Na pesca da Praia, o combustível sobe mas o peixe pode baixar: porquê?

Em 30 segundos

⛽ O gasóleo marinha custa agora 153,30 escudos por litro.

🐟 Um armador da Praia diz que há embarcações paradas devido ao preço do combustível.

📉 Quando chega muito pescado, o preço pode baixar porque não existem condições suficientes para armazenar o produto.

💰 Armadores e peixeiras pedem ao Governo medidas de apoio e subsídios às despesas do setor.

Mais caro sair para o mar

O combustível subiu. O custo de colocar uma embarcação no mar aumentou. Mas isso não significa necessariamente que o peixe fique mais caro.

No Cais de Pesca da Praia acontece um paradoxo que ajuda a perceber algumas das fragilidades económicas do setor: pescar está mais caro, mas quando há muito peixe disponível o preço pode cair.

Desde 1 de outubro, o gasóleo marinha é vendido a 153,30 escudos por litro, de acordo com a nova tabela de preços dos combustíveis.

Para os armadores, trata-se de uma despesa difícil de contornar.

Maria Semedo, conhecida por Tufuca, vice-presidente da Associação dos Armadores do Cais de Pesca da Praia e proprietária de quatro embarcações, afirmou que os seus barcos consomem, em conjunto, mais de dez toneladas de combustível.

A notícia não especifica, contudo, a que período corresponde esse consumo, pelo que o dado deve ser lido apenas como uma indicação da dimensão das necessidades de combustível da atividade.

Outro armador, Oceano dos Santos, afirmou que existem barcos parados no cais devido ao preço do combustível.

Quando há muito peixe, o preço pode baixar

É aqui que surge a aparente contradição.

Segundo Maria Semedo, quando existe grande quantidade de pescado, os preços acabam por baixar porque os operadores não dispõem de condições suficientes para armazenar o produto.

A lógica económica é simples.

O peixe fresco é altamente perecível. Se chega uma grande quantidade ao cais e não existe capacidade suficiente para conservar o excedente durante mais tempo, aumenta a necessidade de vender rapidamente.

E quanto maior for a urgência para escoar o pescado, maior pode ser a pressão para baixar o preço.

Assim, uma boa captura não significa necessariamente um bom negócio.

O problema continua depois do desembarque

As dificuldades não terminam quando o peixe chega ao cais.

A peixeira Paula Correia explicou que o aumento dos combustíveis está a refletir-se sobretudo no custo do transporte entre o Cais de Pesca e as residências das profissionais, além do transporte do próprio pescado.

Referiu também despesas com gelo para conservar o peixe.

Há ainda outro fator: nem todos os dias existe pescado suficiente para garantir vendas e rendimento.

Isto significa que os custos podem aumentar mesmo quando as receitas permanecem irregulares.

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Mais pescado não significa automaticamente mais rendimento

O caso mostra que a economia da pesca não depende apenas da quantidade capturada.

Há pelo menos três momentos decisivos: o custo de colocar o barco no mar, a capacidade de conservar aquilo que é pescado e a possibilidade de vender o produto sem pressão excessiva de tempo.

Se o combustível encarece, aumenta o custo da captura.

Se chega muito peixe mas não existe capacidade suficiente para armazená-lo, o preço pode cair.

E se transporte e conservação também ficam mais caros, a margem das peixeiras diminui.

O resultado é uma cadeia em que aumentar a quantidade pescada não significa necessariamente aumentar o rendimento.

Profissionais pedem apoio ao Governo

Perante a subida dos custos, armadores e peixeiras do Cais de Pesca da Praia apelaram ao Governo para apoiar o setor através de subsídios às despesas.

O pedido coloca uma questão que vai além da atual subida dos combustíveis: como reduzir os custos da atividade e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade de conservar e escoar o pescado?

Porque o problema revelado no cais é precisamente esse: o combustível pode subir enquanto o peixe desce — e quem está entre o mar e o mercado suporta grande parte dessa diferença.

Caboverde24.info

Fonte: Inforpress; Agência Reguladora Multissetorial da Economia.

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