Depois de enterrar 25 vítimas, Fogo acorda de luto

Em 30 segundos

  • ​🕯️ Sete vítimas foram sepultadas durante a madrugada de domingo e, horas depois, decorreram as cerimónias fúnebres das restantes 18.
  • ​🏥 Treze feridos permaneciam internados no último balanço, quatro deles sob cuidados especiais. Um dos 14 sobreviventes já recebeu alta.
  • ​🤝 Depois dos funerais começa uma etapa mais longa: acompanhar os sobreviventes e apoiar famílias, escolas e comunidades profundamente atingidas.

Fogo acorda esta segunda-feira para um dia diferente

​Depois das sirenes, do movimento das equipas de socorro e das longas cerimónias fúnebres, começa uma fase mais silenciosa: o primeiro dia em que muitas famílias terão de confrontar-se com a ausência de quem não voltou para casa.

​Sete das 25 vítimas foram sepultadas por volta das 03:30 de domingo. Horas depois, às 11:30, começaram no cemitério de São Lourenço as cerimónias das restantes 18 vítimas, após uma missa de corpo presente.

​As urnas alinhadas junto das famílias compuseram uma das imagens mais dolorosas do fim de semana. Presidente da República, primeiro-ministro, membros do Governo e autoridades municipais, civis e religiosas acompanharam as despedidas.

Uma geração profundamente atingida

​A dimensão da perda torna-se ainda mais pesada pela juventude de muitas das vítimas.

​Por detrás do balanço de 25 mortos existem famílias, colegas, amigos e lugares que ficarão vazios. Nas escolas e comunidades multiplicaram-se mensagens de pesar, homenagens e recordações dos jovens que perderam a vida.

​O impacto ultrapassa as famílias diretamente atingidas. Em comunidades onde relações familiares, escolares e de vizinhança se cruzam diariamente, uma tragédia desta dimensão deixa marcas muito para além das casas onde houve uma perda.

Da primeira notícia aos funerais: a cronologia da dor

A preocupação continua no hospital

​Enquanto as famílias enfrentam o luto, permanece a preocupação com os sobreviventes.

​No último balanço divulgado pelo ministro da Saúde, Lúcio Miranda, 13 pessoas continuavam internadas no Hospital Regional São Francisco de Assis. Inicialmente eram 14, mas um dos pacientes recebeu alta e regressou para junto da família.

​Os internados têm entre seis e 16 anos.

​Quatro permaneciam sob cuidados especiais devido à gravidade dos traumatismos, sobretudo cranianos e abdominais. Alguns foram submetidos a intervenções cirúrgicas e encontram-se entubados e com respiração assistida.

​O estado dos quatro era considerado estável. As autoridades de saúde apontaram as 24 a 48 horas seguintes como importantes para acompanhar a evolução dos casos mais delicados.

​Uma equipa multidisciplinar foi mobilizada para o Fogo para reforçar os profissionais locais. Segundo o ministro da Saúde, nesta primeira fase estão a ser assegurados na ilha os mesmos cuidados que poderiam ser prestados na Praia.

​Uma mulher grávida permanece também internada. No último balanço, tanto ela como o bebé encontravam-se estáveis.

​Depois dos funerais começa outra etapa

​O Governo assumiu as despesas dos funerais e mobilizou apoio às famílias, incluindo acompanhamento psicológico e outras necessidades decorrentes da tragédia.

​Cabo Verde encontra-se em dois dias de luto oficial nacional. Durante este período, as bandeiras permanecem a meia haste nos edifícios públicos e nas representações diplomáticas e consulares, enquanto espetáculos e manifestações públicas foram cancelados.

​Mas no Fogo o luto não terminará quando terminar o período oficial.

​Há famílias que terão de reorganizar as suas vidas, sobreviventes que terão um caminho de recuperação pela frente e jovens que regressarão às suas comunidades e escolas sem alguns dos amigos e colegas que partiram naquele passeio.

Recordamos que a tragédia ocorreu ao final da tarde de sábado, quando um autocarro que transportava estudantes e crianças de regresso de Chã das Caldeiras se despistou e caiu numa ravina em Campanas de Cima, vitimando mortalmente 25 pessoas e ferindo outras 14.

​Depois das sirenes, dos funerais e das homenagens, começa talvez a parte mais longa: aprender a viver com o que aconteceu.

​Caboverde24.info

​Fontes: Inforpress; Governo de Cabo Verde; Boletim Oficial.

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