“Regulador aponta queda de 4% nas ligações à internet no primeiro trimestre de 2026, mas os números mostram que o satélite ainda pesa muito pouco no mercado”
O que dizem os números oficiais
Quando se fala em quebra de assinantes de internet e chegada da Starlink ao arquipélago, é tentador juntar as duas coisas. Mas os dados oficiais mais recentes contam uma história diferente.
Segundo o Relatório de Indicadores Estatísticos do Mercado das Comunicações Eletrónicas, Cabo Verde fechou março de 2026 com 511.702 assinaturas de acesso à internet, entre serviços móveis e fixos. Face ao mesmo trimestre de 2025, é uma queda de 4%. Em relação ao trimestre anterior (4.º de 2025), houve mesmo um ligeiro crescimento de 1%.
Starlink: presença real, mas ainda residual
É aqui que a explicação mais óbvia falha. A Starlink, serviço de internet por satélite que tem vindo a expandir-se em várias ilhas, detém apenas 0,64% do mercado de internet em Cabo Verde. É uma fatia demasiado pequena para justificar, sozinha, uma queda de milhares de assinaturas noutros operadores.
O que explica então a queda: fixa cresce, móvel recua
A resposta está na banda larga móvel. Os acessos à internet através da rede móvel — de longe a forma mais comum de ligação no país, com 86% do total — recuaram 16,4% em termos homólogos. É essa quebra que arrasta o total para baixo, apesar de a internet fixa ter crescido 12,9% no mesmo período.
Os operadores tradicionais continuam a dominar: a Unitel T+ representa 27,3% das assinaturas de internet e 32% dos cartões móveis ativos, enquanto a CVTelecom mantém quase todo o segmento de telefonia fixa (99,3%). O mercado móvel em geral cresceu ligeiramente (+0,2% em cartões SIM ativos), o que reforça que a explicação não está na perda de clientes para outro operador de telemóvel, mas sim numa redução dos acessos à internet através do telemóvel especificamente.
O contraste entre os dois segmentos é o dado mais relevante para perceber a tendência: enquanto mais lares e empresas em Cabo Verde optam por ligações fixas — possivelmente por maior estabilidade e velocidade —, uma parte dos utilizadores parece estar a reduzir ou a deixar de contratar pacotes de dados móveis, ainda que continuem com o telemóvel ativo para chamadas e SMS.
Nota editorial
a Starlink opera em Cabo Verde através de internet por satélite, uma tecnologia que dispensa infraestrutura de cabos ou torres locais, mas que continua a ter um custo de adesão superior ao dos serviços móveis tradicionais, o que ajuda a explicar a sua quota ainda marginal.
Caboverde24.info
Fonte: ARME – Agência Reguladora Multissetorial da Economia































