Cabo Verde Airlines recorre a avião português enquanto Boeing está fora de operação

Em 30 segundos

✈️ A Cabo Verde Airlines contratou um Airbus A320 da companhia portuguesa White Airways.

🛫 O avião, com 180 lugares, já realizou voos entre Lisboa, Praia, Sal e São Vicente.

🔧 O Boeing 737-700 D4-CCI encontra-se fora de operação, sem motivo publicamente esclarecido.

❓ Não são conhecidos a duração do contrato, o seu custo e a data prevista para o regresso do Boeing.

Um avião português nas rotas da TACV

A Cabo Verde Airlines (TACV) está a recorrer à companhia portuguesa White Airways para assegurar parte dos seus voos internacionais, numa altura em que o Boeing 737-700, com matrícula D4-CCI, se encontra fora de operação.

A informação foi avançada em 9 de outubro pelo portal especializado Kiosque da Aviação e confirmada, quanto à utilização do aparelho português, através de registos públicos de movimentos aéreos.

O avião disponibilizado pela White Airways é um Airbus A320-232, com matrícula CS-TSY e capacidade para 180 passageiros, distribuídos por uma única classe económica.

Os registos de voos consultados mostram que esta aeronave já realizava ligações da TACV pelo menos desde 24 de setembro.

Entre as operações identificadas encontram-se voos entre Lisboa, Praia, Sal e São Vicente. Nos dias 7, 8 e 9 de outubro, o Airbus continuou a operar nas ligações entre Cabo Verde e a capital portuguesa.

Como funciona o aluguer?

Segundo o Kiosque da Aviação, o acordo entre a TACV e a White Airways utiliza a modalidade ACMI, também conhecida como wet lease.

A sigla corresponde às palavras inglesas Aircraft, Crew, Maintenance and Insurance, ou seja, aeronave, tripulação, manutenção e seguro.

Neste modelo, a White Airways disponibiliza o avião e os meios necessários à sua operação, realizando os voos sob o seu próprio Certificado de Operador Aéreo, enquanto a TACV continua a comercializar os bilhetes e a assegurar as ligações vendidas sob a sua marca.

Trata-se de uma solução habitual na aviação comercial, utilizada quando uma transportadora necessita de substituir temporariamente uma aeronave ou reforçar a capacidade disponível.

Para os passageiros, a principal diferença pode estar no modelo de avião, na configuração da cabine e na tripulação que executa o voo. O recurso a outra companhia não significa, por si só, o cancelamento das ligações programadas.

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Uma solução que a TACV já utilizou

O recurso ao aluguer de aviões com tripulação não é uma novidade na história recente da transportadora cabo-verdiana.

Em março de 2022, quando o Boeing 737-700 da companhia angolana TAAG chegou a Cabo Verde, começou por operar em regime de wet lease, com tripulação angolana.

Posteriormente, estava previsto que a aeronave passasse a ser operada apenas por tripulação da TACV, deixando de depender das tripulações da transportadora angolana.

Em julho de 2022, os voos realizados com esse Boeing foram temporariamente suspensos, devido a questões relacionadas com a autorização TCO (Third Country Operator), exigida pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação às transportadoras de países terceiros que operam comercialmente para a União Europeia.

A autorização da TACV foi renovada e a companhia anunciou a retoma das ligações com o D4-CCI a partir de 21 de julho daquele ano.

Esse episódio constitui apenas um antecedente histórico. Não existe informação que permita relacioná-lo com a atual indisponibilidade do Boeing.

O Boeing que a TACV pretende comprar

O avião agora fora de operação é precisamente aquele sobre o qual o Caboverde24.info publicou uma notícia em 1 de outubro.

Segundo informações avançadas pelo jornal angolano Valor Económico, a TACV e a TAAG estão a negociar a eventual transferência definitiva do Boeing 737-700 D4-CCI para a companhia cabo-verdiana.

Fabricada em 2006, a aeronave chegou a Cabo Verde em março de 2022 e encontra-se ao serviço da transportadora nacional há mais de quatro anos.

No histórico de movimentos aéreos anteriormente consultado, o último voo identificado do Boeing ocorreu em 14 de setembro, entre Paris e São Vicente.

A ausência de registos posteriores não permite, por si só, determinar a causa da indisponibilidade nem estabelecer qualquer relação com as negociações de compra.

O que falta esclarecer?

A utilização do Airbus português permite manter ligações importantes entre Cabo Verde e Portugal, mas deixa algumas questões relevantes sobre a situação operacional e financeira da TACV.

Continuam por conhecer o motivo concreto da indisponibilidade do Boeing, a data prevista para o seu regresso, a duração do acordo com a White Airways e os encargos financeiros associados.

Também não está esclarecido se a contratação do Airbus corresponde a uma solução de curta duração ou se poderá prolongar-se por um período mais alargado.

Cape Verde 24.info

Fontes: Kiosque da Aviação; arquivo Caboverde24.info.

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