 mil milhas durante toda a viagem.
A baleia que surgiu diante do veleiro
Outro momento ficou particularmente vivo na memória dos tripulantes.
Foskett conta que viu à distância algo que inicialmente lhe pareceu uma lancha rápida. À medida que se aproximava, percebeu que era uma baleia.
O animal chegou muito perto da popa, ergueu a cabeça junto do veleiro e acabou por desaparecer sob as águas sem tocar na embarcação.
Para Maurice e Maralyn Bailey, o episódio tinha um significado especial.
Apenas três anos antes, o casal tinha sobrevivido 118 dias no mar depois de o seu anterior veleiro ter sido destruído por uma baleia.
Desta vez, o encontro terminou sem consequências.
Memórias que a família quer preservar
A aventura foi feita com poucos confortos. Os alimentos eram racionados e June levou para bordo um grande urso de peluche, que acabou por se transformar na mascote da viagem.
June Foskett, Maurice Bailey e Maralyn Bailey já morreram.
Terry Smith, filha de Colin e June, cresceu a ouvir as histórias daquela travessia e procura agora preservar as memórias dos pais.
Colin, por sua vez, reconhece que perto dos 80 anos dificilmente voltaria a embarcar numa aventura semelhante.
Mas garante que ficou feliz por a ter vivido.
Mais de meio século depois da partida, a BBC recupera agora uma história feita de milhares de milhas de oceano, Patagónia, baleias e encontros inesperados — incluindo uma passagem por Cabo Verde que Colin Foskett nunca esqueceu.
Caboverde24.info





























