“Hoje se completam 64 anos da tragédia do chamado ‘Voo da Amizade’, em Recife, ocorrida após o voo ter saído de Cabo Verde e sofrido o acidente no Brasil.”
O voo e a escala na Ilha do Sal
No dia 31 de outubro de 1961, um Douglas DC-7C da companhia Panair do Brasil, prefixo PP-PDO, decolou de Lisboa com destino a Recife, no Brasil. O roteiro incluía uma escala técnica na Ilha do Sal, em Cabo Verde.
Durante a parada, alguns passageiros desembarcaram e outros embarcaram, num procedimento habitual do trajeto que ligava Portugal ao Brasil. A escala decorreu sem qualquer anormalidade. No entanto, aquele voo ficaria para sempre lembrado pela tragédia que se seguiria poucas horas depois.
O acidente na aproximação final a Recife
Já na madrugada de 1º de novembro de 1961, durante a aproximação ao Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife, o avião desceu abaixo do nível mínimo de segurança. Às 2h12, colidiu contra a copa de uma árvore situada em uma colina, cerca de 2,7 quilómetros antes da cabeceira da pista 15. O impacto partiu a fuselagem em dois e provocou um incêndio de grandes proporções.
Das 88 pessoas a bordo, 45 perderam a vida — entre passageiros e tripulantes —, enquanto outras 43 conseguiram sobreviver, muitas delas com ferimentos graves.
Impato e operações de resgate
O acidente causou grande comoção em todo o Recife. Moradores das redondezas foram os primeiros a chegar ao local, enfrentando o terreno acidentado e a falta de iluminação para tentar resgatar as vítimas. Pouco depois, equipas de bombeiros, ambulâncias e militares conseguiram alcançar a área, mas encontraram grandes dificuldades de acesso.
Entre as vítimas estavam seis tripulantes, incluindo o comandante. Dois membros da tripulação sobreviveram: o comissário Elison Souto e a aeromoça Maria Margarida Carvalhosa, que relataram momentos de pânico logo após o impacto e a explosão que atingiu parte da aeronave.
Causas e lições do desastre
As investigações concluíram que a principal causa foi a descida prematura durante uma aproximação noturna, abaixo dos limites seguros de altitude. Contribuíram também deficiências na sinalização e nas comunicações de apoio à aterragem.
O acidente chamou a atenção das autoridades da aviação civil para a necessidade de reforçar os procedimentos de segurança nas fases de aproximação e pouso — especialmente em operações noturnas — e de melhorar a infraestrutura aeroportuária e de navegação aérea.
Mais de seis décadas depois, o desastre do Douglas DC-7C da Panair do Brasil continua sendo lembrado como um episódio doloroso, mas também como um marco que impulsionou avanços importantes na segurança da aviação comercial entre Portugal, Cabo Verde e o Brasil.
Cabo Verde24
Fontes:
Wikipédia: Artigo dedicado ao desastre do Douglas DC-7C (PP-PDO) do Voo da Amizade
Diário de Pernambuco
Fotos:
Wikipédia
Imprensa brasileira
Imagem da capa do artigo aprimorada com IA





































