Quem é Damião Medina e por que pode perder o seu mandato

“Uma condenação por violência baseada no género e suspeitas de irregularidades no registo criminal colocam em causa a posse de um dos eleitos de Santo Antão.”

Contexto analítico

​A propósito do caso que tem circulado nas redes sociais e em alguns meios de comunicação, a redação do Caboverde24.info decidiu analisar em detalhe o que diz a legislação eleitoral e penal cabo-verdiana em vigor, bem como aprofundar os contornos jurídicos que podem determinar a perda do mandato de Damião Medina.

Quem é Damião Medina?

Damião Medina é um dos eleitos pelo círculo de Santo Antão nas legislativas de 2026, integrando as listas do Movimento para a Democracia (MpD). Com mais de 15 anos de actividade pública na ilha, ocupou a presidência da Comissão Concelhia do MpD no Porto Novo entre 2013 e 2022 e distinguiu-se como um dos rostos mais activos da bancada parlamentar, com intervenções frequentes sobre temas como o aeroporto de Santo Antão, o porto do Porto Novo e as políticas sociais do executivo. Em maio de 2025, anunciou a sua intenção de reconquistar a liderança concelhia do partido na região.

​O seu percurso inclui, no entanto, um capítulo judicial marcante: em 2021, a Comissão Permanente da Assembleia Nacional levantou a sua imunidade na sequência de uma acusação de violência baseada no género (VBG), tendo sido subsequentemente julgado e condenado a dois anos de prisão com pena suspensa.

O que está em causa

​Damião Medina corre sérios riscos de não tomar posse, caso sejam aplicados os preceitos legais durante o processo de verificação de mandatos da XI legislatura, previsto para o dia 18 de junho.

​O problema reside numa questão técnica mas de enorme peso jurídico: a pena de prisão suspensa de dois anos termina apenas a 4 de fevereiro de 2027, o que significa que, no momento das eleições, o eleito se encontrava ainda a cumprir uma condenação — ainda que em regime de suspensão.

O que diz a lei

​A lei prevê inelegibilidades para determinados tipos de condenações, mas no caso de penas suspensas por crimes com moldura inferior a três anos, a inelegibilidade não é automática. Contudo, a existência de uma pena em curso deve constar no registo criminal, o que pode inviabilizar a candidatura no momento da sua formalização.

​A suspensão da execução da pena é uma medida que substitive o cumprimento físico em estabelecimento prisional, mas não apaga os efeitos secundários da condenação fixados na sentença. O estatuto de condenado com pena em curso mantém-se e tem necessariamente reflexo no certificado de registo criminal.

O registo criminal: o elemento decisivo

​O ponto central deste caso reside precisamente no certificado de registo criminal apresentado no momento da formalização da candidatura. A situação coloca duas hipóteses igualmente problemáticas: se o certificado estava limpo, há razões sérias para suspeitar de uma irregularidade na sua emissão, uma vez que uma condenação com pena em curso deveria necessariamente constar. Se, pelo contrário, o certificado reflectia a condenação, o tribunal da comarca deveria ter notificado o mandatário da lista para substituir o candidato no prazo legal — geralmente 48 horas — sob pena de rejeição daquela vaga.

​Não há registo público de que qualquer destes procedimentos tenha sido seguido no caso em apreço, o que torna a verificação de mandatos, prevista para 18 de junho, num momento de particular relevância jurídica.

O que acontece a seguir

​A suspensão da execução da pena de prisão não reabilita automaticamente os direitos cívicos do cidadão para efeitos de candidatura; o impedimento mantém-se até que a pena seja integralmente cumprida, extinta ou ocorra a reabilitação legal.

​Se a irregularidade for confirmada na verificação de mandatos, Damião Medina não poderá tomar posse, independentemente do resultado eleitoral obtido.

We recall that...

Damião Medina viu a sua imunidade levantada em 2021 pela Comissão Permanente da Assembleia Nacional, na sequência de uma acusação de violência baseada no género. Foi julgado e condenado a dois anos de prisão com pena suspensa. A sua inclusão nas listas do MpD para as eleições de 2026 gerou comentários nas redes sociais, e o caso deverá ser analisado formalmente no processo de verificação de mandatos da XI legislatura agendado para o próximo dia 18 de junho de 2026.

Caboverde24.info

Fonte: A redação

Would you like to be part of this blog?

Share your ideas and experiences with us!

  • Suggest topics you would like to see published here.
  • Tell us a story or life experience that has had a significant impact on you.
  • Send photos of your city or community.
  • Promote events near you and share any information you consider important to enrich our Cape Verdean community.

Your participation is essential to make this space increasingly lively, useful, and accessible to all of us.
info@caboverde24.com

2 Responses

  1. “Sugeria que se explicasse, para bem de todos, quais poderão ser as consequências de o vencedor das eleições legislativas ser arguido num processo judicial.”

    1. Obrigado pelo seu comentário, Sr. João.
      É uma questão pertinente e vamos tê-la em conta para um próximo artigo. A distinção entre arguido e condenado, e as respectivas consequências jurídicas no exercício de cargos públicos em Cabo Verde, merece de facto uma análise própria e aprofundada.
      A Redação — Caboverde24.info

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields marked with *