Comida sobra nos mercados: como evitar que alimentos ainda bons acabem no lixo

Em 30 segundos

​🥬 Nos mercados, produtos frescos podem ficar sem comprador e deteriorar-se rapidamente.

​🤝 Comerciantes ouvidos na Praia dizem estar disponíveis para entregar alimentos ainda aproveitáveis.

​🚚 O principal desafio está em organizar recolha, transporte, conservação e distribuição.

​✅ Apenas produtos seguros e próprios para consumo poderiam ser reaproveitados.

Quando o que não se vende ainda pode ser aproveitado

​Ao final do dia, frutas e legumes que não foram vendidos entram numa corrida contra o tempo.

​Alguns produtos acabam destinados à alimentação animal. Outros deterioram-se ou são descartados.

​Numa reportagem realizada nos mercados da Praia, comerciantes disseram que parte desses excedentes poderia ser entregue gratuitamente se existisse um sistema regular de recolha.

​O ponto é importante: não se trata de distribuir alimentos estragados, mas de identificar a tempo produtos que continuam em condições de consumo e encaminhá-los antes de se perderem.

Entre a banca e uma família há uma operação logística

​A disponibilidade dos comerciantes, por si só, não resolve o problema.

​Um sistema de reaproveitamento precisa de horários definidos de recolha, transporte, triagem, condições adequadas de conservação e entidades capazes de fazer chegar rapidamente os produtos ao destino.

​É provavelmente neste percurso que está o principal desafio.

​Fruta e legumes frescos têm uma vida útil curta, sobretudo com temperaturas elevadas. Se a recolha acontecer demasiado tarde ou não houver condições de transporte e armazenamento, aquilo que poderia ser aproveitado deixa rapidamente de ser seguro.

Segurança alimentar é indispensável

​Qualquer solução teria de colocar a segurança dos consumidores em primeiro lugar.

​Os produtos recolhidos precisariam de ser avaliados e separados, excluindo tudo o que já apresentasse sinais de deterioração ou risco para consumo humano.

​Por isso, um eventual programa não deveria ser entendido simplesmente como “dar as sobras”.

​Seria necessário criar um circuito organizado e controlado, com responsabilidades claras desde a banca do mercado até à entidade responsável pela distribuição.

Um problema com impacto social

​A questão ganha outra dimensão quando comparada com a realidade alimentar do país.

​O Plano de Ação para a Segurança Alimentar e Nutricional 2026–2030 indica uma prevalência de 32,3% de insegurança alimentar moderada e grave, com base nos dados nacionais de 2024.

​O mesmo plano prevê maior articulação entre instituições públicas, municípios, organizações sociais e setor privado, além do reforço de infraestruturas de comercialização, pós-colheita e logística.

​O reaproveitamento dos excedentes dos mercados encaixa precisamente nessa lógica: reduzir perdas e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade de resposta social.

Começar por um mercado pode ser suficiente

​Não seria necessário criar de imediato um sistema nacional complexo.

​Uma experiência-piloto poderia começar num mercado: comerciantes interessados separam os produtos ainda próprios para consumo, uma entidade faz a recolha num horário definido e organizações credenciadas asseguram a entrega.

​Depois seria possível medir quanto alimento foi recuperado, quantas famílias foram alcançadas, quais os custos e quais os problemas sanitários ou logísticos encontrados.

​Há já três elementos importantes: alimentos que sobram, comerciantes disponíveis para colaborar e pessoas que poderiam beneficiar desses produtos.

​O desafio está em criar uma ponte segura e regular entre eles, antes que alimentos ainda aproveitáveis acabem efetivamente transformados em resíduos.

Caboverde24.info

Fonte: Inforpress — reportagem sobre desperdício e reaproveitamento de alimentos nos mercados cabo-verdianos, 15 de setembro de 2026.

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