“Investigação da publicação britânica e da firma de advogados Irwin Mitchell revela que o número de falecimentos subiu para sete; famílias de vítimas que estiveram no Sal unem-se em ação legal”
A presunta crise sanitária que tem estado sob o escrutínio internacional e que afeta o setor turístico em Cabo Verde atingiu hoje um novo e trágico patamar informativo. De acordo com informações avançadas pela revista britânica The Mirror, subiu para sete o número de cidadãos britânicos que perderam a vida após contraírem graves infeções gastrointestinais durante férias no arquipélago, especificamente na ilha do Sal. Este balanço atualiza drasticamente os dados que publicámos ontem e as informações que o Caboverde24.info tem acompanhado com rigor desde o início do ano.
As famílias das vítimas, que viajavam através da operadora TUI, estão agora a unir esforços legais através da prestigiada firma de advogados Irwin Mitchell. Entre os casos agora contabilizados estão Elena Walsh (64 anos), Karen Pooley (64 anos), Mark Ashley (55 anos) e um bombeiro reformado de 58 anos, cuja viúva quebrou o silêncio para relatar a agonia do marido após a estadia no hotel Riu Palace Santa Maria — unidade que já estava no centro do processo judicial de 5 milhões de libras noticiado pelo nosso jornal em fevereiro passado.
Cronologia da crise: Do alerta à confirmação das autoridades
A evolução deste surto tem sido marcada por alertas sucessivos e pela resposta das entidades locais para identificar a origem exata do problema, num percurso que o Caboverde24.info recapitula para os seus leitores:
- Agosto de 2025: Surgem os primeiros relatos de centenas de turistas britânicos com sintomas graves de diarreia e febre após estadias em resorts de luxo no Sal. O bombeiro reformado de 58 anos adoece apenas três dias após o check-in no hotel.
- Outubro de 2025: A Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) identifica mais de 150 casos de Shigella e Salmonella em viajantes regressados de Cabo Verde, emitindo um alerta sanitário.
- Novembro de 2025: Ocorrem várias mortes num curto intervalo de semanas, incluindo a do ex-bombeiro, que faleceu após três meses de deterioração física contínua já em solo britânico.
- Fevereiro de 2026: O nosso jornal noticia o avanço de um processo coletivo de 5 milhões de libras contra a TUI em Londres, envolvendo mais de 1.500 queixosos e relatos de alegada negligência no Riu Palace Santa Maria.
- Março de 2026 (Ontem): Publicámos a confirmação técnica de que as autoridades locais identificaram a bactéria Shigella na água de irrigação utilizada para produtos frescos fornecidos a algumas unidades hoteleiras.
- Hoje: O número oficial de mortes sob investigação sobe para sete, com o caso do bombeiro reformado a tornar-se o rosto desta batalha judicial noticiada pelo The Mirror.
Causa identificada: bactéria na água e alimentos
Conforme avançámos na edição de ontem, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificaram a causa técnica da propagação. A bactéria Shigella Sonnei foi detetada na água de irrigação utilizada para tratar produtos frescos destinados aos resorts, o que explica a contaminação sistémica na cadeia alimentar. Esta descoberta é fundamental para o processo judicial, pois estabelece um elo direto entre as condições de produção e o consumo final nos hotéis de cinco estrelas.
O Debate nas Redes Sociais: O Ceticismo da Opinião Pública
A par da gravidade dos factos relatados pela imprensa internacional, as redes sociais têm sido palco de um debate intenso. Ao pé de cada publicação que relata estes incidentes, multiplicam-se as observações e críticas de internautas que questionam a seletividade da doença. Muitos utilizadores perguntam como é possível que esta alegada crise sanitária afete quase exclusivamente turistas britânicos, enquanto visitantes de outras nacionalidades e a própria população local parecem não ser atingidos por um surto desta magnitude.
Estas críticas alimentam discussões sobre a suscetibilidade biológica a novas bactérias, diferenças nos hábitos de consumo ou até a cultura de litigância e pedidos de indemnização comum no mercado do Reino Unido. No entanto, para as famílias das vítimas e para os advogados da Irwin Mitchell, os laudos clínicos apresentados em tribunal são inequívocos e apontam para infeções bacterianas severas contraídas durante o período de férias.
O que esperar agora?
Cabo Verde já detetou a causa exata e as autoridades nacionais estão a trabalhar intensamente para mitigar os riscos e garantir a segurança sanitária através de uma fiscalização rigorosa dos fornecedores agrícolas. No entanto, a batalha agora desloca-se para o campo jurídico: o processo judicial coletivo no Reino Unido contra a operadora TUI ganha contornos muito mais severos com a inclusão de sete óbitos. A empresa deverá responder legalmente pelas falhas de segurança alimentar e pelo dever de cuidado. O Governo e o setor privado enfrentam agora a tarefa hercúlea de restaurar a transparência total para salvar a reputação do destino perante o mercado internacional e garantir que o turismo, motor da nossa economia, continue a ser sinónimo de qualidade e segurança.
Caboverde24.info
Fonte: The Mirror
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