“A Federação Cabo-verdiana de Futebol reagiu publicamente depois de imagens do empresário guineense com jogadores da seleção circularem nas redes sociais”
Um gesto que gerou polémica
No rescaldo della vitória de Cabo Verde sobre a Sérvia por 3-0, num jogo de preparação para o Mundial 2026 disputado no Estádio do Restelo, em Lisboa, a 31 de maio, o empresário guineense Manjuco Vié entregou bonés personalizados com os nomes dos jogadores da seleção nacional.
As imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais — incluindo a própria página de Instagram do empresário, onde é possível ver uma galeria fotográfica com jogadores cabo-verdianos a usar os bonés — e chegaram ao conhecimento da Federação Cabo-verdiana de Futebol, que decidiu reagir com um comunicado público.
O comunicado da FCF
A 7 de junho de 2026, a página oficial da Federação Cabo-verdiana de Futebol no Facebook publicou um comunicado em que afirma ter tomado conhecimento de que marcas estariam a usar o bom nome da instituição e da Seleção Nacional para se autopromoverem como parceiras, classificando essa prática como contrária à verdade.
No mesmo texto, a FCF é direta: a federação não é parceira nem patrocinada pela marca de vestuário Manjuco Vié. O comunicado termina com um apelo formal a marcas nacionais e internacionais para que evitem usar o nome da FCF, da Seleção Nacional e os respetivos símbolos — sob pena de processos judiciais.
A versão de Manjuco Vié
O empresário respondeu também pelas redes sociais, rejeitando qualquer intenção de criar uma associação institucional não autorizada. Segundo Manjuco Vié, os bonés foram personalizados com os nomes dos jogadores a título individual — e não produzidos em nome da federação. A entrega foi descrita como um gesto de apoio e reconhecimento pessoal, motivado por relações de proximidade com alguns atletas e pelo seu interesse genuíno pelo futebol africano.
Em declarações à revista Bantumen, o empresário sintetizou a sua posição: a sua ligação aos jogadores é humana, não institucional.
Quem é Manjuco Vié?
Manjuco Dabó, conhecido publicamente como Manjuco Vié, é um empresário guineense de origem senegalesa que cresceu no Bairro 6 de Maio, na Amadora, em Portugal. É fundador e diretor criativo da Steasy, marca de vestuário urbano com loja em Agualva-Cacém, na linha de Sintra. No Instagram, onde conta com 28,2 mil seguidores sob o perfil @manjucovie, apresenta-se como empreendedor ligado ao desporto e ao mundo artístico, com uma presença internacional documentada em dezenas de países.
A marca veste artistas e futebolistas de renome internacional, entre os quais Rafael Leão, Sadio Mané, Nelson Semedo e Ronaldinho Gaúcho. Em 2024, foi nomeado uma das personalidades mais influentes da lusofonia pela Powerlist 100 da Bantumen.
Nas suas redes sociais é possível encontrar um historial de gestos semelhantes junto de seleções africanas, incluindo em contextos de CAN, com iniciativas ligadas a atletas de Angola, Senegal, Camarões, Nigéria, Moçambique e Cabo Verde.
O momento que amplificou tudo
O episódio ganhou uma dimensão que dificilmente teria noutro contexto. Cabo Verde prepara-se para disputar o seu primeiro Campeonato do Mundo, integrado no Grupo H com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Num momento em que qualquer movimento em torno da Seleção Nacional gera atenção redobrada, a FCF parece determinada a deixar claro que a marca “Tubarões Azuis” tem dono — e que a sua associação comercial não autorizada terá consequências.
A questão levantada vai além deste caso concreto: num contexto de exposição global sem precedentes para o futebol cabo-verdiano, a gestão dos direitos de imagem da seleção torna-se um tema estrutural que o Mundial 2026 traz definitivamente para a agenda.
Nota editorial: No comunicado oficial, a FCF utiliza a grafia “Manjuco Vie”, sem acento. O nome comercial correto da marca é Manjuco Vié, com acento, conforme a própria identidade da empresa.
Recordamos que…
A vitória por 3-0 sobre a Sérvia, no Estádio do Restelo em Lisboa, integrou a fase de preparação dos Tubarões Azuis para o seu primeiro Mundial, que se realiza nos Estados Unidos em junho e julho de 2026. O desentendimento público entre a FCF e o criador da marca Steasy, Manjuco Vié, expõe a crescente necessidade de regulamentação comercial e proteção de imagem que acompanha a inédita caminhada da nossa seleção nacional rumo ao palco mundialista.
Caboverde24.info
Fonte: Federação Cabo-verdiana de Futebol – Página e fotos Instagram Manjucovie

































