Cabo Verde: técnicos enfrentam montanhas de Santiago para proteger a garça-vermelha

“Equipas de conservação percorrem trilhos perigosos para garantir a sobrevivência de uma das aves mais raras do arquipélago”

A preservação da biodiversidade em Cabo Verde atingiu um novo patamar de exigência física e técnica. Na ilha de Santiago, grupos de especialistas e técnicos ambientais estão a realizar expedições regulares às zonas mais remotas e acidentadas para monitorizar a garça-vermelha (Ardea purpurea bournei). Esta subespécie, que não existe em mais nenhum lugar do mundo, sobrevive em colónias isoladas que exigem um esforço sobre-humano para serem alcançadas e protegidas.

​O desafio das montanhas de Santiago

​Para os técnicos que trabalham na conservação, o terreno é o maior adversário. As montanhas de Santiago são caracterizadas por declives acentuados, rocha vulcânica instável e uma vegetação densa em certas altitudes. O acesso aos locais de nidificação da garça-vermelha obriga, muitas vezes, a subidas íngremes transportando equipamento de precisão, como telescópios, drones para mapeamento e kits de anilhagem.

​O objetivo destas incursões é claro: realizar a contagem de indivíduos, identificar novos ninhos e avaliar o estado de saúde das crias. Em Cabo Verde, onde os recursos são limitados, este trabalho de campo é a linha da frente contra a extinção.

​Quem é a garça-vermelha de Cabo Verde?

​A Ardea purpurea bournei, endémica de Cabo Verde, é uma garça de tons purpúreos e acastanhados, adaptada ao clima semiárido e às montanhas de Santiago. Ao contrário de outras garças que preferem exclusivamente zonas húmidas planas, esta subespécie aprendeu a nidificar em falésias e árvores altas em vales profundos. Atualmente, é considerada uma das aves mais ameaçadas do Atlântico Médio, com uma população total que raramente ultrapassa algumas dezenas de casais reprodutores.

Ameaças no horizonte e a importância da água

​A sobrevivência desta ave em Cabo Verde está intrinsecamente ligada à gestão da água. A garça-vermelha depende de pequenas linhas de água e ribeiras para se alimentar. As secas severas que têm assolado o arquipélago reduzem drasticamente estas fontes de alimento, forçando as aves a abandonar os ninhos ou impedindo o desenvolvimento das crias.

​Além disso, a atividade humana, como a recolha de lenha e a agricultura de subsistência em zonas de encosta, reduz a disponibilidade de árvores adequadas para a nidificação, empurrando a espécie para zonas cada vez mais inacessíveis.

​Nota Editorial

​Este trabalho de campo demonstra o compromisso de Cabo Verde com as suas metas internacionais de proteção da natureza, apesar dos desafios logísticos e financeiros que o terreno impõe.

Caboverde24.info

Fonte: Relatórios de Monitorização de Biodiversidade de Cabo Verde

Imagem aprimorada com IA

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