“A Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) enfrenta obstáculos históricos que vão além das dificuldades financeiras e da gestão política — trata-se de um desafio de mercado restrito, insularidade e elevada dependência do turismo. Casos internacionais mostram que, com gestão profissional e governança transparente, é possível reinventar uma companhia aérea — não há modelo único, mas princípios comuns que cabem ser adaptados à realidade cabo-verdiana”
Quatro exemplos de sucesso
Ethiopian Airlines: Excelência estatal, gestão autônoma e integração pan-africana
A Ethiopian Airlines permanece estatal, mas opera com autonomia operacional, gestão profissional e foco em meritocracia. O sucesso se apoia em visão de longo prazo (“Vision 2035”), liderança técnica e expansão internacional, inclusive com participação em outras companhias africanas (como Malawi Airlines, ASKY e Tchadia Airlines), consolidando sua posição como força pan-africana. Vale notar que a Ethiopian dispõe de vantagens de escala – um amplo mercado doméstico e um hub continental estratégico – que Cabo Verde não possui, mas cujas práticas de gestão podem ser adaptadas.
Air Malta / KM Malta Airlines: Reestruturação dentro das regras europeias
O caso maltês envolveu reestruturação rigorosa diante das exigências da União Europeia. A Air Malta não foi simplesmente extinta: houve uma transição cuidadosa, com cortes, renegociações e criação da KM Malta Airlines. Como parte do acordo com Bruxelas, prevê-se que cerca de 30–35% da nova empresa seja privatizada, reduzindo o controle estatal e promovendo eficiência, mas ainda sob participação relevante do Estado.
TAAG Angola Airlines: Transição planejada para abertura
A privatização da TAAG está em fase de estudo, com previsão oficial de início do processo em 2026 – ainda sem desfecho definitivo. O governo busca parceiro internacional estratégico e modernização gradativa da gestão, com sinais positivos em rentabilidade, mas mantendo o controle sobre decisões estruturais.
Air Mauritius: Recuperação após crise
Após processo complexo de reestruturação e administração judicial por conta da pandemia, a Air Mauritius emergiu apresentando sinais claros de recuperação operacional. Em 2025, registrou seu melhor desempenho financeiro em quase uma década, fruto de gestão renovada, alinhamento com credores e ampliação de parcerias para conectar-se a novos mercados.
Quatro lições para a TACV
- Reforma de governança, redução da dependência política e fortalecimento da autonomia operacional.
- Gestão profissional com metas claras de desempenho e transparência, seja no modelo estatal ou híbrido.
- Parcerias estratégicas e alianças (code-share, joint ventures) são essenciais para superar limitações de mercado e ampliar conectividade.
- Diálogo social e negociação com trabalhadores são fundamentais para garantir legitimidade e adesão às reformas.
Conclusão
Para a TACV, o caminho passa por profissionalização da gestão, autonomia operacional e governança transparente — aprendendo com Ethiopian Airlines, Air Malta/KM, TAAG e Air Mauritius, mas adaptando as soluções à realidade cabo-verdiana: um arquipélago de mercado reduzido, altamente dependente do turismo e com conectividade como ativo estratégico. O futuro do transporte aéreo nacional dependerá da coragem de implementar reformas profundas, reconhecendo limites e potencialidades específicas do país, além de envolver todas as partes interessadas no processo de mudança.
Cabo Verde24
Fontes:
GetTransfer
Reuters
Ch-Aviation
TrendsnAfrica
Imagem do artigo aprimorada com IA



































