“Desde que suspendeu as funções presidenciais, José Maria Neves passou de imediato para uma intensa fase de mobilização: deslocações, encontros, dezenas de mandatários locais, contactos com a diáspora e uma presença quase diária nas redes sociais. Uma estrutura de comunicação montada para multiplicar pontos de contacto e procurar ampliar apoios antes de 15 de novembro.”
Nota editorial — série dos seis candidatos: Este artigo é o primeiro de uma série de seis análises do Caboverde24.info sobre as estratégias dos candidatos às eleições presidenciais de 15 de novembro. Nos próximos artigos, analisaremos individualmente os outros cinco candidatos, aplicando o mesmo método e os mesmos critérios de observação. A ordem de publicação não representa qualquer preferência editorial.
Em 30 segundos
🏃 A 14 de setembro, José Maria Neves suspendeu as funções de Presidente da República e entrou imediatamente numa intensa fase de contactos e mobilização.
📱 Viagens, encontros, histórias pessoais, vídeos e apresentação sucessiva de representantes transformaram as redes sociais numa extensão permanente da presença no terreno.
👥 Numa análise às publicações disponíveis até 6 de outubro, o Caboverde24.info identificou pelo menos 30 mandatários locais em dez concelhos, além de três representantes nacionais.
🌍 A estratégia liga ilhas, diferentes públicos e diáspora. A dimensão da estrutura mostra capacidade de organização, mas não permite medir intenção de voto.
Da Presidência diretamente para o terreno
A 14 de setembro, José Maria Neves anunciou que procuraria um segundo mandato e suspendeu imediatamente o exercício das funções de Presidente da República, nos termos da legislação eleitoral.
A chefia interina do Estado passou para Janira Hopffer Almada, presidente da Assembleia Nacional.
José Maria Neves passou então diretamente para a fase de mobilização. Na apresentação da candidatura, afirmou pretender criar um “grande movimento nacional”, envolvendo cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora, independentemente das suas sensibilidades partidárias.
Menos de um mês depois, já é possível observar como essa intenção está a ser colocada em prática: deslocações sucessivas, encontros de proximidade, representantes nacionais e concelhios e uma atividade digital praticamente contínua.
Uma presença que continua depois de cada encontro
A estratégia não assenta apenas nas deslocações entre ilhas. Cada passagem pelo terreno tende a prolongar-se nas redes através de fotografias, vídeos, mensagens pessoais ou apresentação de novos responsáveis. Enquanto uma iniciativa continua a circular online, outra etapa da agenda já está a ser anunciada.
A combinação entre presença física, rostos locais e comunicação digital permite manter um fluxo quase permanente de conteúdos e dirigir mensagens a diferentes públicos.
É esta cadência, mais do que qualquer viagem isolada, que sustenta a imagem de uma maratona de contactos.
Da Presidência diretamente para o terreno
A 14 de setembro, José Maria Neves anunciou que procuraria um segundo mandato e suspendeu imediatamente o exercício das funções de Presidente da República, nos termos da legislação eleitoral.
A chefia interina do Estado passou para Janira Hopffer Almada, presidente da Assembleia Nacional.
José Maria Neves passou então diretamente para a fase de mobilização. Na apresentação da candidatura, afirmou pretender criar um “grande movimento nacional”, envolvendo cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora, independentemente das suas sensibilidades partidárias.
Menos de um mês depois, já é possível observar como essa intenção está a ser colocada em prática: deslocações sucessivas, encontros de proximidade, representantes nacionais e concelhios e uma atividade digital praticamente contínua.
Uma presença que continua depois de cada encontro
A estratégia não assenta apenas nas deslocações entre ilhas. Cada passagem pelo terreno tende a prolongar-se nas redes através de fotografias, vídeos, mensagens pessoais ou apresentação de novos responsáveis. Enquanto uma iniciativa continua a circular online, outra etapa da agenda já está a ser anunciada.
A combinação entre presença física, rostos locais e comunicação digital permite manter um fluxo quase permanente de conteúdos e dirigir mensagens a diferentes públicos.
É esta cadência, mais do que qualquer viagem isolada, que sustenta a imagem de uma maratona de contactos.
Pelo menos 30 mandatários locais já documentados
Numa análise às publicações de José Maria Neves disponíveis até 6 de outubro, o Caboverde24.info conseguiu identificar diretamente 30 mandatários em dez concelhos: Praia, Santa Catarina, Tarrafal de Santiago, São Domingos, São Vicente, Ribeira Grande (Santo Antão), Paúl, Porto Novo, São Filipe e Mosteiros.
O padrão repete-se: normalmente são apresentados um mandatário geral, uma representante para as mulheres e um representante para a juventude.
No plano nacional, José Maria Neves já tinha anunciado Mário Lúcio Sousa como mandatário nacional, Josina Fortes para as mulheres e Viviane Brito para a juventude.
Entre estas três figuras nacionais e os dez concelhos documentados, somam-se pelo menos 33 nomes.
O levantamento não pretende ser exaustivo, uma vez que outras nomeações foram ou poderão ainda ser divulgadas. Mais importante do que cada nome individualmente é a repetição da fórmula: criar uma rede territorial e, ao mesmo tempo, dirigir a comunicação a segmentos específicos da sociedade.
