“Nascido em Cabo Verde e criado em Portugal, o chef executivo do Prince de Galles conquistou os franceses no Top Chef 2025. Aos 35 anos, Claudio Semedo Borges persegue agora o sonho das três estrelas Michelin, sem nunca esquecer as raízes”
A história de Claudio Semedo Borges poderia ser a de muitos jovens da diáspora cabo-verdiana, mas o desfecho trocou os estádios pelas cozinhas de luxo. Aos 35 anos, este talento nascido na Praia, crescido em Portugal e amadurecido em França, é hoje uma das figuras centrais da nova vaga gastronómica de Paris.
Atualmente no comando da cozinha do histórico hotel Prince de Galles e ainda fresco na memória do público após uma participação marcante no Top Chef 2025, Claudio afirmou-se pela técnica irrepreensível e por uma calma imperturbável.
Do sonho da bola à realidade da cozinha
Claudio deixou Cabo Verde com apenas 9 anos rumo a Portugal. Durante a adolescência, o sonho, como o de tantos outros, corria nos relvados de futebol. A cozinha era um cenário distante.
A viragem deu-se aos 19 anos, quando decidiu emigrar para França. Longe da família e num país novo, o futebol ficou para trás. O que começou por necessidade transformou-se numa vocação: a determinação de “subir a pulso” levou-o a trocar as chuteiras pelas facas, mergulhando de cabeça numa das indústrias mais competitivas do mundo.
A escola da exigência: Le Bristol e o rigor Michelin
O percurso de Claudio foi talhado na elite. A sua formação não se fez em escolas teóricas, mas no “terreno” mais exigente possível. Uma das etapas decisivas foi a passagem pelo Épicure, o restaurante três estrelas Michelin do hotel Le Bristol. Ali, sob a tutela do lendário chef Éric Frechon, Claudio absorveu a gramática da alta cozinha francesa, onde o erro não é uma opção.
Seguiram-se passagens por casas de renome como o Les Climats e o L’Oiseau Blanc, onde consolidou a reputação de um cozinheiro meticuloso, contribuindo para a manutenção das estrelas Michelin nestes estabelecimentos.
O fenómeno Top Chef 2025
Em 2025, o chef aceitou o desafio de entrar na arena mediática. Na 16.ª temporada do Top Chef (M6), Claudio destacou-se entre 14 candidatos de elite.
Embora a sua jornada tenha terminado no 9.º episódio, a sua prestação foi amplamente elogiada. A serenidade em momentos de caos e o domínio técnico valeram-lhe o título oficioso de “talento em ascensão” e o respeito de um público que, até então, o conhecia apenas dos bastidores.
Prince de Galles: Fusão subtil e futuro
Desde 2023, Claudio ocupa uma posição de destaque no Prince de Galles, colaborando com o mediático chef Norbert Tarayre na liderança do restaurante 19.20. A sua assinatura no prato define-se pela elegância: uma base técnica clássica francesa enriquecida, de forma subtil, pelas suas origens. Não é uma cozinha temática, mas sim uma fusão onde a memória de Cabo Verde surge num tempero, na confecção de um peixe ou na hospitalidade calorosa.
Com a carreira consolidada em Paris e o reconhecimento televisivo, o chef não esconde a ambição final: conquistar, em nome próprio, as três estrelas Michelin. Para Claudio Semedo Borges, a viagem que começou nas ilhas está longe de terminar.
Caboverde24.info
Fontes:
CuizineAz
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