“O país fica em 103.º entre 139 economias. A posição nos fatores que favorecem a inovação recua, enquanto a classificação dos resultados melhora.”
Em breve
- 📊Classificação mundial: Cabo Verde passa do 95.º lugar em 2025 para o 103.º em 2026.
- 🧩Condições para inovar: o subíndice dos fatores de inovação passa do 79.º para o 97.º lugar.
- 💡Resultados: a posição no subíndice dos resultados sobe do 113.º para o 104.º lugar.
- 🔎Leitura dos dados: alterações metodológicas e disponibilidade de informação influenciam as comparações anuais.
Cabo Verde ocupa o 103.º lugar entre 139 economias no Índice Global de Inovação 2026, divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) em 29 de setembro. Na edição de 2025, o arquipélago estava na 95.ª posição: a diferença corresponde a uma perda de oito lugares na classificação mundial.
A leitura dos dois subíndices mostra, porém, movimentos distintos. Nos fatores que favorecem a inovação, Cabo Verde passa do 79.º para o 97.º lugar. Nos resultados da inovação, sobe do 113.º para o 104.º. O recuo no índice global não deve, por isso, ser apresentado como uma deterioração uniforme de todas as dimensões avaliadas.

O que distingue condições e resultados?
O índice reúne 79 indicadores. Os fatores de inovação incluem instituições, capital humano e investigação, infraestruturas, sofisticação do mercado e sofisticação empresarial. Os resultados abrangem conhecimento, tecnologia e produção criativa. As duas componentes permitem separar o ambiente que favorece a inovação das realizações consideradas pelo índice.
A investigação exige atenção, mas não explica tudo sozinha
No perfil de 2026, Cabo Verde surge em 115.º lugar na dimensão capital humano e investigação, enquanto as instituições aparecem em 46.º. O contraste ajuda a identificar áreas com classificações distintas. Não permite, por si só, atribuir toda a perda de lugares a uma única política, instituição ou decisão.
No conjunto das economias africanas avaliadas, o arquipélago está em 12.º lugar. Dentro da África Subsaariana, ocupa a nona posição. São dois recortes geográficos diferentes e não devem ser confundidos. A lista africana é liderada pelas Maurícias, seguidas de Marrocos e da África do Sul.
Oito lugares não significam oito por cento
A OMPI adverte que alterações na metodologia e na disponibilidade dos dados influenciam as comparações entre edições. A posição também é relativa ao desempenho das outras economias. Perder oito lugares não equivale a uma redução de oito por cento na inovação cabo-verdiana.
Para compreender as fragilidades, importa olhar para os indicadores específicos, as respetivas datas e os dados em falta. O contraste entre as condições para inovar e os resultados é um ponto de partida para essa análise, sem transformar uma classificação internacional num diagnóstico completo do país.
O principal resultado é claro: Cabo Verde recua no índice global, mas a evolução não é igual em todas as componentes. Explicar essa diferença é mais informativo do que reduzir o relatório à perda de oito posições.
Caboverde24.info
Fonte: Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).
Foto: GualdimG / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Universidade de Cabo Verde, na cidade da Praia, em 27 de fevereiro de 2025. Imagem de contexto; a classificação avalia o país, não a universidade. Origem da imagem.

























