“A cidade gastou pelo menos 440.649 dólares na resposta de segurança às noites de celebração. A polícia absorveu 80% dos custos e a despesa com os reforços da State Police ainda não está incluída.”
Em 30 segundos
💰 Brockton gastou pelo menos 440.649 dólares na operação montada durante as celebrações do percurso de Cabo Verde no Mundial.
👮 A polícia municipal representou 354.487 dólares, cerca de 80% dos custos contabilizados.
🚔 A Massachusetts State Police chegou a mobilizar até 50 agentes de uma só vez — despesa não incluída no total municipal.
🚨 Durante o período foram efetuadas 82 detenções, mas até 8 de setembro não havia detenções relacionadas com os dez feridos a tiro e o esfaqueamento.
⏰ Depois dos incidentes, a cidade impôs um recolher obrigatório para o último jogo: nessa noite não houve registo de tiros nem esfaqueamentos.
Uma conta de pelo menos 440 mil dólares
Quase três meses depois das noites que acompanharam a participação histórica de Cabo Verde no Mundial, Brockton fez as contas à operação de segurança montada para responder aos incidentes.
O custo conhecido chegou a 440.649 dólares, segundo o balanço apresentado pelos responsáveis da polícia e dos bombeiros aos vereadores da cidade.
A maior fatia pertence à polícia de Brockton: 354.487 dólares. Os bombeiros representaram 71.232 dólares e os serviços de obras públicas outros 14.930 dólares.
O presidente da Câmara, Moises Rodrigues, indicou que a cidade suportará estes custos através do orçamento da segurança pública.
Mas os 440 mil dólares ainda não representam todo o custo público da operação.
Reforços estaduais ficam fora da conta
A Massachusetts State Police reforçou a segurança em Brockton e chegou a enviar até 50 agentes de uma só vez.
O custo dessas mobilizações não está incluído nas contas municipais e Brockton não terá de suportá-lo.
O valor para os cofres estaduais ainda não era conhecido quando o balanço foi divulgado. O jornal The Enterprise apresentou um pedido de acesso a informação pública para tentar apurar essa despesa.
Isso significa que o encargo total suportado por entidades públicas durante o período será superior aos 440.649 dólares já contabilizados pela cidade.
Dez feridos a tiro e um esfaqueamento
A forte mobilização das autoridades aconteceu depois de sucessivos incidentes durante celebrações espontâneas nas ruas.
A primeira grande concentração, em 15 de junho, após o empate de Cabo Verde com a Espanha, surpreendeu as autoridades, mas terminou sem registo de tiros ou esfaqueamentos.
A situação mudou nas partidas seguintes:
- Após o jogo com o Uruguai, seis pessoas foram atingidas a tiro e uma foi esfaqueada;
- Após o encontro com a Arábia Saudita, outras quatro pessoas foram atingidas a tiro na zona de Main Street.
No total, as autoridades confirmaram dez pessoas atingidas a tiro e um esfaqueamento durante o período.
82 detenções, mas uma investigação ainda em aberto
A polícia de Brockton efetuou 65 detenções e a Massachusetts State Police outras 17, num total de 82 detenções.
Muitas estiveram relacionadas com infrações menos graves, entre elas desordem pública.
Há, contudo, uma diferença importante entre esses números e os episódios mais graves: até 8 de setembro, não tinha sido efetuada qualquer detenção relacionada com os tiroteios ou o esfaqueamento.
Ou seja, dezenas de pessoas foram detidas durante as operações, mas os autores dos ataques que provocaram feridos continuavam por identificar judicialmente.
Turnos de 16 horas e câmaras reposicionadas
O balanço revela também a dimensão do esforço exigido aos serviços de emergência.
A chefe da polícia, Brenda Pérez, explicou que foi necessário cancelar folgas e chamar agentes ao serviço. Alguns trabalharam turnos de pelo menos 16 horas, havendo casos de períodos ainda mais prolongados.
À medida que os jogos avançaram, a cidade adaptou a resposta. Câmaras municipais foram reposicionadas para zonas críticas, e polícia, bombeiros e proteção civil passaram a operar de forma coordenada a partir do centro de operações.
A polícia considera agora necessário investir em mais equipamento de proteção e num sistema móvel de videovigilância.
O recolher obrigatório mudou a última noite
Perante os incidentes anteriores, Moises Rodrigues tomou uma medida excecional para a partida de 3 de julho, quando Cabo Verde enfrentou a Argentina: decretou o recolher obrigatório.
Naquela noite, não houve registo de feridos por arma de fogo nem de esfaqueamentos em Brockton.
O resultado tornou-se uma das referências usadas pelas autoridades na avaliação da eficácia das medidas adotadas ao longo das várias noites.
“Não representa a comunidade cabo-verdiana”
O balanço chegou também ao debate sobre a imagem de Brockton e da sua expressiva comunidade cabo-verdiana.
A vereadora Carla DaRosa fez questão de distinguir os autores dos incidentes da comunidade no seu conjunto, sublinhando que os atos de violência não representam os cabo-verdianos da cidade.
Os eventos oficiais realizados no Campanelli Stadium também decorreram sem qualquer episódio de violência, segundo os responsáveis locais.
Para Brockton, ficam agora três questões centrais: uma despesa municipal superior a 440 mil dólares, investigações ainda sem detenções pelos crimes mais graves e o desafio de garantir segurança em grandes eventos sem estigmatizar toda uma comunidade.
Caboverde24.info
Fonte: The Enterprise — reportagem baseada no balanço apresentado pela Polícia e pelos Bombeiros de Brockton ao Finance Committee da cidade.





























