“Diretor técnico nacional revela os bastidores do plano de quatro anos que levou as Blue Sharks à estreia no WAFCON”
A estreia histórica no WAFCON
Depois da histórica presença masculina no Mundial 2026, o futebol cabo-verdiano viveu esta semana outro momento marcante: a seleção feminina fez a sua estreia no WAFCON, a Taça das Nações Africanas feminina, disputada em Marrocos.
A derrota por 2-0 frente ao Gana não foi o início desejado, mas representa mais um marco na trajetória do futebol do arquipélago. Por trás deste percurso está um nome menos conhecido do grande público: Rui Costa, diretor técnico nacional da Federação Cabo-verdiana de Futebol.
Quem é Rui Costa?
Rui Costa é o responsável por supervisionar o plano técnico que tem vindo a colocar Cabo Verde no mapa do futebol internacional.
Em declarações à publicação britânica Her Football Hub, o próprio explica a amplitude das suas funções:
- Formação de treinadores;
- Desenvolvimento de talentos e futebol jovem;
- Futebol feminino e projetos técnicos de longo prazo, em colaboração com a FIFA, a CAF e parceiros internacionais.
O seu papel inclui ainda garantir que o percurso de formação dos jogadores está alinhado com uma filosofia de jogo clara e uma visão sustentável para o futuro.
Uma carreira construída em Inglaterra
O percurso de Rui Costa espelha o de muitos jogadores da seleção nacional: a saída do país em busca de oportunidades, antes do regresso a casa para pôr essa experiência em prática.
Costa passou muitos anos em Inglaterra, onde construiu toda a sua carreira de treinador, e considera que o país lhe deu a oportunidade de se tornar o treinador e a pessoa que é hoje. O técnico destaca ainda o papel do futsal na sua formação, descrevendo-o como uma disciplina que exige atenção ao detalhe, compreensão tática e metodologia.
Apesar da ligação profunda a Inglaterra, as raízes cabo-verdianas nunca se perderam. Os pais de Costa são de Cabo Verde, a esposa é cabo-verdiana, e tanto ele como os filhos têm nacionalidade cabo-verdiana. Para o diretor técnico, representar o país é algo profundamente pessoal.
A aposta na diáspora e no talento local
Um dos pilares da revolução técnica foi olhar para fora das fronteiras. A federação identificou jogadores talentosos com ascendência cabo-verdiana espalhados por Portugal, Inglaterra, Espanha, Polónia, Austrália e outros países, trabalhando para estabelecer relações com eles e integrá-los na seleção nacional.
Mas a história não se resume à diáspora. Cerca de metade do plantel iniciou o percurso futebolístico em Cabo Verde antes de rumar a clubes como FC Porto, Benfica, Braga, Vitória de Guimarães e, mais recentemente, Besiktas, prova de que a formação doméstica continua a produzir talento competitivo a nível internacional.
Um plano de quatro anos para o futebol feminino
Rui Costa confirma que existe uma estratégia técnica ambiciosa de quatro anos para o futebol feminino e jovem, com o objetivo de criar estruturas sustentáveis que fortaleçam todas as etapas do percurso do jogador, da base ao alto rendimento. Segundo o diretor técnico, o futebol feminino está a receber mais atenção do que nunca no país.
O plano vai além do desporto. Na visão de Costa, nem todas as raparigas se tornarão futebolistas profissionais, mas todas crescerão como líderes nas suas famílias e comunidades — como mães, tias, professoras ou noutros papéis importantes, e é nesse impacto social que reside o verdadeiro valor do projeto.
Licenciamento de clubes: o próximo passo
Para sustentar o crescimento a longo prazo, a federação prepara um novo sistema de licenciamento de clubes. Trata-se de um projeto de longo prazo que envolve a Federação de Futebol, o Governo, a FIFA e a CAF, exigindo que os clubes cumpram padrões rigorosos em áreas como governação, formação de jovens, infraestruturas, administração, finanças e desempenho desportivo.
Para Costa, clubes mais fortes geram melhores jogadores, melhores treinadores e, no final, seleções nacionais mais fortes.
Nota editorial
A entrevista original foi realizada em torno da estreia da seleção feminina de Cabo Verde no WAFCON 2026, disputado em Marrocos, e insere-se no contexto mais amplo do crescimento do futebol nacional após a qualificação histórica da seleção masculina para o Mundial.
Recordamos que…
Cabo Verde viveu em 2026 um ano histórico para o futebol, com a estreia da seleção masculina no Mundial e, agora, a primeira presença da seleção feminina no WAFCON — dois marcos que resultam, segundo Rui Costa, de um trabalho técnico estruturado ao longo de vários anos.
Caboverde24.info
Fonte: Her Football Hub































