Incidentes violentos e fogueiras nas ruas marcam protestos estudantis em França

Em 30 segundos

🔥 Bloqueios de liceus foram acompanhados por incêndios e confrontos em várias cidades.

🚨 Em Marselha, responsáveis de uma escola foram agredidos e atingidos com gasolina.

🏫 Em Nantes, um incêndio atingiu o liceu Nelson Mandela.

🇫🇷 A mobilização, inicialmente centrada nas condições de ensino, está a ganhar dimensão nacional.

Bloqueios, barricadas e incêndios

A mobilização dos estudantes do ensino secundário em França entrou numa fase de forte tensão, com bloqueios de estabelecimentos, incêndios, confrontos com a polícia e episódios graves de violência em diferentes pontos do país.

As manifestações começaram sobretudo em protesto contra a falta de professores e outros funcionários, turmas sobrelotadas, degradação das instalações escolares e cortes previstos na despesa pública.

Nos últimos dias, porém, alguns dos bloqueios foram acompanhados por atos de vandalismo e violência.

Em várias cidades, contentores do lixo e outros objetos utilizados para impedir o acesso aos estabelecimentos foram incendiados, obrigando à intervenção de bombeiros e forças de segurança.

O vídeo mostra a dimensão da tensão

O vídeo que acompanha este artigo mostra barricadas e objetos em chamas junto a estabelecimentos de ensino, numa imagem que ilustra a tensão vivida durante esta vaga de protestos.

As autoridades francesas distinguem, contudo, entre os estudantes envolvidos nas reivindicações e grupos ou indivíduos que aproveitam as concentrações para provocar distúrbios.

Marselha: responsáveis escolares atingidos com gasolina

Um dos episódios mais graves ocorreu esta quinta-feira, 1 de outubro, em Marselha.

No liceu Victor Hugo, o diretor, o vice-diretor, a secretária-geral e outro responsável do estabelecimento foram agredidos no interior da escola e atingidos com gasolina.

Também em Marselha, um veículo dos bombeiros foi cercado e incendiado nas proximidades de outro estabelecimento escolar.

Os acontecimentos levaram as autoridades a reforçar a intervenção policial e contribuíram para a convocação de uma reunião de crise pelo Governo francês.

Incêndio num liceu de Nantes

Também em Nantes foi registado um incidente de particular gravidade.

Um incêndio considerado intencional atingiu o liceu Nelson Mandela e destruiu parte do átrio e da fachada do estabelecimento durante um bloqueio na manhã desta quinta-feira.

Os bombeiros conseguiram controlar as chamas, enquanto forças policiais foram mobilizadas para a zona.

Movimento alarga-se às universidades

A contestação já deixou de estar limitada aos liceus.

A Union Étudiante anunciou esta quinta-feira bloqueios em cerca de 30 universidades, enquanto a Union Syndicale Lycéenne e organizações estudantis afirmam que centenas de estabelecimentos do ensino secundário aderiram à mobilização.

Paris, Lille, Marselha, Lyon, Estrasburgo, Nantes e outras cidades registaram ações de protesto.

O que reivindicam os estudantes?

Entre as principais reivindicações estão mais professores e funcionários, melhores condições nos edifícios escolares, turmas menos numerosas e maior financiamento público para a educação.

A Union Syndicale Lycéenne, uma das organizações que está a dinamizar a mobilização, convocou novos bloqueios juntamente com a Union Étudiante.

Os próprios sindicatos do setor da educação reconhecem a existência de problemas nas escolas e apoiam várias das reivindicações dos estudantes, ao mesmo tempo que apelam ao fim da violência.

Centenas de detenções e dezenas de feridos

A dimensão da crise aumentou rapidamente.

Nos últimos dias foram registadas centenas de detenções, na maioria envolvendo menores, assim como feridos entre estudantes, funcionários escolares e agentes das forças de segurança.

O Governo francês reconhece a necessidade de responder aos problemas existentes no sistema educativo, mas condenou os atos de violência associados a alguns dos protestos.

Uma mobilização que começou com reivindicações sobre as condições das escolas transformou-se, assim, num dos principais focos de tensão social atualmente em França.

Caboverde24.info

Fonte: Reuters, AFP, imprensa francesa e organizações estudantis.

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