“O Governo cabo-verdiano considera justa a distinção atribuída à jurista sul-africana Navi Pillay. Donald Trump divulgou uma mensagem fortemente crítica, Israel condenou a escolha e Washington anunciou novas sanções contra o Tribunal Penal Internacional.”
📌 Em 30 segundos
🇨🇻 Cabo Verde considera o Nobel da Paz de 2026 uma decisão justa e meritória.
🏅 A vencedora, Navi Pillay, foi distinguida pela defesa dos direitos humanos e do direito internacional.
🇺🇸 Donald Trump partilhou duras acusações contra a premiada, enquanto Israel condenou oficialmente a escolha.
⚖️ Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra o Tribunal Penal Internacional, numa decisão preparada antes da atribuição do prémio.
Cabo Verde considera a distinção mais do que justa
A atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2026 à jurista sul-africana Navanethem «Navi» Pillay, de 85 anos, provocou reações muito diferentes na comunidade internacional.
Em Bruxelas, esta sexta-feira, 9 de outubro, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Manuel Amante da Rosa, manifestou satisfação com a escolha.
«É uma decisão justa, meritória, que já devia ter acontecido há uns tempos», afirmou o governante, citado pela agência Lusa, após uma reunião de alto nível entre Cabo Verde e a União Europeia.
O ministro destacou a importância do diálogo, do respeito entre etnias e da convivência religiosa, recordando também o passado da África do Sul.
Amante da Rosa considerou que o reconhecimento da jurista é «mais do que justo» e manifestou esperança de que outras personalidades dedicadas ao direito humanitário venham a receber distinções semelhantes.
Trump partilha duras críticas à vencedora
Nos Estados Unidos, a reação do presidente Donald Trump seguiu um caminho diferente.
Na rede social Truth Social, Trump republicou uma mensagem de terceiros que acusa Navi Pillay de hostilidade aos Estados Unidos e a Israel e critica duramente a decisão do Comité Norueguês do Nobel.
A publicação acusa a jurista de ter favorecido o Hamas e de ter conduzido uma investigação parcial sobre as operações militares israelitas na Faixa de Gaza.
O autor da mensagem considera que a escolha prejudicou o prestígio do Nobel da Paz e defende que os esforços diplomáticos de Donald Trump deveriam ter sido reconhecidos.
Importa distinguir que se trata de acusações expressas na mensagem partilhada pelo presidente norte-americano, e não de conclusões factuais independentes sobre a atuação da premiada.
Israel também condena a escolha
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel reagiu igualmente de forma muito crítica à atribuição do prémio.
Numa declaração pública, acusou o Comité Nobel de instrumentalizar a distinção para legitimar o ódio e o preconceito contra Israel.
A reação está relacionada com o trabalho de Navi Pillay enquanto presidente de uma comissão independente das Nações Unidas que investigou violações do direito internacional em Israel e nos territórios palestinianos.
Em 2025, essa comissão concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, uma conclusão rejeitada pelo Governo israelita.
A distinção atribuída a Pillay voltou, assim, a colocar no centro do debate internacional as divergências sobre a investigação da ONU e a atuação das instituições de justiça internacional.
Estados Unidos anunciam novas sanções ao Tribunal Penal Internacional
No mesmo dia, a administração Trump anunciou novas sanções contra o Tribunal Penal Internacional, sediado em Haia, nos Países Baixos.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, justificou as medidas com a oposição de Washington às investigações e aos processos que envolvem cidadãos dos Estados Unidos e responsáveis israelitas.
As sanções procuram restringir o acesso do tribunal a serviços financeiros e tecnológicos norte-americanos.
O Tesouro norte-americano prevê um período de transição e exceções para determinadas operações, incluindo alguns serviços essenciais.
O Tribunal Penal Internacional condenou a decisão, considerando-a um ataque à independência da justiça e aos princípios fundamentais do direito internacional.
Embora o anúncio tenha ocorrido poucas horas depois da atribuição do Nobel, as novas sanções já estavam em preparação. Não há elementos que permitam apresentá-las como uma resposta direta à distinção de Navi Pillay.
Quem é Navi Pillay?
Nascida na África do Sul, em 1941, Navi Pillay construiu uma carreira internacional na defesa dos direitos humanos e no combate à impunidade.
Durante o apartheid, defendeu ativistas contra a discriminação racial e contribuiu para garantir direitos fundamentais aos presos políticos de Robben Island, incluindo o acesso a advogados.
Em 1995, foi nomeada por Nelson Mandela juíza do Tribunal Superior da África do Sul.
Posteriormente, desempenhou funções no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda e no Tribunal Penal Internacional, tendo sido também Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.
Atualmente, exerce funções como juíza ad hoc no Tribunal Internacional de Justiça, no processo apresentado pela Gâmbia contra Myanmar, relacionado com acusações de genocídio.
O Comité Norueguês do Nobel distinguiu-a pelo contributo para o fortalecimento do direito internacional e para a responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Numa declaração após o anúncio, Pillay dedicou o prémio aos sobreviventes de crimes internacionais e às pessoas que trabalham pela justiça.
Uma distinção que revela posições diferentes
As reações à escolha de Navi Pillay mostram avaliações profundamente diferentes sobre a atuação das instituições internacionais.
Cabo Verde valorizou a carreira da jurista e o seu contributo para os direitos humanos. Israel contestou a distinção devido ao trabalho da comissão da ONU sobre Gaza, enquanto Donald Trump deu visibilidade a acusações contra a premiada.
Paralelamente, as novas sanções norte-americanas ao Tribunal Penal Internacional reacenderam o debate sobre a independência da justiça internacional.
Para o Comité Nobel, a distinção pretende recordar que a paz duradoura depende do respeito pelo direito internacional e da resolução dos conflitos sem recurso à violência.
Caboverde24.info
Fonte: Lusa; Comité Norueguês do Nobel; Reuters; Associated Press; AFP; ANSA — 9 de outubro de 2026.

























