“Se morrermos, morreremos juntos”, disse Svetlana Grković ao segurar as pernas do marido durante os minutos de terror a bordo do voo FR1879″
O incidente em pleno voo
Um incidente ocorrido na sexta-feira passada a bordo de um voo da Ryanair entre Salónica, na Grécia, e Memmingen, na Alemanha, voltou a colocar em evidência os riscos da despressurização em pleno voo — e a importância de regras de segurança que também dizem respeito aos passageiros cabo-verdianos que viajam com frequência em companhias low-cost pela Europa.
Pouco depois da descolagem, um fragmento do motor direito da aeronave, um Boeing 737-800 de cerca de 18 anos de operação comercial gerido pela Malta Air (subsidiária da Ryanair), atingiu e partiu um dos vidros da cabine. O passageiro sentado junto à janela, o sérvio Ljubiša Karović, de 61 anos de idade, foi parcialmente sugado para o exterior, ficando com a cabeça e parte do tronco fora da fuselagem durante vários minutos, a cerca de 6 mil metros de altitude.
A reação da esposa e a corrente humana
Svetlana Grković, esposa de Karović, agarrou-lhe as pernas no instante exato em que percebeu o que estava a acontecer. Ao portal sérvio Nova, descreveu o momento como o mais aterrador da sua vida, tendo pensado que, se ambos morressem, morreriam juntos.
Foi prontamente ajudada por outros passageiros e por membros da tripulação de cabine, que formaram uma verdadeira corrente humana até conseguirem puxar o marido de volta para dentro da cabine de passageiros. Segundo relatos técnicos pós-incidente, o facto de Karović manter o cinto de segurança devidamente apertado foi decisivo para evitar que fosse completamente arrastado para fora do avião.
Estado atual do passageiro
Karović permanece hospitalizado sob cuidados médicos, com queimaduras por atrito, uma mão gravemente ferida e em estado de choque pós-traumático. Segundo a sua mulher, ele ainda não está em condições de comunicar e não se lembra dos detalhes do que aconteceu. A aeronave regressou ao Aeroporto de Salónica pouco depois da descolagem e efetuou uma aterragem de emergência bem-sucedida, sem registo de mais feridos a bordo.
A ligação a Cabo Verde
O caso reacende um debate técnico que também interessa diretamente a Cabo Verde: a segurança em voos operados por companhias low-cost e a importância crítica de normas básicas de voo, como manter o cinto de segurança apertado mesmo com o sinal luminoso desligado.
Com o aumento contínuo do fluxo de passageiros cabo-verdianos rumo à Europa — visivelmente intensificado pela exposição internacional gerada pelo Mundial 2026 — cresce também a exposição da nossa diáspora a este tipo de companhias aéreas, muitas vezes escolhidas pelo preço mais competitivo. O episódio serve de alerta prático para os viajantes, sem que isso signifique qualquer ligação direta entre a idade das aeronaves e a segurança global do setor, matéria técnica que cabe estritamente às autoridades de aviação civil avaliar.
Nota editorial:
A causa exata do incidente ainda está sob ativa investigação pela autoridade helénica de segurança aérea e ferroviária. A Ryanair confirmou apenas que um vidro se soltou em pleno voo, sem adiantar conclusões definitivas sobre a origem da avaria mecânica.
Recordamos que…
o grave incidente ocorreu no dia 10 de julho de 2026, num voo europeu entre a Grécia e a Alemanha, e continua sob estreita investigação pelas autoridades aeronáuticas internacionais, com os dados clínicos e periciais a serem acompanhados com total atenção nesta terça-feira, 14 de julho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: BBC























