Cabo Verde: 53 espécies de tubarões e dois terços ameaçados de extinção

Em 30 segundos

  • ​🦈 53 espécies de tubarões estão identificadas nas águas de Cabo Verde.
  • ​⚠️ 66% das espécies encontram-se ameaçadas de extinção.
  • ​🌊 Cabo Verde lidera a maior proporção de espécies em risco na Macaronésia.
  • ​🎣 Pesca e degradação de habitats constituem as principais ameaças.
  • ​🔬 O investigador Jaquelino Varela defende maior fiscalização e um plano nacional de conservação.

Cabo Verde tem 53 espécies de tubarões identificadas nas suas águas e 66% estão ameaçadas de extinção. Os dados fazem parte de uma investigação científica liderada pelo biólogo cabo-verdiano Jaquelino Varela e voltaram à atualidade numa entrevista publicada este domingo, 23 de agosto, pela BANTUMEN.

​O estudo científico, publicado em 2025 na prestigiada revista internacional Frontiers in Marine Science, analisou os arquipélagos de Cabo Verde, Canárias, Madeira e Açores, identificando um total agregado de 78 espécies de tubarões na região da Macaronésia.

Cabo Verde apresenta a maior proporção de espécies ameaçadas

​As Canárias registam a maior diversidade absoluta, com 56 espécies, seguidas de perto por Cabo Verde, com 53 espécies, Madeira, com 52, e Açores, com 45.

​É no estado de conservação, porém, que o arquipélago cabo-verdiano mais se destaca pela negativa: 66% das espécies presentes em Cabo Verde estão ameaçadas de extinção, constituindo a percentagem mais elevada entre os quatro territórios estudados. Em comparação, as Canárias registam 61%, a Madeira 52% e os Açores 49%.

​A investigação aponta a pressão da pesca e a degradação acelerada dos habitats marinhos como os principais fatores de impacto direto sobre as populações de tubarões. Cabo Verde apresenta ainda uma maior magnitude e diversidade de ameaças combinadas, a par de uma elevada vulnerabilidade às alterações climáticas.

​Por esta conjugação crítica de fatores, o estudo classifica o arquipélago cabo-verdiano como a área de maior prioridade para a conservação de tubarões em toda a região geográfica analisada.

“O país ainda não está a fazer o suficiente”

​Na entrevista concedida à BANTUMEN, Jaquelino Varela alerta que Cabo Verde ainda não alcançou um nível de proteção compatível com a riqueza e singularidade da sua biodiversidade marinha.

​Entre as principais lacunas estruturais, o investigador destaca a escassez de fiscalização efetiva, os desafios no cumprimento prático das medidas de proteção, a urgência de mais estudos e monitorização contínua, além da necessidade crítica de mapear e proteger habitats essenciais.

Jaquelino Varela defende medidas concretas, tais como:

  • ​O reforço rigoroso da regulação e fiscalização da atividade piscatória;
  • ​A proteção legal e vigilância ativa de berçários e áreas críticas;
  • ​A criação e implementação de um Plano de Ação Nacional para a Conservação e Gestão dos Tubarões.

​O trabalho de investigação integrou igualmente o conhecimento ecológico tradicional de pescadores artesanais de dez comunidades da ilha de Santiago, cujos relatos convergem na constatação de um acentuado declínio das populações de tubarões ao longo das últimas décadas.

​Para o investigador, preservar estes predadores de topo vai muito além da defesa de uma espécie isolada: os tubarões são vitais para o equilíbrio e saúde dos ecossistemas marinhos. Num país insular profundamente dependente dos recursos do mar e da Economia Azul, a sua proteção é indispensável para salvaguardar o património natural e económico de Cabo Verde.

Caboverde24.info

Fontes: Frontiers in Marine Science; Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; BANTUMEN.

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