easyJet aceita compra de 6,9 mil milhões de libras: o que pode mudar para Cabo Verde?

“Fundo norte-americano Castlelake avança com proposta pela transportadora britânica, que garante atualmente mais de 220 mil lugares para o arquipélago”

Uma negociação que já dura meses

​A easyJet, companhia aérea britânica de baixo custo, anunciou no domingo, dia 5 de julho de 2026, que chegou a um acordo de princípio com o fundo de investimento norte-americano Castlelake para uma oferta de aquisição avaliada em cerca de 5,2 mil milhões de libras (6,9 mil milhões de dólares). A proposta, que corresponde à quinta apresentada pela Castlelake, fixa o valor de 6,90 libras por ação, um montante superior às quatro tentativas anteriores, todas rejeitadas pela administração da easyJet.

​A Castlelake revelou o seu interesse formal na easyJet em finais de maio, o que fez disparar de imediato as ações da companhia no mercado bolsista. As propostas anteriores tinham sido classificadas pela easyJet como oportunistas, numa altura em que o setor da aviação enfrenta custos de combustível mais elevados e procura reduzida devido à instabilidade no Médio Oriente. O conselho de administração da easyJet indicou que estaria disposto a recomendar aos acionistas uma oferta formal, caso a Castlelake a apresente até 3 de agosto.

Dez rotas e mais de 220 mil lugares para Cabo Verde

​A easyJet iniciou operações em Cabo Verde em outubro de 2024, com a rota Lisboa-Sal. Menos de um ano depois, a companhia já oferece dez ligações ao arquipélago: a partir de Lisboa e Porto para as ilhas do Sal, Boa Vista, Santiago (Praia) e São Vicente, além de rotas a partir de Londres-Gatwick, Manchester e Milão-Malpensa.

​No total, são mais de 220 mil lugares disponíveis, um crescimento de conectividade europeia estimado em 225% num só ano. O Ministério do Turismo e Transportes de Cabo Verde já tinha destacado este investimento como prova da confiança do mercado internacional no crescimento turístico do país.

Quem é a Castlelake?

​A Castlelake é uma sociedade de investimento norte-americana especializada em locação de aeronaves, com relações comerciais junto de cerca de 200 companhias aéreas em todo o mundo. Para cumprir as regras europeias que exigem controlo maioritário por cidadãos da União Europeia, a Castlelake estruturou a proposta com parceiros europeus, incluindo o antigo diretor de operações da easyJet, Peter Bellew, e o gestor Mark Breen.

O que pode mudar para Cabo Verde

​No curto prazo, não é esperada qualquer alteração às operações em Cabo Verde: a Castlelake comprometeu-se publicamente a apoiar o crescimento futuro da easyJet. No entanto, fundos de investimento deste tipo tendem, a médio prazo, a rever rotas com menor rentabilidade. As ligações mais recentes — Boa Vista, São Vicente e Milão — poderão ser as primeiras a ser avaliadas, enquanto a rota para o Sal, a mais antiga e consolidada, tende a manter-se protegida.

Nota editorial:

A operação ainda não é definitiva. A Castlelake tem até ao dia 3 de agosto para apresentar uma oferta vinculativa, sujeita ainda a aprovação regulatória na União Europeia.

We recall that...

A easyJet chegou a Cabo Verde em outubro de 2024 e, em menos de um ano, tornou-se um dos principais operadores de conectividade entre o arquipélago, Portugal, o Reino Unido e Itália, com forte impacto no turismo independente e nas ligações à diáspora cabo-verdiana. O acordo de princípio com a Castlelake foi anunciado formalmente a 5 de julho de 2026.

Caboverde24.info

Fonte: Reuters, easyJet

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