“País manifesta total apoio à Iniciativa Real de Marrocos para o Atlântico, visando transformar a região num hub logístico e económico de excelência”
O Governo de Cabo Verde reafirmou recentemente o seu apoio inequívoco à Iniciativa Real para o Atlântico, lançada pelo Rei Mohammed VI de Marrocos. Este posicionamento estratégico não se limita apenas à diplomacia política, mas estende-se a uma visão prática de integração económica, onde a conectividade portuária surge como o pilar fundamental para o desenvolvimento mútuo e a segurança regional.
A colaboração entre a cidade de Dakhla e os portos de Cabo Verde foi destacada como um passo essencial para criar um corredor comercial eficiente. Para o arquipélago, esta parceria representa uma oportunidade de ouro para potenciar a sua localização geográfica privilegiada e consolidar-se como uma porta de entrada estratégica para o Atlântico Médio.
O novo corredor logístico do Atlântico
A proposta de integração portuária visa facilitar o fluxo de mercadorias e pessoas, reduzindo custos operacionais e aumentando a competitividade dos produtos regionais. Marrocos, com o seu investimento massivo em infraestruturas como o porto de Dakhla Atlantique, oferece uma plataforma de complementaridade com os portos cabo-verdianos, especialmente no que toca ao abastecimento e à logística internacional.
Esta integração é vista como uma resposta direta aos desafios de isolamento que muitos países da costa ocidental africana enfrentam, permitindo que Cabo Verde beneficie da vasta experiência marroquina na gestão de grandes hubs marítimos e zonas francas industriais.
Pilares da integração Cabo Verde – Marrocos
Quem é a Iniciativa Real Atlântica?
Lançada pelo Rei Mohammed VI de Marrocos, a Iniciativa Atlântica é um projeto geopolítico e económico de larga escala que visa promover a cooperação entre os países da costa atlântica de África. O objetivo central é transformar este vasto espaço numa zona de paz, estabilidade e prosperidade partilhada.
Um dos pontos mais inovadores e ambiciosos desta iniciativa é a proposta de oferecer aos países encravados da região do Sahel (como Mali, Níger e Chade) um acesso direto e facilitado ao Oceano Atlântico através das infraestruturas portuárias e logísticas marroquinas. Para Cabo Verde, participar neste ecossistema significa inserir-se numa cadeia de valor que liga o coração de África aos mercados internacionais.
O impacto direto na economia de Cabo Verde
A integração com o eixo marroquino não é apenas uma questão de grandes navios de carga. Para o empresariado cabo-verdiano, a abertura desta rota facilita o acesso a materiais de construção, produtos agrícolas frescos e processados, e tecnologia de ponta em áreas como a dessalinização de água, onde Marrocos detém uma liderança global.
Além disso, a conectividade portuária reforçada pode transformar o Porto Grande de São Vicente e o Porto da Praia em escalas obrigatórias para as rotas que ligam o Atlântico Sul ao Mediterrâneo. Isto traduz-se na geração de receitas diretas através de taxas portuárias, serviços de reparação naval, bunkering e logística avançada, criando empregos qualificados para a juventude local.
Estabilidade e segurança regional
Além da vertente puramente económica, a aproximação estratégica entre Praia e Rabat fortalece a segurança coletiva no Atlântico. A cooperação militar, a vigilância costeira e a partilha de informações de inteligência são vitais para enfrentar ameaças transnacionais. Ao alinhar-se com esta visão africana e atlântica, Cabo Verde reforça o seu papel histórico de “Estado-ponte”, facilitando o diálogo e o comércio seguro entre África, Europa e as Américas.
Caboverde24.info
Fonte: Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde / Agência Maghreb Arabe Presse (MAP)





































