“A produção chegou a ser prevista para finais de 2024, janeiro de 2025, junho ou julho, último trimestre de 2025 e depois junho de 2026. Agora, a nova unidade está finalmente em testes, mas ainda não existe uma data concreta para o início da produção comercial.”
Em 30 segundos
🏭 A nova fábrica de cimento pozolânico do Porto Novo está em fase de testes e deverá começar a produzir “dentro de pouco tempo”.
📅 O contrato assinado em maio de 2023 previa 18 meses para o arranque pleno das atividades, mas seguiram-se vários calendários que não se concretizaram.
💶 O projeto começou com um investimento anunciado de 341 mil contos. A Cimpor avaliou depois o investimento na nova unidade em 6,75 milhões de euros e a informação mais recente refere cerca de 10 milhões de euros de investimento global.
⚙️ A capacidade prevista passou de três para nove toneladas por hora, enquanto os números anunciados para o emprego também variaram consoante a fase do projeto.
O facto novo: a fábrica já está em testes
Depois de sucessivos adiamentos, a nova fábrica de cimento pozolânico instalada no Fundão, no município do Porto Novo, entrou finalmente na fase de testes.
Uma fonte da Cimpor confirmou à Inforpress, esta sexta-feira, 2 de outubro, que a unidade está a ser testada com vista à abertura, que deverá acontecer “dentro de pouco tempo”.
É o sinal mais concreto até agora de que o projeto se aproxima da produção comercial.
Mas permanece sem resposta uma questão essencial: qual será a data efetiva do arranque?
Em janeiro deste ano, a própria Cimpor previa testes operacionais em abril e o início da produção dos cimentos pozolânicos 42,5 e 32,5 em junho.
Junho passou. Quatro meses depois, a unidade continua formalmente na fase de testes.
O calendário mudou várias vezes
O contrato de concessão entre o Estado e a Cimpor foi assinado a 3 de maio de 2023.
Na altura, foi estabelecido um prazo de 18 meses para o arranque pleno das atividades, o que colocava a primeira referência temporal em finais de 2024.
Em novembro de 2024, surgia uma nova previsão: a unidade poderia começar a funcionar em janeiro de 2025, com cerca de 80 trabalhadores.
Já em janeiro de 2025, a Câmara Municipal do Porto Novo informou, depois de um encontro com responsáveis da Cimpor, que a abertura poderia acontecer em junho ou julho.
Esse calendário também mudou.
Em junho de 2025, a Cimpor explicou que tinha decidido abandonar a opção de reabilitar a fábrica antiga, paralisada desde 2013, e construir uma unidade industrial nova.
A mudança permitiria triplicar a capacidade de moagem, mas empurrou novamente o calendário. A produção passou então a ser prevista para o último trimestre de 2025.
Em janeiro de 2026 surgiu uma nova meta: testes operacionais em abril e produção em junho.
Agora, em outubro, os testes estão efetivamente a decorrer.
De 341 mil contos a um projeto de outra dimensão
O investimento também mudou ao longo do processo.
Quando o contrato foi assinado, em 2023, o projeto foi apresentado com um investimento de cerca de 341 mil contos, aproximadamente 3,1 milhões de euros.
Com a decisão de construir uma instalação nova, a dimensão financeira aumentou.
Em janeiro de 2026, a própria Cimpor apresentou o projeto de investimento em 6,75 milhões de euros, aproximadamente 744 milhões de escudos.
A informação divulgada esta sexta-feira pela Inforpress refere agora um investimento global estimado em cerca de 10 milhões de euros.
As fontes públicas consultadas não detalham, contudo, como esse valor global está repartido nem quais componentes estão incluídas para além do investimento industrial anteriormente divulgado.
Por isso, os 6,75 milhões e os 10 milhões não devem ser apresentados automaticamente como valores diretamente comparáveis.
Capacidade deverá triplicar
Uma coisa está mais clara: a escala industrial da fábrica aumentou.
A unidade deverá passar de uma capacidade de cerca de três toneladas por hora para nove toneladas por hora.
A Cimpor atribuiu esta mudança à opção por uma fábrica nova em vez da recuperação dos equipamentos anteriores.
A atividade das pozolanas no Porto Novo está paralisada desde 2013, pelo que o início da produção significará a recuperação de uma indústria interrompida há mais de uma década.
A concessão abrange inicialmente uma área de 108 hectares.
E quantos empregos serão realmente criados?
Os números relativos ao emprego também foram mudando e nem sempre medem exatamente a mesma coisa.
Na assinatura do contrato, em 2023, a informação oficial apontava para mais de 80 postos de trabalho diretos.
Na mesma fase, responsáveis ligados ao projeto falaram também em mais de 40 empregos diretos numa primeira etapa, enquanto foram divulgadas previsões mais elevadas para o impacto global da atividade.
Em janeiro de 2025, a Câmara Municipal do Porto Novo informou que a Cimpor estava a selecionar 38 trabalhadores para uma primeira fase, entre manobradores, motoristas, seguranças e pessoal de moagem, limpeza e manutenção.
Isso não significa necessariamente que o número de empregos tenha sido reduzido. As diferentes cifras podem corresponder a fases distintas da implementação e a conceitos diferentes — trabalhadores iniciais, empregos diretos permanentes ou impacto total.
Mas deixa uma pergunta concreta para o momento da abertura: quantas pessoas estarão efetivamente empregadas quando a fábrica iniciar a produção?
Meio milhão de toneladas: um número que merece esclarecimento
Há ainda outro dado que precisa de ser melhor explicado.
Na assinatura da concessão, em 2023, a informação oficial referia uma área inicial de 108 hectares associada a cerca de meio milhão de toneladas.
Outras informações posteriores apresentaram as 500 mil toneladas como reservas de pozolana da concessão.
As duas formulações não são equivalentes.
Com a nova fábrica dimensionada para nove toneladas de cimento por hora, torna-se especialmente importante esclarecer se o meio milhão de toneladas inicialmente divulgado correspondia a uma estimativa de produção, à disponibilidade de matéria-prima ou a outro indicador utilizado no projeto original.
O que ainda falta saber
A entrada em testes é provavelmente o passo mais concreto dado desde a assinatura do contrato.
Mas o projeto chega a esta fase deixando ainda quatro questões importantes.
A primeira é quando começará efetivamente a produção comercial.
A segunda é quanto representa exatamente o investimento global de cerca de 10 milhões de euros agora divulgado e como se relaciona com os 6,75 milhões anteriormente apresentados pela Cimpor.
A terceira é quantos empregos diretos existirão no momento do arranque e quando a unidade atingir a plena operação.
E a quarta interessa diretamente ao mercado: uma maior produção de cimento em Cabo Verde poderá ter impacto no preço pago pela construção civil e pelos consumidores?
Por enquanto, não existem elementos públicos suficientes para concluir que a nova unidade provocará uma redução dos preços.
O que já pode ser dito é que, depois de um contrato assinado em 2023, vários calendários falhados e uma alteração profunda do projeto industrial, a fábrica chegou finalmente à fase de testes.
O próximo marco decisivo será menos uma nova previsão e mais um facto concreto: o início efetivo da produção.
Caboverde24.info
Fonte: Cimpor; Inforpress; Câmara Municipal do Porto Novo.







































