Avião da TAP arranha a pista em Roma e regressa de emergência a Fiumicino

“Um Airbus A320 com 20 anos de serviço sofreu um ‘tail strike’ durante a descolagem — as condições meteorológicas eram perfeitas, a investigação aponta para falha técnica ou humana.”

O que aconteceu na pista 25

​Na manhã de terça-feira, 19 de maio de 2026, às 09:40 UTC (11:40 hora local italiana), o voo TP831 da TAP Air Portugal iniciou a corrida de descolagem na pista 25 do aeroporto internacional Leonardo da Vinci, em Fiumicino, Roma, com destino a Lisboa.

​Durante a rotação — a fase em que o avião levanta o nariz para descolar — a parte posterior da fuselagem do Airbus A320, matrícula CS-TNX, tocou o asfalto da pista, arrastando-se por vários metros e deixando marcas visíveis no pavimento. Na aviação, este evento tem um nome técnico preciso: tail strike.

A bordo e a decisão do comandante

​A aeronave tinha a bordo seis membros de tripulação. O número exato de passageiros não foi divulgado, embora o avião possa acomodar até 174 pessoas. Após o contacto anómalo com a pista, o comandante decidiu não prosseguir a rota para Lisboa e ativou os procedimentos de regresso precaucional.

​O avião sobrevoou o Mar Tirreno e a zona de Civitavecchia, realizando manobras circulares para consumir o combustível em excesso — um procedimento técnico designado por fuel burn — e reduzir o peso da aeronave para valores seguros de aterragem. O regresso a Fiumicino ocorreu às 12:40, aproximadamente uma hora após o incidente. A aterragem decorreu sem quaisquer dificuldades adicionais.

​Não se registaram feridos entre passageiros e tripulação.

A aeronave: 20 anos ao serviço

O avião envolvido, com número de série de fabricante (MSN) 2822, saiu das linhas de montagem da Airbus em 2006, tendo portanto 20 anos de serviço ativo. Os motores são da família CFM56, um dos mais comuns e fiáveis da aviação comercial mundial.

As condições meteorológicas eram perfeitas

​Os dados METAR registados pela Aviation Safety Network para o aeroporto de Fiumicino no momento do incidente revelam um detalhe significativo: o tempo era excelente. Vento fraco de oeste a noroeste, entre 9 e 10 nós, visibilidade superior a 10 quilómetros, poucas nuvens a 4.500 pés e temperatura de 20 a 21 graus celsius.

​A meteorologia não foi fator de risco. Isso direciona a investigação para causas de natureza técnica ou operacional — entre as hipóteses em análise estão um eventual erro no cálculo das velocidades de descolagem ou uma distribuição não otimizada do peso a bordo, entre passageiros, bagagens e carga.

A classificação oficial: ARC

​A Aviation Safety Network, base de dados internacional gerada pela Flight Safety Foundation e que regista todos os incidentes da aviação civil mundial, classificou o evento na categoria ARC — Abnormal Runway Contact da ICAO, a organização da aviação civil das Nações Unidas. Esta é a designação técnica internacional para qualquer contacto anómalo entre uma aeronave e a pista, incluindo os tail strikes.

​O registo tem Confidence Rating verde — o nível mais elevado de fiabilidade — o que significa que a informação foi verificada diretamente junto das autoridades de investigação de acidentes.

A investigação italiana

​A Agência Nacional para a Segurança do Voo de Itália (ANSV) recebeu a notificação do evento e enviou um investigador a Fiumicino para recolher todas as evidências disponíveis. Numa nota inicial, a ANSV utilizou o termo “descarregou combustível”, tendo posteriormente corrigido para “consumiu combustível” — uma distinção relevante do ponto de vista ambiental, uma vez que o combustível não foi lançado sobre o mar mas sim queimado em voo de forma controlada.

​A TAP Air Portugal confirmou publicamente o incidente, declarando que “o voo TP831 de Roma para Lisboa registou um tail strike, ou seja, a cauda do avião tocou a pista durante a fase de descolagem. A aeronave regressou pouco depois ao aeroporto de partida para permitir as verificações necessárias, aterrando em segurança.”

O que é um tail strike e porque obriga a inspeção obrigatória

​Um tail strike ocorre quando a parte traseira da fuselagem toca o solo durante a descolagem ou a aterragem. Embora possa parecer um incidente menor, as consequências estruturais podem ser graves: a zona posterior da fuselagem está sujeita a pressurização constante durante o voo, e qualquer dano — mesmo invisível a olho nu — pode comprometer a integridade da aeronave em operações futuras.

​Por protocolo internacional, qualquer avião que sofra este tipo de evento é obrigatoriamente retirado de serviço para inspeção técnica aprofundada antes de voltar a operar. A extensão dos danos ao CS-TNX estava ainda classificada como “desconhecida” no momento em que este artigo foi publicado.

A TAP e a ligação a Cabo Verde

​Este incidente envolve a TAP Air Portugal, companhia que mantém uma relação histórica e operacional muito próxima com Cabo Verde. A TAP opera voos regulares entre Lisboa e o Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, sendo um dos principais elos de ligação entre o arquipélago e a Europa. Para milhares de cabo-verdianos residentes em Portugal e em Itália, a TAP é frequentemente a companhia de referência nas viagens entre os dois continentes.

Recordamos que…

O voo TP831 faz a rota Roma–Lisboa diariamente. O Airbus A320 CS-TNX foi fabricado em 2006 e tinha 20 anos de serviço à data do incidente. A investigação da ANSV está em curso e as causas do tail strike permanecem por determinar. Nenhum ocupante sofreu ferimentos.

Caboverde24.info

Fonte: Aviation Safety Network / ANSV — Agenzia Nazionale per la Sicurezza del Volo / TAP Air Portugal (comunicado oficial)

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