Bilhetes para o Mundial 2026: adeptos dos Tubarões Azuis sem resposta da FCF e confusos com a plataforma de venda

A menos de trinta dias do primeiro jogo de Cabo Verde no Campeonato do Mundo, muitos adeptos ainda não conseguiram comprar o seu bilhete e dizem sentir-se abandonados pela federação”

O relógio conta cada vez mais depressa. A 15 de junho, os Tubarões Azuis estreiam-se na história do futebol mundial frente à Espanha, no Atlanta Stadium, na Geórgia. Mas para milhares de adeptos cabo-verdianos — residentes no arquipélago, na diáspora ou simplesmente apaixonados pela seleção — o sonho de estar nas bancadas começa a parecer cada vez mais distante.

​A redação do Caboverde24.info recebeu nos últimos dias numerosas mensagens de adeptos que dizem não ter obtido qualquer resposta após se registarem na plataforma oficial de venda de bilhetes, nem após enviarem emails diretamente à Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF). O sentimento partilhado é de desorientação e de abandono.

A plataforma que confunde

​Como anunciámos em abril, a FCF indicou que a venda dos bilhetes seria feita única e exclusivamente através do site oficial criado para a gestão do processo, em conformidade com o regulamento de bilhética da FIFA.

​O problema é que muitos adeptos que acederam ao link partilhado pela federação nas suas redes sociais encontraram não um sistema simples de compra de ingressos, mas um formulário extenso com pedidos de informação sobre hotel, voo, transfer e pacotes turísticos — um formato típico de uma agência de viagens, não de um portal de venda direta de bilhetes desportivos.

O link que leva à agência de viagens

A estranheza tem fundamento: a empresa por detrás da plataforma, Atlântida WTA, é de facto uma agência de viagens. O endereço de email de contacto disponibilizado reforça esta impressão junto dos adeptos, que questionam se estão a lidar com um serviço oficial da FCF ou com uma operação comercial de pacotes turísticos.

Quem é a Atlântida WTA?

​A Atlântida WTA é uma marca da empresa Atlântida Viagens e Turismo S.A., fundada em Lisboa em 1991. Com mais de 30 anos de experiência no mercado do turismo e do business travel, a agência tem escritórios em Portugal e em Angola, integrando o grupo global de agências Travel Leaders.

​A sua atividade centra-se em viagens de negócios, lazer, eventos corporativos e serviços de concierge de luxo. Em nenhum momento da sua comunicação institucional a empresa apresenta experiência prévia em bilhética desportiva ou em gestão de ingressos para grandes eventos internacionais, tratando-se de uma agência de viagens generalista sediada em Portugal.

O lançamento da plataforma

Uma contradição que não foi explicada

​Aqui reside o nó central da questão: a FCF afirma publicamente que não tem qualquer acordo ou parceria com organizações terceiras para a venda de bilhetes. No entanto, a plataforma oficial opera sob o domínio de uma agência de viagens privada portuguesa, solicitando informações típicas de um pacote turístico.

​A referência explícita num comunicado oficial a uma “agência responsável” contraria a narrativa de que não existe qualquer parceiro externo envolvido. A pergunta que permanece sem resposta é simples: qual é o contrato entre a FCF e a Atlântida WTA e se a agência aufere comissão sobre cada bilhete vendido.

O visto, outro obstáculo

​Como já alertámos, a compra do bilhete não garante automaticamente o direito à emissão de visto de entrada nos Estados Unidos. Esta ressalva, somada à falta de informação clara sobre o processo de compra, cria um cenário de incerteza para os adeptos que precisam de planear com antecedência o ingresso, a viagem, o alojamento e o pedido de visto americano.

A deceção que cresce

​Para muitos adeptos, a compra do bilhete é a primeira prioridade. Sem o ingresso confirmado, não há plano possível. Com menos de trinta dias para o pontapé de saída histórico, o tempo útil está a esgotar-se rapidamente. A falta de comunicação clara por parte da FCF está a transformar um momento de festa num exercício de frustração.

​A redação do Caboverde24.info tentou contactar diretamente a Federação Cabo-verdiana de Futebol para obter esclarecimentos sobre as queixas recebidas. Realizámos várias tentativas de contacto telefónico, sem que nenhuma delas tenha obtido resposta. Consultámos igualmente a página oficial da FCF no Facebook, onde verificámos não existir qualquer forma de envio de mensagens privadas disponível para o público.

Caboverde24.info

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