Uma reportagem britânica revela as dificuldades de um reformado para recuperar as poupanças investidas há 16 anos. O caso está relacionado com empreendimentos turísticos na ilha do Sal, associados à marca Meliá, embora o hotel do investidor não seja identificado nominalmente.
Em 30 segundos
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💷 Ken Robinson investiu cerca de 119 mil libras das suas poupanças de reforma num quarto de hotel em Cabo Verde, em 2010.
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🏨 Esperava uma rentabilidade próxima de 7% ao ano, antes da dedução de encargos, mas os resultados ficaram abaixo das expectativas.
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👤 Aos 69 anos, voltou a trabalhar como motorista para complementar a reforma.
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⚖️ Apresentou recentemente um pedido de compensação ao sistema britânico de proteção financeira, que pode atingir 85 mil libras, dependendo da elegibilidade.
Investimento feito em 2010 continua a causar dificuldades
Ken Robinson, um britânico de 69 anos, revelou ao jornal The Telegraph, numa reportagem publicada a 8 de outubro, as dificuldades que enfrenta para recuperar cerca de 119 mil libras investidas, em outubro de 2010, num empreendimento hoteleiro em Cabo Verde.
Na altura, Robinson trabalhava como consultor financeiro e decidiu aplicar praticamente todas as suas poupanças de reforma na aquisição de um quarto de um complexo turístico de cinco estrelas.
O investimento foi apresentado com uma expectativa de rendimento anual próxima de 7%, sujeita à dedução das despesas de manutenção e gestão.
Contudo, segundo o seu testemunho, o empreendimento demorou mais de três anos a entrar em funcionamento e, durante esse período, não recebeu rendimentos.
Posteriormente, os pagamentos chegaram a atingir cerca de 5.500 euros anuais, montante pago em euros e equivalente a aproximadamente 4.650 libras, segundo a reportagem. A rentabilidade, porém, acabou por ficar abaixo das expectativas, situação agravada pela pandemia e pelos encargos associados à exploração hoteleira.
Atualmente, Robinson trabalha como motorista numa empresa do setor automóvel, transportando peças e veículos, para complementar a pensão de reforma.
Empreendimentos associados à marca Meliá
Embora a reportagem não identifique nominalmente o hotel onde Robinson investiu, existem elementos que permitem estabelecer um contexto mais preciso.
O Financial Services Compensation Scheme (FSCS), organismo britânico de compensação financeira, acompanha investimentos imobiliários relacionados com os empreendimentos Dunas Beach Resort e Llana Beach Resort, ambos na ilha do Sal.
Estes empreendimentos foram desenvolvidos pelo grupo imobiliário britânico The Resort Group e estão associados à marca Meliá Hotels International, que assumiu a gestão hoteleira através de acordos com o promotor.
O Meliá Dunas Beach Resort & Spa abriu em novembro de 2014, enquanto o Meliá Llana Beach Resort & Spa entrou em funcionamento em dezembro de 2016.
O The Telegraph indica que o empreendimento onde Robinson investiu está entre os dois resorts analisados pelo FSCS, mas não esclarece qual deles.
Importa distinguir as responsabilidades: a associação dos hotéis à marca Meliá não significa que a cadeia espanhola tenha vendido o investimento financeiro ou seja responsável pelas perdas reclamadas pelo pensionista.
O quarto existe, mas vendê-lo é difícil
Um dos aspetos mais relevantes do testemunho é que o investimento corresponde a um ativo imobiliário existente. O problema está na dificuldade de recuperar o capital aplicado.
Segundo o jornal britânico, a operação foi realizada através de um plano de pensões individuais administrado pela Rowanmoor. Como o investimento se encontrava associado àquela entidade quando esta entrou em insolvência, a situação acrescentou obstáculos jurídicos à eventual venda do imóvel.
A reduzida procura por este tipo de investimento também dificulta a recuperação do dinheiro.
Existe ainda uma questão fiscal: uma eventual venda por um preço significativamente inferior ao valor de mercado poderá desencadear encargos fiscais no Reino Unido, caso a operação seja considerada um pagamento não autorizado ao abrigo das regras dos planos de pensões.
Nessas circunstâncias, poderá aplicar-se uma tributação de 40% sobre o montante considerado não autorizado.
Ou seja, o problema não é apenas vender com prejuízo, mas a venda poder ser considerada fiscalmente irregular.
Robinson admite que uma das possibilidades de recuperar o capital seria a aquisição de todo o empreendimento por uma grande cadeia hoteleira, mas considera essa hipótese pouco provável.
Pedido de compensação pode atingir 85 mil libras
A Rowanmoor Personal Pensions foi oficialmente declarada em incumprimento pelo Financial Services Compensation Scheme em 15 de dezembro de 2023, data confirmada no portal oficial da entidade britânica.
O organismo continua a analisar individualmente os pedidos de clientes afetados.
Nos pedidos relacionados com operadores de determinados planos de pensões individuais, a compensação pode atingir 85 mil libras por pessoa elegível e por empresa, desde que estejam reunidas as condições legais.
Este valor representa um limite máximo possível, não uma indemnização automaticamente atribuída. O sistema também não cobre automaticamente investimentos que simplesmente tenham apresentado rendimentos inferiores aos esperados.
Robinson apresentou recentemente um pedido ao FSCS, mas ainda não existe uma decisão pública conhecida sobre a sua elegibilidade ou o montante que poderá receber.
Um problema já conhecido em Cabo Verde
As dificuldades enfrentadas por pensionistas britânicos que investiram em empreendimentos turísticos cabo-verdianos não são uma novidade.
Em 26 de março de 2026, o Caboverde24.info publicou uma notícia sobre investidores britânicos que receavam perder as poupanças aplicadas em unidades hoteleiras na ilha do Sal, incluindo os empreendimentos Tortuga Beach e Dunas Beach.
O novo testemunho publicado pelo The Telegraph acrescenta uma dimensão pessoal e atualizada ao problema, mostrando as consequências financeiras de um investimento realizado há 16 anos.
A situação de Robinson não permite concluir que todos os investimentos turísticos em Cabo Verde enfrentam problemas semelhantes.
No entanto, evidencia uma distinção importante: o sucesso turístico de um empreendimento e a existência de um hotel em funcionamento não garantem, por si só, a rentabilidade ou a facilidade de revenda das unidades adquiridas como investimento.
Cape Verde 24.info
Fonte: The Telegraph, reportagem de Rob White, 8 de outubro de 2026; Financial Services Compensation Scheme (FSCS); The Resort Group; HM Revenue & Customs; arquivo Caboverde24.info.



























