Um histórico de expectativas
A retoma das ligações aéreas diretas entre Cabo Verde e o Brasil tem sido uma das questões mais debatidas e prometidas pelos responsáveis cabo-verdianos nos últimos anos. Entre declarações oficiais, memorandos de entendimento e cronogramas anunciados, a realidade é que esta conexão estratégica continua por concretizar, deixando a diáspora e o setor turístico em constante expectativa.
- Cronologia das promessas oficiais
2023: Os primeiros sinais de esperança
Em dezembro de 2023, o Governo de Cabo Verde deu um passo significativo ao assinar um memorando de entendimento com a CVC Brasil, uma das maiores operadoras turísticas da América Latina. Este acordo visava restabelecer as ligações aéreas com o Brasil ainda em 2024, com foco na promoção do turismo e no fortalecimento das trocas comerciais entre os dois países. - 2024: Promessas que não se concretizaram
Em julho de 2024, Pedro Barros, presidente da TACV (Cabo Verde Airlines), fez declarações públicas garantindo que a retoma dos voos diretos para o Brasil e Estados Unidos aconteceria brevemente. O executivo reforçou o compromisso governamental de garantir estas ligações ainda durante aquele ano, prometendo ajustar a capacidade operacional conforme a demanda do mercado. - 2025: Renovação das expectativas e obstáculos técnicos
Em fevereiro de 2025, a Cabo Verde Airlines iniciou formalmente o processo de certificação necessário para operar voos entre Cabo Verde e o Brasil. Este desenvolvimento foi acompanhado de promessas de tarifas mais acessíveis e maior integração transatlântica.Em abril de 2025, o Primeiro-Ministro Ulisses Correia e Silva reafirmou publicamente que os voos da TACV para o Brasil seriam retomados ainda em 2025, enfatizando que todas as condições operacionais e técnicas estavam a ser criadas para garantir esta retoma.
No entanto, apesar das garantias, permanece um obstáculo central: a TACV ainda não possui o certificado etops, imprescindível para operar voos transatlânticos com aeronaves bimotoras. O etops (extended-range twin-engine operational performance standards) é uma exigência internacional que atesta a capacidade técnica e operacional da companhia para voar longas distâncias sobre o Atlântico, distante de aeroportos alternativos.
O impasse do etops o verdadeiro obstáculo
O ministro do Turismo e Transportes, José Luís Sá Nogueira, reconheceu que a TACV perdeu o etops após quase dois anos sem operar voos de longo curso, o que obriga a companhia a reiniciar praticamente todo o processo técnico-operacional. Para além da preparação interna, é necessária articulação com as autoridades aeronáuticas do Brasil e dos Estados Unidos para que a certificação seja concedida.
A companhia e o governo estabeleceram como meta a obtenção do etops até junho de 2025, mas até lá, não existem condições técnicas para operar voos diretos entre Cabo Verde, Brasil e Estados Unidos. O processo é complexo, envolve rigorosas auditorias de manutenção, procedimentos operacionais e formação de tripulação, e representa o principal entrave à concretização das promessas.
As justificativas recorrentes
Apoio à diáspora
As promessas oficiais continuam a destacar a importância da ligação para a numerosa comunidade cabo-verdiana residente no Brasil, estimada em mais de 500 mil pessoas, que permanece dependente de escalas dispendiosas e demoradas.
Dinamização económica
O governo posiciona estas ligações como estratégicas para impulsionar o comércio bilateral e o turismo, setores fundamentais para a economia nacional.
Reposicionamento estratégico da Tacv
A companhia aérea nacional ambiciona transformar Cabo Verde num hub de conexões entre América, Europa e África, sendo a retoma dos voos para o Brasil central nesta estratégia.
Parcerias comerciais
O memorando com a CVC Brasil e outros acordos são frequentemente citados como garantias da viabilidade comercial das rotas.
Análise crítica entre promessas e realidade
Apesar dos múltiplos anúncios e compromissos públicos, a retoma efetiva dos voos Cabo Verde-Brasil continua adiada por razões técnicas concretas: a ausência do etops impede legalmente a operação de voos transatlânticos pela TACV. Esta situação levanta questões sobre:
- Viabilidade técnica e financeira: O processo de obtenção do etops é rigoroso, demorado e depende de fatores internos e externos.
- Credibilidade institucional: A sucessão de promessas não cumpridas afeta a confiança do público e da diáspora.
- Alternativas e soluções: Até à obtenção do certificado, não há alternativa viável para ligações diretas operadas pela TACV.
Perspetivas para o futuro
A retoma dos voos permanece prioridade nas agendas governamental e da TACV, com previsão de concretização apenas após a obtenção do etops, estimada para junho de 2025. Até lá, a comunidade cabo-verdiana no Brasil, o setor turístico e os investidores continuam a aguardar por desenvolvimentos concretos que transformem estas promessas numa realidade operacional.
Aprimorado com IA
#caboverdeairlines #caboverde #brasil



















