Remessas dos emigrantes valem mais de 10% da economia de Cabo Verde e atingiram 31 mil milhões de escudos

Em 30 segundos

​💶 Cabo Verde recebeu 31,37 mil milhões de escudos em remessas dos emigrantes em 2025.

​📈 O valor aumentou cerca de 3,1% num ano e atingiu um novo máximo.

​🇨🇻 O Banco Mundial estima que as remessas representaram mais de 10% do PIB de Cabo Verde.

​🌍 Em África, estes fluxos atingiram 124,2 mil milhões de dólares em 2025, segundo um novo relatório do FIDA.

​👨‍👩‍👧‍👦 A nível mundial, cerca de 1,1 mil milhões de familiares são apoiados pelas remessas.

31 mil milhões enviados para Cabo Verde

​É um dos números que melhor mostra a dimensão económica da diáspora cabo-verdiana.

​Em 2025, chegaram a Cabo Verde 31,37 mil milhões de escudos enviados pelos emigrantes, aproximadamente 284 milhões de euros.

​Segundo os dados do Banco de Cabo Verde, em 2024 tinham sido recebidos 30,41 mil milhões. O aumento foi, portanto, de cerca de 3,1% num ano, levando as remessas a um novo máximo.

​Portugal, Estados Unidos e França continuam entre as principais origens destas transferências, refletindo o peso histórico das comunidades cabo-verdianas nesses países.

Mais de 10% da economia

​O valor ganha outra dimensão quando comparado com o tamanho da economia nacional.

​O Banco Mundial estima que as remessas representaram mais de 10% do PIB de Cabo Verde em 2025.

​Diferentes indicadores internacionais apresentam percentagens ligeiramente distintas, mas todos confirmam um peso superior a um décimo da economia.

​Ou seja, não estamos apenas perante milhares de pequenas transferências entre emigrantes e familiares. Somadas, representam um dos grandes fluxos financeiros que entram todos os anos no arquipélago.

África recebeu 124,2 mil milhões de dólares

​O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência especializada das Nações Unidas, acaba de publicar o relatório Sending Money Home 2026.

​Os números mostram uma transformação de enorme dimensão.

​Em 2025, os países de baixo e médio rendimento receberam 728,6 mil milhões de dólares em remessas, praticamente o dobro do valor registado em 2016.

​Só África recebeu 124,2 mil milhões de dólares, mais 86% do que há uma década.

​Em 23 países, as remessas representam mais de 10% do PIB.

Quatro vezes a ajuda internacional

​Há outro número que ajuda a perceber a escala alcançada por estas transferências.

​Em 2025, as remessas recebidas pelos países de baixo e médio rendimento foram mais de quatro vezes superiores à ajuda pública ao desenvolvimento destinada a essas economias.

​Também ultrapassaram o investimento direto estrangeiro.

​Isto significa que o dinheiro enviado regularmente por milhões de emigrantes para as suas famílias já movimenta valores superiores a algumas das formas de financiamento internacional mais conhecidas.

Uma ligação que chega diretamente às famílias

​Por detrás dos milhares de milhões estão transferências individuais, muitas vezes realizadas todos os meses.

​O FIDA estima que cerca de 220 milhões de migrantes e membros das diásporas apoiam 1,1 mil milhões de familiares em todo o mundo.

​O dinheiro ajuda a pagar alimentação, saúde, educação e habitação, mas também pode transformar-se em poupança, pequenos negócios e investimento.

​É precisamente essa característica que diferencia as remessas de muitos outros fluxos financeiros: grande parte do dinheiro chega diretamente às famílias.

O que os números dizem sobre Cabo Verde

​No caso cabo-verdiano, os 31,37 mil milhões de escudos recebidos num único ano mostram que a relação económica entre o país e a sua diáspora continua muito presente.

​Mas olhar apenas para o valor absoluto não conta toda a história.

​Cabo Verde é uma pequena economia. Por isso, quando as remessas representam mais de 10% do PIB, o seu verdadeiro peso torna-se muito mais evidente.

​O novo relatório do FIDA coloca os números nacionais dentro de uma tendência mundial: as diásporas tornaram-se uma força económica cada vez mais relevante para os países de origem.

Caboverde24.info

Fontes: Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA); Banco de Cabo Verde

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