“Uma avaliação do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola revela que, em julho, vários contratos estavam atrasados ou ainda por iniciar, num programa rural com cerca de 47 milhões de dólares de financiamento previsto. O documento reconhece também resultados positivos alcançados desde 2012.”
Em 30 segundos
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🚧 Cinco contratos ainda não tinham começado e outros seis apresentavam atrasos significativos ou trabalhos suspensos.
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💰 A execução financeira do plano de 2026 situava-se em 9,58%, subindo para 59,53% quando considerados os compromissos assumidos.
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📉 Apenas 30,18% das atividades previstas tinham sido executadas.
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🌱 O programa já tinha beneficiado mais de 63 mil pessoas e contribuído para a criação de 3.721 empregos.
Onze contratos com dificuldades
Um programa destinado a melhorar as condições de vida e as oportunidades económicas nas comunidades rurais de Cabo Verde aproxima-se da conclusão das suas principais atividades com obras atrasadas, dificuldades nos pagamentos e metas anuais ainda distantes dos objetivos.
A situação é descrita num relatório de supervisão do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), datado de 14 de setembro de 2026, consultado pelo Caboverde24.info.
O documento, com 118 páginas, resulta de uma missão realizada entre 30 de junho e 10 de julho, que avaliou a execução do Programa de Promoção das Oportunidades Socioeconómicas Rurais (POSER).
Entre os 16 projetos estruturantes em curso, avaliados em aproximadamente quatro milhões de dólares, os técnicos encontraram cinco contratos ainda não iniciados, no valor conjunto de 731 mil dólares.
Outros seis contratos, representando cerca de 2,2 milhões de dólares, apresentavam atrasos significativos ou trabalhos suspensos. Apenas cinco contratos, avaliados em aproximadamente 1,2 milhões de dólares, registavam progressos considerados satisfatórios.
A missão identificou igualmente pagamentos muito reduzidos às empresas responsáveis pelas obras, algumas das quais estavam a financiar antecipadamente os trabalhos.
Perante estas dificuldades, recomendou acelerar a execução, regularizar os pagamentos e avançar com notificações de rescisão nos casos em que a execução técnica dos contratos fosse inferior a 15%, respeitando as condições contratuais.
Execução anual abaixo das expectativas
Os problemas também aparecem nos indicadores do plano de atividades de 2026.
Na avaliação de julho, a execução física atingia 30,18%, enquanto a execução financeira se situava em apenas 9,58%. Quando considerados os compromissos já assumidos, este último indicador aumentava para 59,53%.
O plano de contratação pública apresentava uma taxa de execução de 15%.
Também o número de novos beneficiários estava abaixo do previsto: 241 pessoas abrangidas, perante uma meta anual de 800.
Estes indicadores referem-se à situação observada em julho e não representam necessariamente o estado atual do programa.
Mais de 63 mil beneficiários e metas ainda por cumprir
Apesar dos atrasos recentes, o relatório reconhece resultados positivos acumulados desde a aprovação do POSER, em 2012.
O programa tinha alcançado 63.305 beneficiários, aproximadamente 80% da meta global de 79 mil pessoas.
A criação de emprego ultrapassou o objetivo inicialmente estabelecido: foram contabilizados 3.721 postos de trabalho, perante uma previsão de 3.585.
Contudo, à data da avaliação, outros indicadores permaneciam abaixo das metas previstas. O indicador relativo às pessoas que declararam beneficiar de maior disponibilidade de água atingia apenas 29% da meta, enquanto o associado ao aumento dos rendimentos se situava em 44%.
Estes dados mostram que o número de pessoas abrangidas não traduz, por si só, todos os resultados esperados na melhoria das condições de vida das comunidades rurais.
O que falta resolver?
O quadro financeiro do POSER aponta para um financiamento global previsto de aproximadamente 47 milhões de dólares, proveniente de diferentes fontes internacionais e nacionais.
Depois de quatro prorrogações, a conclusão das suas principais atividades está prevista para 31 de dezembro de 2026, embora uma componente específica de adaptação climática tenha um calendário próprio até 2030.
O FIDA não classificava o programa global como estando em risco, apesar das dificuldades identificadas, e considerava possível recuperar parte dos atrasos.
O relatório deixa, contudo, questões importantes por esclarecer: quantas obras foram entretanto concluídas, que pagamentos foram regularizados e como será assegurada a manutenção das infraestruturas depois do encerramento do programa.
Para os agricultores, cooperativas e comunidades beneficiárias, a questão essencial será saber até que ponto os investimentos realizados se traduzirão em melhorias duradouras no acesso à água, na produção e nos rendimentos.
Caboverde24.info
Fonte: Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA)



























