O escudo cabo-verdiano (CVE), abreviado como $ ou Esc, é a moeda oficial de Cabo Verde desde 1914, quando substituiu o real português. A trajetória do escudo reflete a evolução política, económica e cultural do arquipélago, desde o período colonial até à afirmação da independência nacional.
Origens e introdução
O escudo foi introduzido em Cabo Verde em 1914, três anos após a sua adoção em Portugal, numa altura em que o arquipélago era colónia portuguesa. Antes disso, circulavam o real português e moedas estrangeiras nas ilhas. Em 1930, foram cunhadas em Portugal as primeiras moedas específicas para Cabo Verde, trazendo no verso a inscrição “Cabo Verde”.
Período colonial
Durante o domínio colonial, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) passou a emitir notas destinadas a Cabo Verde, disciplinando a circulação monetária. Em 1953, todas as colónias portuguesas passaram a usar o escudo português, unificando o sistema monetário.
Independência e emancipação monetária
Com a independência em 1975, Cabo Verde criou o Banco de Cabo Verde (BCV), que passou a emitir o seu próprio escudo a partir de 1977. As primeiras notas nacionais destacavam Amílcar Cabral e elementos culturais do país, como peças de panaria da ilha de Santiago e artesanato local, simbolizando a luta pela soberania e a identidade nacional.
Desvalorização e acordos cambiais
Após a independência, o escudo cabo-verdiano sofreu desvalorizações, especialmente em 1984, quando perdeu cerca de 40% do seu valor. Para garantir estabilidade, em 1998 foi estabelecido um acordo cambial com Portugal, fixando uma paridade com o escudo português (1 PTE = 0,55 CVE). Com a entrada em vigor do euro em 2002, o escudo ficou indexado à moeda europeia, com uma taxa fixa de 1 euro = 110,265 escudos.
Notas e moedas atuais
Atualmente, circulam notas de 200, 500, 1000, 2000 e 5000 escudos, e moedas de 1, 5, 10, 20, 50, 100 e 200 escudos (esta última em edições comemorativas). As notas e moedas celebram a cultura, fauna, flora e personalidades nacionais, apresentando figuras históricas, marcos culturais e cenas do quotidiano cabo-verdiano.
Símbolo de identidade nacional
O escudo cabo-verdiano é mais do que uma moeda: é um símbolo de soberania, independência e identidade nacional. Apesar da forte presença do euro devido ao turismo, o escudo permanece central na vida e memória dos cabo-verdianos, sendo associado à história coletiva e ao orgulho nacional.
Resumo cronológico
Antes de 1914: circulação do real português e moedas estrangeiras.
1914: introdução do escudo em Cabo Verde.
1930: primeiras moedas específicas para Cabo Verde.
1953: unificação monetária nas colónias portuguesas.
1975: independência de Cabo Verde.
1977: emissão das primeiras notas e moedas nacionais.
1984: forte desvalorização do escudo.
1998: acordo cambial com Portugal.
2002: indexação ao euro.
O escudo cabo-verdiano, ao longo de mais de um século, consolidou-se como elemento fundamental da soberania e da identidade do país, mantendo-se estável e valorizado graças à ligação cambial com o euro e ao papel central do Banco de Cabo Verde na sua gestão.



















