“O jornal português O Mirante recorda Artur Barbosa, médico nascido na ilha do Fogo que, doze anos após a sua morte, continua vivo na memória colectiva da Chamusca”
Um legado que atravessa o atlântico
Há histórias que atravessam oceanos e continuam a marcar gerações muito depois de terminarem. É o caso de Artur Barbosa, médico nascido na ilha do Fogo, em Cabo Verde, que morreu há 12 anos e que continua vivo na memória colectiva do concelho da Chamusca, em Portugal, onde exerceu medicina durante quase três décadas.
Do Fogo para o Ribatejo
Artur Barbosa nasceu em 1957, na ilha do Fogo. Aos 17 anos mudou-se para Santarém para concluir os estudos secundários, tendo posteriormente ingressado na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, em 1976.
Escolheu a Medicina Geral e Familiar por gostar de estar próximo das pessoas, uma opção que viria a definir toda a sua carreira. Chegou à Chamusca em 1986 e ali permaneceu até à sua morte, exercendo funções como director da Unidade de Saúde Familiar do concelho e como médico legista no gabinete médico-legal do Médio Tejo.
Quem foi Artur Barbosa?
Natural da ilha do Fogo, Artur Barbosa integra o grupo de milhares de caboverdianos que, ao longo de décadas, emigraram para Portugal e ali construíram carreiras de destaque em diferentes áreas.
No seu caso, a medicina tornou-se o veículo através do qual deixou uma marca duradoura numa comunidade portuguesa. O jornal O Mirante distinguiu-o, a título póstumo, com o título de “Memória de Uma Personalidade Singular”, reconhecendo nele um exemplo de cidadania e entrega aos outros.
Um médico que nunca desligava o telemóvel
O que distinguiu Artur Barbosa, segundo quem o conheceu, foi a disponibilidade constante e uma proximidade pouco comum na relação com os doentes.
Raramente desligava o telemóvel e mantinha-se contactável fora do horário de trabalho. Recusava usar bata, por considerar que criava distância entre médico e paciente, e defendia que, perante um idoso ou uma criança, o profissional de saúde devia agir como se estivesse a cuidar da própria família.
Uma partida que uniu uma comunidade
Artur Barbosa sentiu-se mal a 25 de julho de 2014, enquanto dava consultas no Centro de Saúde da Chamusca. Viria a falecer dias depois, a 2 de agosto, no Hospital de São José, em Lisboa, aos 57 anos.
O seu funeral transformou-se numa manifestação colectiva de pesar, com uma multidão a acompanhar o cortejo fúnebre entre a Igreja Matriz e o cemitério da Chamusca.
Uma frase que resume uma vida
Artur Barbosa costumava dizer que, sempre que fosse possível facilitar a vida às pessoas, isso devia ser feito.
Doze anos depois da sua morte, essa frase ajuda a explicar por que razão a Chamusca continua a recordá-lo com tanto carinho — e por que a sua história, com raízes na ilha do Fogo, continua a ser motivo de orgulho para a diáspora caboverdiana em Portugal.
Nota editorial
Este artigo baseia-se em reportagem original do jornal português O Mirante, que acompanhou de perto a comunidade da Chamusca ao longo dos anos. Caboverde24.info destaca esta história pela sua ligação directa a Cabo Verde e pelo valor que representa para a diáspora.
Recordamos que…
Artur Barbosa, médico nascido na ilha do Fogo, faleceu a 2 de agosto de 2014, aos 57 anos, depois de quase três décadas dedicadas à comunidade da Chamusca, em Portugal.
Caboverde24.info
Fonte e imagem: O Mirante




















One response
História cheia de emoções. Morreu muito novo. Um médico com letra maiúscula.