“Em 1957, o Snow Bird, um dirigível militar da Marinha dos Estados Unidos, realizou um extraordinário voo de longa duração: atravessou duas vezes o Atlântico sem aterrar nem reabastecer. Durante a missão, passou pelas ilhas de Cabo Verde antes de iniciar a travessia de regresso às Américas.”
Em 30 segundos
- 🎈 Tratou-se de um voo de longa duração realizado por um dirigível militar, e não por um avião convencional.
- ⏱️ O Snow Bird permaneceu 264 horas e 12 minutos consecutivos no ar, pouco mais de 11 dias.
- 🇨🇻 Durante a histórica viagem, o dirigível passou pelas ilhas de Cabo Verde.
- 🌍 A missão incluiu duas travessias do Atlântico.
- ⛽ As 9.448 milhas, cerca de 15.205 quilómetros, foram percorridas sem reabastecimento.
Há quase 70 anos, uma aeronave muito diferente dos aviões que hoje cruzam diariamente o Atlântico realizou uma viagem extraordinária que também passou por Cabo Verde.
Era o Snow Bird, um dirigível não rígido ZPG-2 da Marinha dos Estados Unidos, uma aeronave mais leve que o ar, concebida numa época em que os militares norte-americanos ainda utilizavam grandes dirigíveis para missões de patrulha e vigilância.
Na noite de 4 de março de 1957, o Snow Bird levantou voo da Naval Air Station South Weymouth, no Massachusetts. Só voltaria a tocar o solo 11 dias depois.
Dos Estados Unidos até Cabo Verde
Comandado por Jack R. Hunt, o dirigível atravessou primeiro o Atlântico em direção à Europa.
Depois de alcançar a costa portuguesa, prosseguiu para sul, passando pela região de Casablanca, em Marrocos. A viagem continuou ao largo da costa africana.
Em 9 de março, após cerca de cinco dias consecutivos no ar, o Snow Bird chegou à região das ilhas de Cabo Verde, segundo o relato histórico da Naval Air Development Unit.
A passagem pelo arquipélago marcava uma etapa importante da enorme rota: a partir desta região, o dirigível rumaria para oeste e enfrentaria novamente o Atlântico, desta vez em direção às Caraíbas.
Um voo pensado ao detalhe
Manter uma aeronave daquele tipo no ar durante tantos dias exigia uma preparação minuciosa.
O consumo de combustível tinha sido cuidadosamente calculado e a carga transportada controlada para evitar peso desnecessário. Meteorologia, comunicações e navegação também eram fundamentais para determinar se a missão poderia continuar.
E havia uma razão: o objetivo era testar até onde poderia chegar a autonomia do ZPG-2.
O Snow Bird não estava a realizar um voo comercial nem uma simples viagem entre dois pontos. Tratava-se de um voo militar experimental e de demonstração de longa duração, destinado a avaliar e demonstrar a capacidade de permanência no ar de um dirigível deste tipo.
De Cabo Verde novamente através do Atlântico
Depois de passar pelas ilhas de Cabo Verde, o Snow Bird virou para oeste.
Começava assim a sua segunda travessia do Atlântico na mesma viagem, sempre sem aterrar nem receber combustível.
O dirigível atravessou uma enorme extensão de oceano em direção às Caraíbas e posteriormente aos Estados Unidos.
Em 13 de março, ainda em voo, superou o anterior recorde de duração sem reabastecimento estabelecido por outro ZPG-2. No mesmo dia, ultrapassou também a marca de distância que tinha sido estabelecida pelo célebre dirigível alemão Graf Zeppelin.
Mas a viagem ainda não tinha terminado.
Mais de 15 mil quilómetros sem reabastecer
Em 15 de março de 1957, o Snow Bird finalmente aterrou na Naval Air Station Key West, na Florida.
Os números registados pela história oficial da aviação naval norte-americana ajudam a perceber a dimensão do feito:
264 horas e 12 minutos consecutivos no ar.
Ou seja, 11 dias e 12 minutos.
A distância total percorrida foi de 9.448 milhas terrestres, aproximadamente 15.205 quilómetros, sem reabastecimento.
A aeronave tinha partido do Massachusetts, atravessado o Atlântico até à Europa, seguido em direção à costa africana e a Cabo Verde, atravessado novamente o oceano e terminado a viagem na Florida.
Tudo num único voo.
A Marinha dos Estados Unidos registou a missão como um novo recorde mundial de distância e duração para aquele tipo de voo.
O reconhecimento chegou à Casa Branca
O feito tornou o comandante Jack R. Hunt um dos nomes ligados à história dos grandes dirigíveis norte-americanos.
Hunt recebeu o Harmon International Trophy for Aeronauts pelo voo do Snow Bird. O prémio foi entregue pelo então presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower.
Décadas depois, a memória daquela viagem continua preservada.
A secção da cabine do Snow Bird faz atualmente parte da coleção do National Naval Aviation Museum, em Pensacola, na Florida, onde o museu recorda as 264,2 horas consecutivas de voo e as 9.448 milhas percorridas sem reabastecimento.
Cabo Verde numa viagem histórica
Cabo Verde foi uma etapa de uma rota muito maior, mas a sua presença no percurso coloca o arquipélago na geografia de um episódio singular da história da aviação.
Na noite de 9 de março de 1957, depois de cinco dias no ar, o Snow Bird passou pelas ilhas e seguiu em direção às Caraíbas.
Não aterrou em Cabo Verde.
Não reabasteceu.
Continuou simplesmente para oeste, sobre o Atlântico.
Quando finalmente tocou o solo na Florida, seis dias mais tarde, tinha completado uma viagem de mais de 15 mil quilómetros e passado mais de 264 horas consecutivas no céu.
Uma viagem que entrou para a história — e cuja rota passou por Cabo Verde.
Caboverde24.info
Fontes e foto: U.S. Naval History and Heritage Command; National Naval Aviation Museum; registos históricos da Naval Air Development Unit; MigFlug.



