Os 22 concelhos e os 15 já conferidos
Os documentos entregues ao Tribunal Constitucional ajudam a compreender a abrangência pretendida, mas exigem uma distinção importante.
A nota de entrega da candidatura indicava documentação de proponentes com representação dos 22 concelhos do país e da diáspora. Isso não significa que o Tribunal tenha chegado a conferir subscrições dos 22 concelhos.
Quando interrompeu a conferência, porque os requisitos legais já estavam largamente ultrapassados, tinham sido verificadas 1.374 subscrições. Destas, 1.271 provinham de 15 concelhos e 103 da diáspora, distribuídas pelos Estados Unidos, Angola, Senegal e França.
A conferência dos restantes sete concelhos não chegou a ser feita e a da Praia ficou incompleta.
Há ainda outra diferença essencial: subscritores não são mandatários. Os primeiros serviram para formalizar a candidatura; os segundos integram a rede de representação e mobilização apresentada publicamente.
A diáspora como extensão do território
A presença fora do arquipélago ocupa igualmente espaço próprio nesta estratégia.
José Maria Neves tem associado contactos realizados no exterior a histórias e famílias que permanecem nas ilhas. Num dos exemplos publicados recentemente, recuperou um encontro com um cabo-verdiano no Luxemburgo e, posteriormente, mostrou o contacto com familiares dessa pessoa no Paúl, em Santo Antão.
A diáspora deixa, assim, de aparecer apenas como destino de deslocações e passa a integrar de forma permanente a narrativa e a rede de contactos construída em torno da candidatura.
Visibilidade não equivale a votos
Os factos permitem identificar uma estrutura ampla e organizada. Não permitem concluir que essa exposição corresponda automaticamente a maior apoio entre os eleitores.
Número de mandatários, frequência das publicações, deslocações ou alcance nas redes podem indicar capacidade de organização e comunicação. Não substituem sondagens nem permitem antecipar o resultado de 15 de novembro.
Também os restantes concorrentes estão a desenvolver estratégias próprias, procurando apresentar propostas, estabelecer contactos e ganhar visibilidade nesta fase.
Uma mobilização também sob escrutínio
A intensidade das deslocações de José Maria Neves já provocou contestação.
A 2 de outubro, Gilson Alves apresentou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições, alegando utilização de viaturas oficiais para fins relacionados com a candidatura.
Na participação, Gilson Alves afirmou ter observado essa utilização no Mindelo, São Vicente, a 28 de setembro, e referiu ainda relatos relativos a Santo Antão, no dia seguinte.
Trata-se de uma alegação apresentada por outro candidato, e não de uma irregularidade considerada provada.
Até 6 de outubro, não foi localizada entre as deliberações públicas consultadas uma decisão da CNE sobre esta queixa específica.
Uma mobilização também sob escrutínio
A intensidade das deslocações de José Maria Neves já provocou contestação.
A 2 de outubro, Gilson Alves apresentou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições, alegando utilização de viaturas oficiais para fins relacionados com a candidatura.
Na participação, Gilson Alves afirmou ter observado essa utilização no Mindelo, São Vicente, a 28 de setembro, e referiu ainda relatos relativos a Santo Antão, no dia seguinte.
Trata-se de uma alegação apresentada por outro candidato, e não de uma irregularidade considerada provada.
Até 6 de outubro, não foi localizada entre as deliberações públicas consultadas uma decisão da CNE sobre esta queixa específica.
Dois apoios partidários assumidos
Entre os seis nomes, Joana Rosa conta com o apoio formal do MpD, decidido pela Direção Nacional a 29 de agosto, com 85% dos votos dos membros daquele órgão.
A Comissão Política Nacional do PAICV decidiu apoiar José Maria Neves. Na última informação pública localizada, essa posição deveria ainda ser submetida ao Conselho Nacional, órgão competente para a formalização estatutária.
Para Antero Tavares, Casimiro de Pina, Gilson Alves e Loisito Tavares de Sousa não foi identificado, até ao fecho deste artigo, apoio partidário formal equivalente.
Uma estrutura montada para mobilizar apoios
A característica mais evidente desta fase de José Maria Neves não é uma viagem, uma publicação ou uma nomeação isolada.
É a soma: estrutura nacional, dezenas de representantes locais, comunicação dirigida a diferentes públicos, deslocações entre ilhas, contactos com a diáspora e utilização intensa das redes sociais para prolongar cada iniciativa.
Os mandatários são uma das peças dessa estrutura, não o seu objetivo final.
José Maria Neves declarou em setembro que pretendia construir um “grande movimento nacional”. Três semanas depois, já é possível observar uma extensa rede destinada a procurar concretizar esse objetivo e ampliar a mobilização em seu redor.
Quanto dessa visibilidade se transformará em confiança dos eleitores é uma questão diferente.
A resposta chegará a 15 de novembro.
Caboverde24.info
Fonte: Tribunal Constitucional, Comissão Nacional de Eleições, Assembleia Nacional, Presidência da República, Inforpress,





























