Quatro tubarões azuis de águia ao peito

“Toy, Bebé, Bruno Varela e David Tavares: os cabo-verdianos que brilharam na Luz”

A relação entre Portugal e Cabo Verde tem no futebol um dos seus espelhos mais visíveis, sobretudo através da diáspora radicada na Grande Lisboa. Entre essa ponte atlântica destacam‑se quatro internacionais A por Cabo Verde que chegaram a vestir a camisola do Benfica: Toy, Bebé, Bruno Varela e David Tavares.  Este texto inspira‑se e se baseia no artigo “Os quatro internacionais cabo‑verdianos que jogaram pelo Benfica”, publicado no blogue O Blog do David, de David José Pereira.

Toy

Toy, o pioneiro

Toy (Vítor Manuel Andrade Gomes da Costa) foi o primeiro jogador com internacionalizações por Cabo Verde a atuar na equipa principal do Benfica. Nascido em Lisboa, com raízes cabo‑verdianas, subiu passo a passo desde Algés, Juventude União Vila Fria, Coruchense, Samora Correia e Sintrense até assinar pelos encarnados em setembro de 1999. Começou pela equipa B, onde marcou sete golos em 23 jogos na II Divisão B em 1999/2000, antes de se estrear oficialmente pela equipa principal em 2000/2001, com presenças na I Liga e na Taça de Portugal. Mais tarde, já no Olhanense, a boa forma valeu‑lhe a chamada à seleção principal de Cabo Verde, pela qual se estreou num empate 1–1 com o Luxemburgo em maio de 2008, somando cinco internacionalizações nesse ano.

Bebé

Bebé, da Casa do Gaiato à Liga dos Campeões

Tiago “Bebé” Correia é outro caso emblemático de jogador da periferia de Lisboa que chegou ao topo europeu antes de se afirmar como internacional cabo‑verdiano.  Formado em clubes como Agualva e Loures, terminou a formação e iniciou o percurso sénior no Estrela da Amadora, então na II Divisão B. Do Estrela passou para o Vitória de Guimarães, mas foi o Manchester United que protagonizou o salto mais mediático, pagando cerca de nove milhões de euros por um jogador que cresceu na Casa do Gaiato, em Santo Antão do Tojal. Depois de sete jogos e dois golos pelos red devils e vários empréstimos (Besiktas, Rio Ave, Paços de Ferreira), assinou pelo Benfica em 2014, conquistando a Supertaça Cândido de Oliveira e participando em mais cinco jogos oficiais.  Já em Espanha, ao serviço do Rayo Vallecano, estreou‑se por Cabo Verde em março de 2022 e chegou a 27 internacionalizações, incluindo presença nos quartos de final da Taça das Nações Africanas de 2023.

Bruno Varela

Bruno Varela, da formação encarnada à baliza de Cabo Verde

Bruno Varela é um guarda‑redes nascido em Lisboa que fez praticamente toda a formação no Benfica, para onde chegou vindo do Ponte Frielas ainda em idade de infantil. Nas seleções jovens portuguesas somou 53 internacionalizações, o que o colocou várias vezes no radar da seleção A de Portugal. Como sénior, começou na equipa B encarnada, foi emprestado ao Valladolid e depois transferido para o Vitória de Setúbal, onde a boa época lhe valeu duas chamadas à seleção principal portuguesa em datas FIFA de 2017, sem chegar a estrear‑se. Regressou ao Benfica em 2017/2018, assumindo a titularidade em 35 jogos oficiais, antes de ser cedido ao Ajax e, mais tarde, de assinar a custo zero pelo Vitória de Guimarães em 2020.  Em 2023 decidiu representar Cabo Verde, pela qual já conta oito internacionalizações, embora não tenha participado na qualificação para o Mundial de 2026 e esteja atualmente afastado das convocatórias desde março de 2025.

David Tavares

David Tavares, o médio da nova geração

David Tavares representa a geração mais recente desta ligação luso‑cabo‑verdiana.  Também nascido em Lisboa, dividiu a formação entre Atlético Tojal, Loures, Sporting e Benfica, somando nove internacionalizações pelas seleções jovens de Portugal. No Benfica, o médio foi lançado por Bruno Lage em 2019, primeiro na Liga dos Campeões frente ao Leipzig e depois na Taça da Liga frente ao Vitória de Setúbal, numa altura em que acumulava jogos na equipa B.  Seguiram‑se empréstimos e a transferência para o Famalicão, de onde partiu para a seleção de Cabo Verde, onde se estreou em junho de 2023 e já soma cinco jogos pela equipa nacional.

Outros nomes com ADN encarnado

Para lá destes quatro internacionais A que chegaram à equipa principal, há um grupo alargado de cabo‑verdianos que passaram pelos quadros do Benfica sem jogos oficiais pela equipa A.  Entre eles destacam‑se Duk, Carlos Ponck, Hildeberto Pereira, Heriberto Tavares, Djaniny, Iuri Tavares, Kevin Oliveira, Kay, Fábio Silva, Rodolfo Lima, Rony Santos, Cláudio Tavares, Vasco Lopes, José Rui, Jojó, Diogo Mendes, David Costa, Veiga e Thierry Graça, todos com ligação à seleção cabo‑verdiana em diferentes momentos. Este mosaico mostra como o Benfica funciona também como plataforma de desenvolvimento para talentos cabo‑verdianos, independentemente de chegarem ou não à equipa principal. Ao mesmo tempo, evidencia a crescente capacidade da seleção de Cabo Verde em atrair jogadores formados em Portugal, reforçando o eixo Lisboa–Praia que hoje marca o futebol lusófono.

Caboverde24.info

Fonte principal e fotos: David José Pereira

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