“A escolha do parceiro para a privatização parcial aproxima a TAP do grupo alemão. Para os passageiros cabo-verdianos, importa distinguir os compromissos anunciados das mudanças que ainda não foram definidas.”
Em breve
- ✈️Escolha: Lufthansa foi selecionada após superar a proposta da Air France-KLM.
- 📊Participação: aquisição inicial prevista de 44,9%; até 5% são oferecidos aos trabalhadores.
- 🔎Próximo passo: documentos da operação e autorizações ainda têm de ser concluídos.
A Lufthansa foi escolhida esta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, para a privatização parcial da TAP Air Portugal. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro português, Luís Montenegro. A entrada inicial prevista do grupo alemão corresponde a 44,9% do capital da transportadora.
Segundo o Governo português, a proposta financeira da Lufthansa superou em 16% a da Air France-KLM e apresentou menor grau de incerteza. O resultado encerra a disputa pela escolha do parceiro, mas não significa que a aquisição já esteja concluída.
A Lufthansa informou que está a trabalhar com o Governo e a Parpública para finalizar os documentos da transação. A conclusão da aquisição continua sujeita à aprovação das autoridades competentes.
O que significa para quem viaja de Cabo Verde?
Para Cabo Verde, o tema tem interesse direto nas viagens para Portugal e nas ligações ao exterior. Na sua página de voos a partir do arquipélago, a TAP identifica Praia, Boa Vista, São Vicente e Sal entre os aeroportos que serve.
Os comunicados consultados não apresentam novas tarifas nem alterações de frequências específicas para Cabo Verde. A escolha do investidor, por si só, não permite concluir que os bilhetes vão ficar mais baratos ou que haverá mais voos para as ilhas.
44,9% não é o mesmo que 49,9%
É importante distinguir duas parcelas: a Lufthansa prevê adquirir inicialmente 44,9%, enquanto até 5% são inicialmente oferecidos aos trabalhadores. O desenho anunciado admite uma participação do investidor até 49,9%. Nesse cenário de privatização parcial, o Governo indica que o Estado conserva 50,1%.
A Lufthansa apresenta uma oferta de 1.025 milhões de euros pelos 44,9%, que pode chegar a cerca de 1.200 milhões pela aquisição de 49,9%, considerando a parcela inicialmente oferecida aos trabalhadores e um mecanismo de acréscimo ligado ao tempo. O Governo anuncia um encaixe de 1.201 milhões para até 49,9%.
Lisboa e mercados lusófonos entre os compromissos
Entre os compromissos descritos pelo Governo estão a manutenção da marca e da sede da TAP em Portugal, do hub de Lisboa e das ligações às regiões autónomas, à diáspora e aos mercados lusófonos. O anúncio não quantifica esse compromisso por rota cabo-verdiana.
A aproximação não parte do zero: a Lufthansa descreve a TAP como uma parceira de longa data na Star Alliance. A novidade agora é a escolha para uma participação no capital, ainda dependente dos passos contratuais e das autorizações.
Caboverde24.info já tinha abordado, em maio, a expansão da TAP e os seus planos de ligações a Cabo Verde, quando Lufthansa e Air France-KLM ainda figuravam entre os interessados na privatização. A decisão de hoje constitui um desenvolvimento posterior àquele contexto.
Para os passageiros, os próximos sinais concretos serão a conclusão da operação e eventuais anúncios sobre horários, oferta e condições de viagem. Até lá, a proteção dos mercados lusófonos é um compromisso anunciado; mudanças específicas para Cabo Verde terão de ser verificadas quando forem divulgadas.
Caboverde24.info
Fonte: Governo de Portugal; Lufthansa Group; TAP Air Portugal.
Foto: Ex13 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Airbus A320 da TAP no aeroporto de Lisboa, em 2009. Fotografia de arquivo ilustrativa; não documenta o anúncio da privatização. Imagem adaptada ao template Caboverde24.info; adaptação disponibilizada sob CC BY-SA 3.0. Origem da imagem.

























