Crise uumanitária no Porto da Praia: Tripulantes do pesqueiro “Prometeu” retidos há três meses

“Angolanos e indonésios enfrentam carência de alimentos e falta de salários após o arresto da embarcação portuguesa em águas cabo-verdianas”

A situação no Porto da Praia

​A zona portuária da capital cabo-verdiana é atualmente o cenário de um drama humano que envolve o navio de pesca “Prometeu”, de bandeira portuguesa. A embarcação encontra-se arrestada por ordem judicial devido a incumprimentos financeiros por parte do proprietário. No entanto, para além das questões jurídicas e comerciais, a maior preocupação recai sobre os homens que permanecem a bordo, vivendo em condições de crescente precariedade.

​Quem é a tripulação do Prometeu?

​A tripulação afetada é composta maioritariamente por cidadãos de nacionalidade angolana e indonésia. Estes trabalhadores marítimos, que dependem dos seus salários para sustentar as famílias nos seus países de origem, encontram-se num limbo jurídico e geográfico. Sem poderem abandonar a embarcação e sem meios financeiros para regressar a casa, dependem agora da assistência local para as necessidades básicas de sobrevivência.

Condições de vida e assistência

​Relatos vindos do interior do navio indicam que as reservas de mantimentos atingiram níveis críticos. A falta de energia elétrica em certos períodos e a escassez de água potável agravaram o estado de saúde física e mental dos tripulantes. A solidariedade local tem sido fundamental; instituições cabo-verdianas e indivíduos anónimos têm providenciado algumas refeições e bens de primeira necessidade para mitigar o sofrimento destes homens.

​O papel das autoridades e a justiça

​O arresto de um navio é um processo complexo que envolve o Tribunal da Comarca da Praia e as autoridades marítimas de Cabo Verde. Enquanto o processo judicial corre os seus trâmites para resolver as dívidas do armador português, as representações diplomáticas de Angola e da Indonésia foram notificadas para intervir na proteção dos seus cidadãos. O impasse reside na responsabilidade do repatriamento e no pagamento das indemnizações devidas aos trabalhadores.

​O futuro do navio e dos trabalhadores

​A resolução deste caso depende da celeridade da justiça cabo-verdiana em decidir o destino do “Prometeu”. Existe a possibilidade de o navio ser vendido em hasta pública para saldar as dívidas, incluindo os salários em atraso. Contudo, o tempo de espera no mar, mesmo estando atracado, representa um desgaste severo para quem não vê o fim deste isolamento forçado.

​Contexto Recente

​É importante recordar que o navio “Prometeu” já enfrentava dificuldades operacionais antes de chegar a Cabo Verde. O arresto foi formalizado após credores terem acionado os mecanismos legais para garantir o pagamento de serviços e combustíveis, resultando na imobilização total da embarcação em solo nacional.

Caboverde24.info

Fonte: Correio da Manhã (Portugal)

Nota Editorial: As informações aqui publicadas baseiam-se em relatos de autoridades portuárias e fontes diplomáticas, não refletindo a opinião oficial deste portal sobre as disputas comerciais entre privados.

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