Estados Unidos: condenado à morte será fuzilado em direto pela Internet a 3 de dezembro

​📌 Em 30 segundos

​🇺🇸 O Pentágono confirmou que uma execução por fuzilamento será transmitida em direto pela Internet.

​⚖️ O condenado é Nidal Hasan, antigo psiquiatra militar responsável pela morte de 12 militares e um civil em 2009.

​📅 A execução está marcada para quinta-feira, 3 de dezembro, às 18h00 de Cabo Verde.

​🌍 A decisão levanta questões jurídicas e éticas sobre a transmissão pública da pena de morte.

​Pentágono confirma transmissão pela Internet

​Os Estados Unidos anunciaram, na quinta-feira, 8 de outubro, que a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, antigo major do Exército norte-americano condenado à morte por um ataque cometido em 2009, será transmitida em direto pela Internet.

​A confirmação foi dada por um responsável do Pentágono à agência Reuters, depois de o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ter anunciado que a execução seria pública.

​Hasan, atualmente com 56 anos, deverá enfrentar um pelotão de fuzilamento composto por militares, na base de Fort Hood, no estado do Texas, no próximo dia 3 de dezembro.

​O secretário interino do Exército, Adam Telle, marcou a execução para as 13h00, hora local, correspondentes às 18h00 em Cabo Verde.

​Pete Hegseth justificou a transmissão pública com a intenção de mostrar que crimes desta gravidade têm consequências sérias.

​O Pentágono confirmou que haverá uma transmissão em direto, mas ainda não revelou a plataforma que será utilizada, as condições de acesso ou se as imagens estarão disponíveis livremente ao público.

​Quem é Nidal Hasan?

​Nidal Malik Hasan era psiquiatra do Exército norte-americano quando, em 5 de novembro de 2009, abriu fogo numa instalação militar de Fort Hood.

​O ataque provocou a morte de 13 pessoas — 12 militares e um civil — e ferimentos em outras 32.

​Durante o julgamento, Hasan reconheceu ter sido o autor dos disparos e afirmou que pretendia atingir militares que se preparavam para partir para o Afeganistão, por considerar aquela intervenção uma guerra ilegal.

​O ataque terminou quando foi atingido por disparos das forças de segurança, ficando gravemente ferido e parcialmente paralisado. Desde então, utiliza uma cadeira de rodas.

​Em agosto de 2013, um tribunal militar condenou-o à morte por homicídios premeditados e tentativas de homicídio.

​Atualmente, Hasan encontra-se no corredor da morte militar, na prisão de Fort Leavenworth, no estado do Kansas.

​O presidente Donald Trump aprovou a execução, na sequência da recomendação apresentada por Pete Hegseth.

​Porquê 3 de dezembro e precisamente às 13h00?

​A escolha da data, hora e local não foi casual.

​Pete Hegseth explicou que a execução foi marcada para uma quinta-feira, o mesmo dia da semana em que Hasan realizou o ataque, em 2009.

​A hora também procura estabelecer essa correspondência: o fuzilamento está previsto para as 13h00, aproximadamente o mesmo horário em que começou o ataque.

​A execução decorrerá ainda na mesma base militar onde ocorreram os homicídios.

​Uma execução pública 90 anos depois

​A última execução publicamente realizada nos Estados Unidos ocorreu em 14 de agosto de 1936, quando Rainey Bethea foi enforcado perante uma multidão, no estado do Kentucky.

​Desde então, as execuções passaram a realizar-se em instalações de acesso restrito, perante testemunhas autorizadas.

​A última execução efetuada pelas Forças Armadas norte-americanas ocorreu em 1961, quando o soldado John Bennett foi enforcado.

​Já o último fuzilamento militar remonta a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.

​Caso se concretize, a transmissão da execução de Hasan constituirá um acontecimento sem precedentes conhecidos na história das execuções legais norte-americanas.

​A transmissão poderá enfrentar obstáculos jurídicos

​A decisão está também a suscitar dúvidas sobre a sua compatibilidade com os regulamentos militares.

​As normas do Exército que regulam as execuções, designadamente o regulamento 190-55, estabelecem procedimentos específicos para a presença de testemunhas e preveem a seleção de pelo menos dois representantes dos órgãos de comunicação social.

​Essas regras não contemplam expressamente uma transmissão pública pela Internet, o que levanta questões sobre a forma como o Pentágono pretende concretizar o anúncio.

​Especialistas em direito militar apresentam posições diferentes.

​Alguns consideram que a transmissão poderá aumentar a transparência sobre a aplicação da pena de morte, permitindo que a população conheça os procedimentos utilizados.

​Outros questionam os limites legais da divulgação, a dignidade do condenado e as consequências de transformar uma execução num acontecimento acessível a um público potencialmente mundial.

​A realização do fuzilamento na data anunciada também não está definitivamente garantida.

​Embora os recursos no sistema de justiça militar tenham sido esgotados, Hasan ainda poderá recorrer aos tribunais civis federais, através de mecanismos judiciais capazes de adiar a execução.

​Até ao momento, não existe confirmação de que pretenda apresentar novos recursos.

​Em Cabo Verde, a pena de morte é proibida

​A situação contrasta com o enquadramento jurídico de Cabo Verde, onde a pena de morte está expressamente proibida pela Constituição.

​O artigo 28.º estabelece que a vida humana e a integridade física e moral das pessoas são invioláveis e determina que em caso algum haverá pena de morte.

​O anúncio norte-americano volta, assim, a colocar em discussão uma questão que continua a dividir países e sistemas judiciais: a legitimidade da pena capital e os limites da sua exposição pública.

​Caboverde24.info

​Fontes: Reuters e Associated Press, 8 de outubro de 2026; Exército dos Estados Unidos, comunicado de 7 de outubro de 2026; Constituição da República de Cabo Verde.

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