“Associação tinha anunciado previamente a passagem de 120 para 150 escudos a partir desta segunda-feira. A Polícia Municipal interveio para repor a tarifa em vigor e os condutores acabaram por paralisar as ligações no terminal dos Espargos.”
Em 30 segundos
🚐 Condutores de hiaces paralisaram esta segunda-feira as ligações no terminal dos Espargos.
💰 A Associação dos Hiacistas do Sal tinha anunciado, na sexta-feira, a passagem da tarifa Espargos–Santa Maria de 120 para 150 escudos a partir de 5 de outubro.
👮 Alguns condutores começaram a aplicar o novo preço durante a manhã, mas a Polícia Municipal interveio para repor a tarifa de 120 escudos.
🚕 O impasse surge poucos dias depois de a Assembleia Municipal do Sal ter aprovado uma nova tabela para os táxis, num processo distinto que passou pelos órgãos municipais.
O aumento já tinha sido anunciado
A paralisação desta segunda-feira não surgiu sem aviso.
Na sexta-feira, 3 de outubro, o Caboverde24.info noticiou que a Associação dos Hiacistas do Sal tinha comunicado formalmente a intenção de aumentar de 120 para 150 escudos a tarifa da ligação entre Espargos e Santa Maria a partir desta segunda-feira, 5.
A associação justificou a decisão com o aumento dos combustíveis, dos custos de manutenção e de outras despesas da atividade.
Nas primeiras horas desta manhã, vários condutores começaram efetivamente a cobrar os 150 escudos, segundo a Inforpress.
Polícia Municipal determinou reposição dos 120 escudos
A Polícia Municipal interveio no terminal dos Espargos para impedir a aplicação do novo valor e repor a tarifa legalmente fixada de 120 escudos.
Perante a intervenção, os condutores recusaram continuar a circular pelo preço anterior, desencadeando a paralisação.
A situação deixou passageiros sem alternativa imediata, incluindo trabalhadores que dependem diariamente das carrinhas para se deslocarem entre Espargos e Santa Maria.
Transportadores apontam aumento dos custos
Os profissionais ouvidos pela Inforpress insistem que a tarifa atual deixou de acompanhar os custos da atividade.
Diolandino da Luz afirmou que a receita já não permite suportar adequadamente combustíveis, impostos e manutenção, defendendo uma tarifa social ou a suspensão temporária da taxa de manutenção rodoviária.
Jorge Batista criticou a intervenção das autoridades e afirmou que os passageiros estavam a pagar os 150 escudos sem contestação. Segundo o condutor, uma viagem de hiace chega a consumir quase metade da receita em combustível.
Mais 1.320 escudos num mês de trabalho
Para os passageiros, porém, os 30 escudos adicionais acumulam-se rapidamente.
Quem faça diariamente a viagem Espargos–Santa Maria e o regresso pagaria mais 60 escudos por dia.
Num mês de 22 dias úteis, a diferença chegaria a 1.320 escudos por pessoa.
Utentes ouvidos pela Inforpress reconheceram as dificuldades dos transportadores, mas lembraram também que os salários não têm acompanhado o aumento do custo de vida.
Nelson Cruz defendeu a criação no Sal de um sistema de transporte público regulado, semelhante aos existentes em Santiago e São Vicente.
Táxis acabaram de passar por outro processo de revisão
O conflito com os hiaces ocorre poucos dias depois de o Sal ter concluído uma etapa importante na atualização de outro serviço de transporte de passageiros.
Em 29 de setembro, a Assembleia Municipal aprovou por unanimidade uma proposta da Câmara Municipal para atualizar o tarifário dos táxis, que não era revisto há cerca de sete anos.
A Câmara indicou que a nova tabela deverá ser acompanhada de publicação oficial e de fiscalização do seu cumprimento.
Os dois serviços têm características e enquadramentos próprios, pelo que os processos não são necessariamente idênticos. Ainda assim, o caso dos táxis mostra que uma atualização tarifária pode passar por discussão, aprovação institucional, definição pública dos valores e posterior fiscalização.
No caso dos hiaces, é precisamente a ausência de uma autorização reconhecida para os 150 escudos que está no centro do impasse desta segunda-feira.
Câmara ainda sem reação sobre os hiaces
A Inforpress contactou o vereador responsável pela área dos Transportes da Câmara Municipal do Sal para obter esclarecimentos sobre a paralisação e as medidas previstas, mas, até à publicação da notícia, não tinha conseguido obter uma reação.
Fica agora por esclarecer se haverá uma negociação formal sobre a tarifa dos hiaces, quais os custos que serão considerados numa eventual revisão e quando poderá ser totalmente normalizada a ligação entre Espargos e Santa Maria.
O episódio coloca novamente em discussão uma questão essencial para a mobilidade no Sal: como garantir um serviço financeiramente sustentável para os transportadores e, ao mesmo tempo, acessível para milhares de passageiros que dependem destas ligações para trabalhar?
Caboverde24.info
Fonte: Inforpress; Câmara Municipal do Sal





































