“Três barões de cartel internacional fogem após libertação: o plano envolvia o transbordo de uma tonelada de cocaína nas nossas águas”
O papel de Cabo Verde como ponto de trânsito para o tráfico transatlântico de estupefacientes continua a ser um desafio crítico para a segurança nacional. Recordamos que a posição estratégica do nosso arquipélago, situado entre a América do Sul e a Europa, é historicamente explorada por cartéis brasileiros (como o PCC) e organizações criminosas dos Balcãs. Operações anteriores já confirmaram que as águas territoriais cabo-verdianas são frequentemente utilizadas para o transbordo de carga (“ship-to-ship”), aproveitando a vasta área marítima para escapar à fiscalização portuária.
O erro judiciário e a fuga dos barões
Uma investigação detalhada publicada pela revista portuguesa Sábado revelou uma falha grave no sistema judicial que permitiu a fuga de três perigosos traficantes internacionais. O caso toca diretamente Cabo Verde, uma vez que o nosso arquipélago foi identificado como o ponto fulcral da logística desenhada pelo cartel para introduzir grandes quantidades de cocaína no continente europeu.
De acordo com as informações apuradas pela Sábado, os suspeitos — dois brasileiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e um elemento da máfia dos Balcãs — foram libertados por ordem judicial após a expiração dos prazos de prisão preventiva em Portugal. Uma vez em liberdade, os criminosos aproveitaram a oportunidade para desaparecer, estando agora em paradeiro desconhecido e com mandados de detenção internacionais pendentes.
O plano logístico nas águas de Cabo Verde
A investigação que levou à detenção inicial destes homens revelou um plano sofisticado. Cerca de uma tonelada de cocaína foi enviada do Brasil com um destino específico: o alto-mar, nas proximidades de Cabo Verde. Segundo as autoridades, era nesta zona que a droga deveria ser transferida de um navio transoceânico para um pesqueiro de menor dimensão.
Este método, conhecido como “transbordo em águas profundas”, visa ocultar a origem da carga e facilitar a entrada na costa portuguesa, simulando uma atividade de pesca comum. Este episódio coloca novamente em evidência a vulnerabilidade da nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE). Embora Cabo Verde tenha reforçado a cooperação com agências como a DEA e a Europol, o caso relatado demonstra que os cartéis continuam a ver o nosso mar como um corredor logístico atraente.
Os rostos por trás da operação
Gabriel Carvalho, apontado como um dos coordenadores da operação, teria sido o responsável por gerir a ponte entre os fornecedores sul-americanos e a distribuição na Europa. Ele utilizava o posicionamento de Cabo Verde como o “nó” principal desta rede. A sua capacidade de coordenação entre o PCC brasileiro e os grupos criminosos europeus destaca a complexidade das redes que operam no Atlântico Médio.
Capítulo IV: Implicações para a Segurança Nacional
Para os leitores de Cabo Verde, esta notícia serve como um alerta sobre as implicações de segurança que o narcotráfico impõe ao país. A fuga destes indivíduos em Portugal significa que as redes de contacto e as infraestruturas logísticas por eles estabelecidas podem permanecer operacionais. Além disso, a utilização persistente das nossas águas para estas atividades traz consigo o risco de infiltração do crime organizado nas instituições e o aumento da violência local.
Conclusão: Um apelo à vigilância
É imperativo que Cabo Verde continue a aprofundar a partilha de informações de inteligência com os parceiros internacionais para garantir que as nossas águas deixem de ser um elo de ligação para o crime organizado transnacional. A segurança do arquipélago depende de uma resposta firme e coordenada contra aqueles que tentam transformar o nosso território num entreposto do crime.
Caboverde24.info
Fonte: Reportagem revista Sábado
Imagem: IA







































