“Dados da Adeco revelam que o consumo essencial no arquipélago já custa mais do que o dobro do salário mínimo do setor privado”
O custo de vida em Cabo Verde atingiu um patamar crítico, colocando o país numa posição alarmante no contexto continental. Segundo os dados do Índice de Consumo Essencial (ICE) divulgados esta semana pela Associação para a Defesa do Consumidor (Adeco), o arquipélago consolidou-se como o quarto país mais caro de África, com despesas básicas que superam largamente os rendimentos mínimos vigentes desde janeiro de 2025.
O choque dos números na Praia e no Sal
A monitorização da Adeco destaca que na capital, Cidade da Praia, um adulto saudável necessita de, pelo menos, 33.156 escudos para cobrir gastos com alimentação, habitação (T0), água, eletricidade, gás e comunicações. Este valor é drasticamente superior ao atual salário mínimo nacional do setor privado, fixado em 17.000 escudos, e mesmo ao da administração pública, que se situa nos 19.000 escudos.
Na ilha do Sal, o cenário é ainda mais pressionado pelo turismo, com o custo essencial a aproximar-se dos 35.000 escudos. Estes indicadores evidenciam que, mesmo com a atualização salarial ocorrida no início de 2025, o rendimento mínimo em nenhum dos grandes centros urbanos do país é suficiente para garantir uma sobrevivência digna sem privações severas.
Fatores de pressão e perda de poder de compra
Ao ocupar a quarta posição entre as nações africanas com o custo de vida mais elevado, Cabo Verde demonstra a extrema vulnerabilidade da sua economia insular. A Adeco aponta que a dependência de produtos importados e a inflação nos setores da energia e habitação são os principais motores desta escalada. Nos últimos anos, a perda de poder de compra acumulada não foi mitigada pelas atualizações salariais, criando um “défice de sobrevivência” mensal para milhares de trabalhadores.
Quem é a Adeco?
A Associação para a Defesa do Consumidor (Adeco) é a principal organização da sociedade civil em Cabo Verde dedicada à proteção dos direitos dos consumidores. Com sede em São Vicente e delegação na Praia, a Adeco monitoriza preços, presta assistência jurídica e influencia políticas públicas. O seu Índice de Consumo Essencial (ICE) é hoje a ferramenta mais fidedigna para medir o custo real de vida no arquipélago, refletindo a realidade quotidiana das famílias cabo-verdianas.
Reação e perspetivas futuras
Perante a gravidade dos dados, a pressão sobre o Governo e os parceiros sociais aumentou. Embora o salário mínimo tenha sido atualizado em 2025 para os valores atuais (17.000 e 19.000 CVE), a meta estabelecida na concertação social é atingir os 25.000 escudos até 2027. No entanto, para a Adeco, esta progressão poderá chegar tarde demais, dado que o custo de vida nas ilhas mais caras já ultrapassa essa meta em quase 10.000 escudos hoje.
Caboverde24.info
Fonte: Adeco







































