Anomalias na Internet em Cabo Verde terão durado mais de nove dias, segundo monitorização internacional

Em 30 segundos

🌐 Novas análises baseadas em dados internacionais apontam para cerca de 9,4 a 9,5 dias de anomalias na conectividade em Cabo Verde.

📉 Diferentes indicadores registaram quedas significativas, incluindo um sinal indireto que chegou a apresentar uma redução próxima de 90% face ao pico observado.

🔄 Em 24 de setembro, os dados então disponíveis indicavam uma normalização; as leituras posteriores prolongaram sucessivamente o período observado.

❓ As medições mostram alterações técnicas, mas não permitem determinar quantos utilizadores foram afetados nem esclarecer, por si só, a causa.

De dois dias e meio para mais de nove dias

A dimensão das anomalias registadas na conectividade à Internet em Cabo Verde continua a ser revista à medida que são processados novos dados de monitorização internacional.

O Telecom Observer, que publica análises automáticas baseadas em sinais de monitorização como os disponibilizados pelo Internet Outage Detection and Analysis (IODA), divulgou esta quinta-feira, 1 de outubro, novas leituras que prolongam para mais de nove dias a janela de anomalias observada a partir de 21 de setembro.

Uma das análises situa o período entre aproximadamente 14h40 UTC de 21 de setembro e 02h30 UTC de 1 de outubro, cerca de 9,5 dias.

Outra publicação divulgada também em 1 de outubro termina a janela aproximadamente duas horas antes, às 00h30 UTC, calculando cerca de 9,4 dias.

As diferenças são pequenas, mas relevantes para compreender a natureza destes dados: estamos perante sistemas automáticos que analisam diferentes sinais técnicos e cujas leituras podem ser revistas à medida que chegam novas observações.

Em 24 de setembro parecia ter terminado

Esta evolução merece ser explicada aos leitores do Caboverde24.info.

Quando abordámos o assunto em 24 de setembro, a atualização disponível naquele momento indicava que os indicadores tinham regressado aos níveis habituais por volta das 02h30 UTC daquele dia, depois de mais de dois dias de anomalia.

Nos dias seguintes foram publicadas novas leituras que prolongaram sucessivamente o período observado. As análises mais recentes colocam agora o final da janela já em 1 de outubro.

Por isso, os mais de nove dias devem ser entendidos como a leitura atual destes sistemas de monitorização, e não como prova de que todos os utilizadores ou todas as redes de Cabo Verde permaneceram continuamente afetados durante esse período.

Quedas diferentes conforme o indicador

As análises utilizam vários sinais técnicos, que não apresentam exatamente o mesmo comportamento.

O denominado ping-slash24, utilizado para observar a capacidade de alcançar blocos ativos de endereços IPv4, registou numa das leituras uma redução próxima de 12%.

Outro indicador, o gtr-norm, baseado no tráfego dirigido aos serviços da Google, apresentou quedas de cerca de 23% e 16%, conforme a análise considerada.

Há ainda um número muito mais expressivo.

O sinal merit-nt chegou a apresentar uma redução próxima de 90% relativamente ao pico observado.

Mas este número não significa que 90% dos utilizadores tenham perdido a Internet.

Trata-se de um indicador indireto baseado em tráfego observado por um network telescope, incluindo o chamado backscatter. É um sinal particularmente variável e útil para identificar alterações no comportamento das redes, mas não mede diretamente o número de clientes ligados ou desligados.

Transformar essa queda de 90% numa estimativa da população sem acesso à Internet seria, portanto, incorreto.

E o BGP?

A nível agregado nacional, ambas as análises apresentam o sinal BGP como estável ao longo de todo o período.

O BGP é o sistema utilizado pelas redes para anunciar as rotas através das quais o tráfego circula na Internet.

Mas estabilidade num indicador nacional agregado não significa necessariamente ausência de perturbações localizadas ou temporárias.

O próprio IODA registou, por exemplo, um alerta crítico relacionado com o BGP em São Vicente, a 24 de setembro, às 21h40 UTC.

Não existe necessariamente contradição entre estes dados. Uma medição agregada à escala nacional pode permanecer estável enquanto são registadas alterações localizadas ou de curta duração numa determinada zona ou rede.

Os diferentes sinais observam dimensões distintas do funcionamento da Internet. Nenhum deles, isoladamente, permite reconstruir toda a experiência dos utilizadores.

Não significa nove dias sem Internet

Esta é a distinção fundamental.

Os dados disponíveis não demonstram que Cabo Verde tenha permanecido mais de nove dias sem Internet.

Mostram alterações significativas e persistentes em vários indicadores técnicos associados à conectividade do país.

Também não permitem determinar, sem dados adicionais dos operadores, quantos clientes foram afetados, em que ilhas, durante quanto tempo ou com que intensidade.

As diferenças entre as próprias análises publicadas no mesmo dia reforçam a necessidade de evitar conclusões absolutas.

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Continua a faltar a explicação principal

Há, contudo, uma questão que permanece desde que o Caboverde24.info começou a acompanhar estas anomalias: o que aconteceu à conectividade cabo-verdiana durante este período?

As medições internacionais conseguem identificar alterações no comportamento das redes, mas não estabelecem, por si só, a causa.

Não permitem concluir se esteve em causa uma avaria, manutenção, capacidade internacional, infraestrutura submarina, energia ou qualquer outro problema específico.

Depois de mais de uma semana de anomalias detetadas e de sucessivas revisões das medições, um esclarecimento técnico dos operadores ou das entidades responsáveis pelo setor permitiria perceber melhor o que efetivamente aconteceu, quais redes e serviços foram afetados e se as diferentes alterações registadas fizeram parte do mesmo episódio.

Caboverde24.info

Fonte: dados do Internet Outage Detection and Analysis (IODA) e análises publicadas pelo Telecom Observer

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