“Depois de um empréstimo de 17 milhões de dólares para três bacias hidrográficas, Cabo Verde procura alargar a parceria à dessalinização, agricultura e conectividade. As novas propostas ainda estão em fase de negociação.”
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- 💧 Água: barragens e dessalinização estão entre as prioridades apresentadas ao Fundo Saudita para o Desenvolvimento.
- 🚢 Outros setores: agricultura, pesca e transportes marítimos e aéreos também poderão beneficiar de futuros investimentos.
- 💰 Financiamento: ainda não foram anunciados valores, projetos aprovados ou prazos de execução.
- 🤝 Próximo passo: representantes sauditas foram convidados a visitar Cabo Verde para analisar propostas concretas.
O que está a ser negociado?
Cabo Verde pretende mobilizar novos financiamentos junto do Fundo Saudita para o Desenvolvimento, numa parceria que poderá abranger setores essenciais para a economia e as condições de vida da população.
A possibilidade foi discutida esta terça-feira, 13 de outubro, durante um encontro realizado em Banguecoque, na Tailândia, à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que decorrem de 12 a 18 de outubro.
Segundo José Carlos Moniz Varela, responsável pela Coordenação dos Projetos Especiais e Acesso a Fundos, foram apresentadas prioridades nacionais relacionadas com a mobilização de água, através de barragens e dessalinização, bem como investimentos na agricultura, pesca e conectividade marítima e aérea.
Os representantes sauditas manifestaram disponibilidade para analisar propostas e estudar possibilidades de cofinanciamento, envolvendo também o Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África (BADEA) e outros parceiros.
Uma parceria que já envolve 36 milhões de dólares
A cooperação tem antecedentes concretos.
Em novembro de 2023, o Fundo Saudita assinou, em Riade, um acordo de empréstimo de 17 milhões de dólares para o desenvolvimento de três bacias hidrográficas em Cabo Verde.
O financiamento integra um programa mais amplo, com um orçamento total de 36 milhões de dólares, distribuído da seguinte forma:
- 17 milhões de dólares: Fundo Saudita para o Desenvolvimento.
- 16,5 milhões de dólares: Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África (BADEA).
- 2,5 milhões de dólares: Governo de Cabo Verde.
As intervenções abrangem as bacias hidrográficas da Ribeira São João Baptista, em Santiago, da Ribeira Grande, em Santo Antão, e da Ribeira Calhau, na Boa Vista.
Estão previstas obras de conservação de solos, retenção e aproveitamento de água, infraestruturas de irrigação e melhoria das condições para a produção agrícola.
O acordo de financiamento com o Fundo Saudita foi aprovado pelo Decreto n.º 2/2024, publicado no Boletim Oficial de 15 de fevereiro de 2024.
Em julho de 2025, foi lançado o projeto da bacia hidrográfica da Ribeira Grande, em Santo Antão, com um investimento anunciado de 14,2 milhões de dólares. Nessa altura, os trabalhos encontravam-se ainda na fase inicial de estudos técnicos e preparação dos concursos para a execução das obras.
Este antecedente demonstra a existência de uma parceria financeira, mas também a importância de acompanhar o percurso entre a aprovação dos recursos e a execução efetiva dos investimentos.
O que falta para o novo financiamento avançar?
O encontro de Banguecoque representa uma abertura para futuras negociações, e não a assinatura de um novo acordo imediato.
Até ao momento, não foram divulgados montantes, condições financeiras, calendário de desembolsos ou uma lista definitiva de projetos e ilhas beneficiárias.
Cabo Verde convidou os representantes sauditas a deslocarem-se ao arquipélago para aprofundar a análise técnica e financeira de cada proposta setorial.
A referência às pescas surge também numa altura em que o país prepara a apresentação internacional de um plano de investimentos de 32,25 milhões de dólares, dos quais 29 milhões ainda precisam de financiamento externo. Não foi anunciada, contudo, qualquer ligação financeira direta entre esse programa e as conversações com o Fundo Saudita.
Para já, o principal resultado do encontro é a disponibilidade mútua para prosseguir o diálogo técnico. A concretização dependerá da definição dos cadernos de encargos, da avaliação dos financiadores internacionais e da formalização de novos compromissos bilaterais.
Caboverde24.info
Fonte: Inforpress, 13/10/2026 e 23/07/2025; Fundo Saudita para o Desenvolvimento, 09/11/2023; Boletim Oficial, Decreto n.º 2/2024; Ministério das Finanças.





























