Cabo Verde desce 16 posições no ranking mundial da liberdade de imprensa 2026

“Arquipélago passa do 9.º para o 25.º lugar global, mas continua a ser o país africano com melhor desempenho na proteção dos jornalistas”

Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicaram hoje, 30 de abril de 2026, o ranking mundial da liberdade de imprensa, e os dados trazem um sinal de alerta para Cabo Verde. O arquipélago desceu 16 posições, passando do 9.º lugar em 2025 para o 25.º lugar entre 180 países avaliados. Apesar da queda, o país mantém-se na vanguarda global e continua a ser a referência africana em matéria de liberdade de imprensa.

Uma queda significativa num ano difícil para o mundo

​A descida de 16 lugares é expressiva, mas deve ser lida num contexto global de deterioração generalizada. De acordo com o relatório da RSF, 100 dos 180 países avaliados viram a sua pontuação piorar em relação ao ano anterior. O indicador que mais recuou a nível mundial foi o jurídico, sinal de uma criminalização crescente do jornalismo em todo o mundo.

​No caso de Cabo Verde, os fatores que pesam negativamente continuam a ser os mesmos de anos anteriores: a proximidade entre o poder político e a gestão dos órgãos de comunicação social públicos, a reduzida dimensão do mercado publicitário e a dependência das empresas privadas de media em relação a subsídios estatais.

O que diz o RSF sobre Cabo Verde

​A página oficial da RSF dedicada a Cabo Verde descreve um país com uma paisagem mediática relativamente diversificada para a sua dimensão: cinco canais de televisão, mais de 20 estações de rádio, uma agência noticiosa estatal, dois jornais privados e cerca de cinco sítios de notícias online.

​O relatório sublinha, no entanto, uma contradição estrutural: embora a liberdade de imprensa esteja garantida pela Constituição e os jornalistas possam trabalhar livremente, os responsáveis pelos meios de comunicação públicos — que empregam mais de 70% dos jornalistas do país — continuam a ser nomeados de forma alinhada com o governo. A autocensura, sob pressão do Estado, é identificada como um problema recorrente.

​O ponto forte que resiste: a segurança

​Num mundo onde jornalistas continuam a ser mortos, detidos e perseguidos, Cabo Verde destaca-se de forma inequívoca. Desde o estabelecimento da democracia em 1991, nenhum jornalista foi detido, raptado ou colocado sob vigilância em resultado do seu trabalho. Este facto continua a ser o pilar mais sólido da posição do arquipélago no ranking.

​Quem é a RSF?

​A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) é uma organização não-governamental internacional fundada em 1985, com sede em Paris, e estatuto consultivo junto das Nações Unidas e da UNESCO. O seu índice anual é a principal referência mundial para avaliar o pluralismo, a independência dos media e a segurança dos profissionais em 180 países.

​O caminho a seguir

​A descida de Cabo Verde não é uma catástrofe, mas é um aviso. Num ano em que o mundo regrediu, o arquipélago regrediu mais do que a média. A independência editorial dos meios públicos e a sustentabilidade da imprensa privada são os pontos que, se não forem abordados com reformas concretas, poderão aprofundar a queda nos próximos anos.

Caboverde24.info

Fonte: Repórteres Sem Fronteiras (RSF) — World Press Freedom Index 2026 (publicado a 30 de abril de 2026)

Imagem IA

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