Mindelact chega à 32.ª edição com menos de um terço do orçamento confirmado — e falta de salas que dura há 15 anos

​Em 30 segundos

​🎭 A 32.ª edição do Mindelact realiza-se de 2 a 7 de novembro, com participantes de Cabo Verde e de seis países estrangeiros.

​💰 O orçamento previsto ronda 16 a 17 mil contos, mas estão confirmados menos de cinco mil.

​🌧️ Em 2025, a tempestade Erin inutilizou o Centro Cultural do Mindelo, levando parte importante da programação para a Academia Jotamont.

​🏛️ Em 2026, o Centro Cultural voltou a funcionar, mas a Jotamont encontra-se desmontada devido a obras ainda não iniciadas.

​Um festival consolidado, soluções que continuam provisórias

​O Mindelact prepara a 32.ª edição com programação internacional, extensões à Praia e ao Porto Novo e artistas de Cabo Verde, Portugal, Espanha, Brasil, Togo, Itália e Dinamarca.

​Três décadas depois da criação do festival, porém, duas dificuldades continuam a acompanhar a organização: encontrar espaços adequados e garantir antecipadamente o financiamento necessário.

​O orçamento deste ano está estimado entre 16 e 17 mil contos. Segundo a organização, menos de cinco mil estavam confirmados na apresentação da edição.

​Mesmo tomando como referência o valor mais baixo, menos de um terço das necessidades financeiras estava assegurado a menos de um mês do festival.

​Erin obrigou a mudar o festival em 2025

​A questão dos espaços agravou-se no ano passado.

​O Centro Cultural do Mindelo, habitual sede do Mindelact, ficou inutilizado depois dos danos provocados pela tempestade Erin, em agosto de 2025.

​A realização da 31.ª edição chegou a ser colocada em dúvida, mas o festival avançou recorrendo a outros espaços, sobretudo à Academia de Música Jotamont, considerada pela organização uma alternativa com boas condições técnicas.

​A falta de salas teve ainda outra consequência: o Festival Off não se realizou em 2025.

​Este ano, o Centro Cultural voltou à atividade. Mas a Jotamont, que serviu de alternativa durante a crise anterior, encontra-se agora desmontada por causa de obras que, segundo a organização, ainda não começaram.

​O festival voltou, portanto, a adaptar a programação às infraestruturas disponíveis.

​A falta de salas já era discutida em 2011

​O problema é muito anterior à tempestade Erin.

​Na 17.ª edição, em 2011, João Branco, então diretor artístico, já chamava a atenção para a insuficiência dos espaços cénicos em São Vicente.

​O festival registava salas cheias e público sem conseguir entrar em algumas apresentações. Na altura, defendia-se a necessidade de um espaço com melhores condições e maior capacidade.

​Passaram-se 15 anos e outras 15 edições.

​O Mindelact consolidou a dimensão internacional e manteve programação regular, mas a disponibilidade de salas continua entre os principais constrangimentos.

​O problema não afeta apenas os dias do festival. Em 2025, a direção da Associação Artística e Cultural Mindelact referia também dificuldades de grupos locais para encontrar espaços adequados de ensaio e formação.

​Financiamento continua a fechar perto da abertura

​A outra dificuldade é financeira.

​A organização afirma continuar sem confirmação definitiva dos montantes provenientes de alguns parceiros institucionais.

​Essa incerteza afeta despesas que precisam de ser planeadas antecipadamente, como alojamento, alimentação e logística de artistas nacionais e estrangeiros.

​Também não é uma situação nova.

​Na edição de 2025, preparada com um orçamento próximo de 11 mil contos, a organização afirmava que historicamente raramente conseguia assegurar metade do montante considerado necessário.

​Em 2026, a estimativa subiu para 16 a 17 mil contos e menos de cinco mil estavam confirmados na apresentação da programação.

​Segundo a organização, estas dificuldades têm provocado “algum desânimo” e contribuído para o afastamento de alguns fundadores.

​Trinta e duas edições mudam a natureza do problema

​Num festival recente, dificuldades de financiamento e de espaços podem fazer parte de um processo de consolidação.

​No caso do Mindelact, são 32 edições, presença internacional regular e uma programação que já ultrapassa São Vicente.

​A edição de 2026, denominada “Edição Raiz”, assinala os 90 anos do Movimento Claridade e procura reforçar a criação cabo-verdiana mantendo a dimensão internacional.

​A capacidade para produzir programação está consolidada.

​O que continua menos previsível são as condições básicas para concretizá-la.

​Quinze anos depois dos primeiros alertas sobre falta de salas, o Mindelact continua a adaptar espaços e programação às infraestruturas disponíveis e a fechar uma parte importante do financiamento perto da abertura.

​É esse contraste — um festival internacional consolidado apoiado ainda em soluções frequentemente provisórias — que permanece por resolver.

​Caboverde24.info

​Fonte: Inforpress; Associação Artística e Cultural Mindelact; Buala; RTP/Lusa.

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