“Tablets e impressoras móveis permitem vender jogos sociais nas ruas, praias e mercados de Cabo Verde”
A Cruz Vermelha de Cabo Verde apresentou esta quarta-feira uma nova fase da sua estratégia comercial que visa ampliar a distribuição de jogos sociais no arquipélago. O modelo, denominado “Vendedor Ambulante”, permite levar as apostas de totoloto, Joker e loteria nacional diretamente aos espaços públicos — campos de futebol, praias, mercados e ruas — através de agentes credenciados equipados com tecnologia móvel.
A iniciativa representa uma evolução no processo de modernização dos Jogos CVCV que a instituição iniciou há aproximadamente dois anos. Responde a uma estratégia de ampliar o acesso aos jogos e facilitar a participação de públicos que, até agora, encontravam barreiras geográficas ou logísticas para participar nas apostas.
O novo modelo em números
A expansão será gradual e controlada. Segundo a Cruz Vermelha de Cabo Verde, a rede conta atualmente com 112 agentes, sendo que mais de 20 já manifestaram interesse em aderir ao novo formato. José Carlos Cunha, administrador executivo da Casa de Jogos da Cruz Vermelha, garantiu que a adesão será exclusiva para agentes já autorizados pela instituição, reforçando o controlo regulatório sobre a operação.
Os agentes selecionados receberão equipamento específico: um tablet e uma impressora móvel. Esta combinação tecnológica permite que o vendedor ambulante processe apostas e emita comprovantes em tempo real, sem necessidade de retorno a um ponto fixo. O modelo complementa a rede de lojas existentes em vez de a substituir.
Modernização como estratégia de sustentabilidade
A Cruz Vermelha de Cabo Verde explora os jogos sociais desde 1977, quando recebeu a concessão da Lotaria Nacional. Vinte anos depois foi encarregada também da gestão do Totoloto e Joker. Em 2020, o Governo cabo-verdiano renovou a concessão por 20 anos, solidificando o mandato institucional até 2040.
Contudo, este mandato não é automático em termos de receita. A instituição enfrenta pressões conhecidas: migração digital (apostas online foram lançadas em maio de 2024) e envelhecimento da base de clientes de lojas físicas. O modelo ambulante é uma resposta direta a estes desafios.
Segundo Cunha, a iniciativa “deverá contribuir para aumentar os rendimentos”, reconhecendo que a estrutura de distribuição tradicional necessita de complementos estratégicos. Uma campanha publicitária será lançada nas ruas e transportes públicos para sensibilizar a população sobre o novo serviço.
Quem é a Cruz Vermelha de Cabo Verde?
A Cruz Vermelha de Cabo Verde é uma organização humanitária que integra o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Além de atividades de assistência social, promoção de saúde e resposta a desastres, a instituição gere os jogos sociais como uma fonte de financiamento essencial para as suas operações. A receita gerada pelos jogos permite que a organização mantenha programas de saúde pública, assistência a populações vulneráveis e resposta a crises humanitárias em Cabo Verde.
Campanha e expectativas
A apresentação do modelo inclui um plano de comunicação visual. Autocarros e espaços públicos receberão publicidade nos próximos dias, com a intenção de criar familiaridade com a nova figura do “vendedor ambulante” na paisagem urbana e rural cabo-verdiana.
A regulamentação foi clara: apenas agentes formalmente credenciados poderão aderir. Isto evita a proliferação de vendedores informais e protege a integridade do sistema de apostas. José Carlos Cunha sublinhou que “não é qualquer pessoa que vai vender jogos; têm que ser pessoas credenciadas”.
Contexto mais amplo: modernização digital
Este movimento insere-se numa tendência mais larga de digitalização dos Jogos CVCV. A plataforma online lançada em maio de 2024 permitiu apostas de qualquer local com acesso à internet. O modelo ambulante agora oferece uma solução complementar: conveniência e proximidade geográfica, reforçando a estratégia multicanal da instituição.
Caboverde24.info
Fonte: Agência Lusa / Cruz Vermelha de Cabo Verde
Nota editorial
O modelo de vendedor ambulante garante que a distribuição de jogos sociais permanece como atividade regulada e com impacto social direto. A diferença entre operação formalizada e informal é crucial em contextos de economia de rua, particularmente em mercados de apostas.































