Operador do Sal identifica novo perfil: mais mulheres jovens estão a viajar sozinhas

Em 30 segundos

👩 Mulheres jovens que viajam sozinhas estão a tornar-se mais visíveis entre os hóspedes no Sal, segundo o The Lagoon Resort.

🏨 O operador afirma que, há cerca de cinco anos, a sua clientela estava muito mais concentrada em casais e famílias, mas não divulgou números que permitam medir a dimensão da mudança.

📊 O sinal surge no principal destino turístico do país: em 2025, o Sal concentrou 57,7% das entradas nos estabelecimentos hoteleiros de Cabo Verde.

💼 Se o fenómeno for confirmado por outros operadores, poderá abrir oportunidades para excursões, restauração, transportes, atividades culturais e outros serviços fora dos hotéis.

Um perfil diferente começa a aparecer nas reservas

Um novo perfil de visitante está a chamar a atenção de um operador turístico na ilha do Sal: mulheres jovens que chegam a Cabo Verde para passar férias sem acompanhante.

O sinal parte do The Lagoon Resort, que reúne unidades hoteleiras da marca Meliá na ilha.

Segundo Lisa Kellett, porta-voz do operador, aumentou de forma acentuada a presença de mulheres na faixa dos 20 e 30 anos que viajam sozinhas.

A responsável afirma que, há cerca de cinco anos, a clientela estava muito mais concentrada em casais e famílias. Agora, o operador diz receber mais mulheres individualmente, interessadas não apenas em praia e resort, mas também em experiências e atividades.

Entre os exemplos apontados estão o kitesurf em Santa Maria e, em viagens que incluem outras ilhas, caminhadas em Santo Antão, a subida ao vulcão do Fogo e experiências ligadas à música e cultura em São Vicente.

Há um sinal, mas ainda não uma tendência nacional comprovada

A distinção é importante.

O The Lagoon Resort refere um forte crescimento deste segmento, mas não divulgou percentagens, números absolutos ou séries históricas que permitam quantificar a alteração.

Também as estatísticas atualmente publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística não distinguem os hóspedes entre pessoas que viajam sozinhas, em casal, em família ou em grupo.

Por isso, ainda não é possível afirmar que Cabo Verde esteja perante uma nova tendência nacional consolidada.

As viagens a solo, sobretudo femininas, constituem, contudo, um segmento em crescimento em vários mercados internacionais, o que torna relevante acompanhar se a mudança observada no Sal começa também a aparecer noutros operadores cabo-verdianos.

O que existe, por enquanto, é um sinal de mercado identificado por um operador relevante do Sal, que poderá ser comparado futuramente com a experiência de outros hotéis, agências de viagens e empresas turísticas.

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Sal concentra mais de metade das entradas

O fenómeno surge precisamente na ilha que concentra a maior parte da procura turística do arquipélago.

Em 2025, os estabelecimentos hoteleiros de Cabo Verde receberam 1.248.052 hóspedes, mais 6% do que em 2024, enquanto as dormidas atingiram 6.120.204, um crescimento de 8,3%.

O Sal representou 57,7% das entradas, seguido da Boa Vista, com 24,4%.

Os não residentes corresponderam a 95,5% dos hóspedes registados nos estabelecimentos hoteleiros.

É num mercado desta dimensão que alterações no comportamento dos visitantes podem começar a tornar-se mais visíveis.

Um turista diferente pode significar uma oferta diferente

Se o crescimento das mulheres que viajam sozinhas vier a ser confirmado por outros operadores, o impacto poderá ultrapassar os próprios resorts.

Uma pessoa que viaja individualmente pode depender mais da oferta disponível no destino para organizar deslocações, atividades e experiências.

Excursões, restaurantes, transportes, escolas de desportos náuticos, guias, eventos culturais e pequenos operadores turísticos podem encontrar neste público novas oportunidades.

A questão deixa então de ser apenas quantos turistas chegam a Cabo Verde e passa também por perceber quem são, o que procuram e quanto da sua despesa fica na economia local.

Uma realidade distinta que também merece atenção

O crescimento normal das viagens femininas a solo não deve ser confundido com situações de exploração sexual no contexto do turismo, uma realidade diferente já documentada em Cabo Verde.

O Relatório sobre Tráfico de Pessoas de 2024 do Departamento de Estado dos Estados Unidos refere que algumas turistas sexuais do sexo feminino incentivam homens cabo-verdianos a emigrar e posteriormente os exploram através de situações de servidão por dívida.

Separadamente, a Inforpress noticiou em 2025 que um relatório da Morabi, publicado em 2023, identificara relações de troca entre mulheres estrangeiras e adolescentes do sexo masculino no Sal e no Mindelo.

São fenómenos distintos. Não existe qualquer base para associar as mulheres que viajam sozinhas a comportamentos de exploração sexual. A referência serve apenas para recordar que um destino turístico em crescimento deve acompanhar também situações de vulnerabilidade e exploração, independentemente do sexo do turista ou da vítima.

O próximo passo é medir

O novo perfil identificado no Sal deixa uma questão útil para o setor turístico cabo-verdiano: sabemos suficientemente quem está a visitar o país?

As estatísticas permitem conhecer os principais mercados emissores, ilhas procuradas, hóspedes, dormidas e duração das estadias. Dizem muito menos sobre os diferentes perfis e motivações dos visitantes.

Quantas mulheres chegam sozinhas? De que países? Quanto tempo permanecem? Que atividades procuram? Quanto gastam fora dos hotéis? O fenómeno concentra-se no Sal ou também está a crescer noutras ilhas?

Responder a estas perguntas ajudaria a perceber se o sinal identificado pelo operador representa apenas uma mudança na sua própria clientela ou o início de um segmento com peso crescente no turismo de Cabo Verde.

Caboverde24.info

Fontes: The Lagoon Resort; Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde; Departamento de Estado dos Estados Unidos — Relatório sobre Tráfico de Pessoas 2024

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